Caos emotivo
O prazer pode ser a âncora de humanidade de uma pessoa,
a perda da sua dignidade
e a construção de um caos emotivo...
em seu redor.
Alexandre Silva
26 Junho 2019
Escrita 2019
Uma arma, amar e a hipocrisia das marés
Por vezes o mundo é demasiado grande, outras vezes demasiado pequeno.
Como os oceanos
e os mares à nossa volta.
Demasiado hostil
e muitas vezes hipócrita para com quem apenas quer amar.
Como um tsunami
que a todos engole por igual.
Por vezes o que devíamos fazer é desligar do mundo que não é o nosso,
um mar alteroso.
Mas falta o interruptor...
que foi roubado...
Pode até ser de outrém,
um mar calmo.
Hipocrisia das marés na praia.
Marés insuspeitas.
Mas ao mundo falta perceber que amar não é uma arma.
Apesar das mesmas letras.
E amar
não se liga e desliga,
não tem interruptor.
E amar
não se carrega como um arma...
Alexandre Silva.
10 Junho 2019
Escrita 2019
Viagens em abraço
Há viagens e conversas
que começam com um abraço,
sem palavras.
Porque num abraço
estão todas as palavras que se digam.
Numa viagem.
Numa conversa.
Alexandre Silva
27 Junho 2019
Escrita 2019
A porta
“O sábio pode descobrir o mundo sem transpor a sua porta. Vê sem olhar, realiza sem agir.”
Lao-Tsé
............
Há sempre algo que acontece por detrás de uma porta que, já se tendo aberto e entrado uma vez, voltamos lá de novo...
Por vezes o carácter, a dignidade, o respeito de cada um, não bastam para decidir o que queremos (ou até se queremos) lá entrar (e encontrar) porque até mesmo o carácter, a dignidade e o respeito podem ser enganados.
Não pela porta, não pela entrada nela mas talvez pelo porteiro...com o nosso beneplácito de ter olhos fechados, estranhamento fechados...ou talvez não.
Talvez porque devesse, o porteiro, nesse caso, ser honesto, sincero, humano.
Numa palavra: carácter.
Então talvez precisemos de encontrar o respeito (que tanto apregoamos para os outros e que tantas vezes não o "queremos" para nós...).
Ou talvez precisemos da lembrança de outrém para quem as portas que abriu sempre o foram com respeito.
Sem subterfúgios de sensibilidade. Mesmo se com os olhos fechados de quem entrava...
Essas portas, abertas com carácter.
Com dignidade.
Com claridade.
Ou outros atributos sérios, nobres... que só quem está de fora vê mesmo, sem observar.
É urgente “poder descobrir o mundo sem transpor a sua porta”...
Alexandre Silva
13 Maio 2019
Escrita 2019
Olhos que abraçam
E quando me abraças
são os teus olhos que ficam na minha alma.
São os teus olhos que mostram o teu coração.
São olhos de verdade.
Que dizem tudo.
A quem neles olhar de verdade.
Alexandre Silva
12 Junho 2019
Escrita 2019
Encontro (pouco) acidental
Um encontro acidental numa mentira propositada.
Um encontro (pouco) acidental numa mentira (há muito) programada.
Esta "boa consciência" de agora não dá justiça a ninguém.
A consciência impoluta que reclamamos da sociedade não é “esta” consciência.
A ambiguidade da sociedade acidentalmente vertida em cada um de nós.
Acidentalmente, sempre que queremos.
Afinal sempre que quisemos...
Na violência de uma ambiguidade absolutamente triste.
Alexandre Silva
26 Junho 2019
Escrita 2019
Acto ignóbil
Porque não voltas a entrar,
de novo,
por aquela porta
e te dás ao acto ignóbil da entrega?
Porque não voltas
à ilusão de um almoço
onde um abraço
se transforma num outro acto de prazer?
Porque te escondes
na esplanada
junto ao mar
iludindo o teu carácter nobre, mentindo?
Porque insistes
na mentira,
de ti própria,
e a ti própria te enganas atormentada?
Porque insistes
na fuga desleal
aos que te rodeiam
e não fogem de ti porque te amam?
Porque não olhas como gostas de fazer, observando?
Alexandre Silva.
29 Maio 2019
Escrita 2019