Lista de Poemas

O próximo inverno

De longe as folhas árvore caem, 
Tocam o chão e se deitam junto as outras.
As todas as outras versões de mim.
Todo ciclo é assim, em todo inverno é assim... 

Renascemos de onde viemos, mas ainda há pedaços de mim dissipando no chão, 
Não se pode plantar essas folhas mais uma vez, 
Mas enquanto elas esteveram presente durante todo esse inverno, 
Mantiveram as coisas como deviam ser. 
Há coisas que não entendemos, mas sabemos. 

Nossos ciclos, nossas histórias, nossas folhas...
Hoje há mais folhas dissipada no chão, 
Menos do que haviam há alguns meses.
Estou voltando a florir, 
Pra depois me dissipar e sorrir. 
Nossos ciclos, nossos invernos, nossos começos, nossos fins. 

O vento desse lado é um pouco mais frio, 
Quase não me importo de me sentar sob a brisa dele, 
Só quando arde nos olhos, 
Mas aprendi a me aquecer nesse inverno.


As folhas ainda caem, me sento de frente a mim,
Encaro-me, vejo minhas raízes e de onde vim. 
Eu me tornei uma borboleta azul. 
Somos todos diferentes agora.
Eu sou diferente agora. 

Vendo tudo que fui disspindo, 
Tudo que um dia acreditei ser, tornando-se glabro. 
Eu estou nascendo de novo, é um fim de um ciclo que começa e termina. 

Essas folhas que caíram, vou varre-las.
Não posso planta-las, mas posso varre-las para onde Deus quiser.

Espero o inverno passar, aquecida comigo ao lado meu, esperando-me florescer, no meu processo, no meu tempo, na minha vontade em prol de toda minha verdade. 

5.2.23
158

Mais um pra você

Esses dias, 
Escrevi outro poema sobre você. 
Mas não vou te mostrar,
Não dessa vez.
Lá confessei tudo que sinto
E só te lembrar faz minha cara ruborizar. 

Falei coisas de você que, 
Se me deixasse falaria olhando nos teus olhos, 
Claro que não saberia recitar de forma tão bonita e clara, 
Porque eu gaguejaria umas vinte vezes, com medo de errar o ritmo da dança.  

Mas escrever sobre você,
Lembrar dos detalhes que te compõe, 
Te tirar da mente e te transformar em poesia, 
Tornou-se como um remédio p'ra minha desesperança. 

Onde boto meus olhos, 
Ou onde prego minha mente
Quero te escrever qualquer coisa 
Pra te preencher com carinho
Que te faltou. 

Mas eu não vou falar de você, não aqui. 
Eu só vim dizer que, 
Esses dias, eu escrevi um poema sobre você. 
E lá eu dizia... 
Tudo que sinto por causa de você. 

10.2.23
A.R
160

Saudade álgida

Tristeza fria de um domingo em meu peito, 
Sinto sua falta o tempo inteiro.
Ao vento passar e levar meus cabelos,
Ao dia amanhecer e te imaginar em meu travesseiro.

Saudades que torce meu peito, 
Deixa-me sem ar, posso mal respirar. 
Saudades de querer-te por perto,
Perder-me no teu brilho que reluz, 
O sorriso que seduz. 
Para ti compus, 
E a ternura que deduz. 

A saudade que em mim se pôs. 
Vento álgido cruel rasga-me o peito a dor desse sentimento.
Queria eu que fosse apenas carnal, 
Mas a saudades mostrou-me ser impetuosa,
Sei que vai mais além da subjeção, 
Já se tornou veemência.

Saudades de ti plantou-se em mim, 
Falha minha palpitação
Dias sem sua brilhanteza
Escondo em mim uma tristeza. 

Tirei-me para dançar, 
Aquela canção que me aconchega o coração. 
De olhos fechados,
Passos embolados,
Vejo seus olhos...

O brilho de sua íris,
Sua pele tão nívea, 
Contrastando a minha, 
E por fim,
Posso ver teu sorriso. 

Volte e fique até o próximo inverno,
Fique até o verão, fique o ano inteiro.
Fique até que se falte chuva na terra, 
Até não haver mais estrelas nos céus. 

Mate a minha saudade, 
Mate-me este frio no peito. 

Esquente-me com seus anseios, 
Junte seu corpo a mim e aqueça meu amor por você.
Fique por mais um mês,
Fique por mais um ano,
Fique até que haja apenas eu, você e seu encanto. 
Fique. 

01.02.23
A.R - Faro, Portugal
170

Ô, meu bem

Ô, meu bem... 
Não se afasta assim de mim, 
Te dou meu colo pra que possa chorar, 
Mas fica, não se afasta de mim, 
Deixo minha mão segurar. 

Ô, meu bem... 
Não fica assim, as coisas vão melhorar. 
Eu tô aqui, tô aqui pra te ajudar. 

Ô, meu bem... 
Se você precisar, eu vou correndo te abraçar. 
Meu colo pode ser seu lar se não se afastar. 
Fica aqui, prometo que não vou te machucar.

Ô, meu bem...
Deixa eu soprar essas feridas
E de você cuidar. 

Ô, meu bem... 
Eu sei que vai doer, 
E a dor te espanta, 
Mas eu ainda estou aqui, 
Não te deixarei sozinha,
Meu coração seria incapaz de te soltar as mãos.

Eu prometo, meu bem...
Prometo ficar, prometo te entender,
Ter a paciência que nunca tiveram com você pra saber como deve ser cuidado o seu coração. 

Ô, meu bem...
Fica por perto. 
Te faço um cafuné na cabeça, 
Tenha medo, mas tenha medo em meus braços 
Que será o lugar mais seguro que poderá depositar suas incertezas. 

Ô, meu bem, meu benzinho... 
Deixa eu ficar com você, deixa eu cuidar de você. 
Fica. Só fica. 
O resto eu me encarrego de fazer. 

A.R 
23 de Dezembro de 2022.
Faro, Portugal
166

Teu perfume embaralhado em mim

Tornei-me completamente mercê, 
Definitivamente mercê dela, 
E quando vem até mim, 
Com cheiro dela que me parece casa nova, 
Me faz querer morar no perfume da sua nuca.

O cheiro dela ficou no meu casaco,
Agora tomou conta de todo meu quarto.
Essa noite durmo com sorriso lábios,
Deitada no travesseiro deixando a cheiro dela
Inundar todo meu amago.

Teu cheiro, a combinação exata 
De beleza, ternura e prazer. 
Se eu pudesse grudava meu nariz em você, 
Meus lábios nos seus, 
Não deixaria você ir a lugar algum, 
Até que eu pudesse exaurir tua essência
e te guardar tua fragrância na memória.

Grudar-te em mim, 
A sensação de que me apaixonei pelo teu perfume, 
Fechar meus olhos sob seu peito, 
Ouvir mais uma vez seu coração pulsando.

Criar memória de você,
Teu sorriso no rosto,
Teu cigarro nos lábios, 
E quando me sorri de lado 
Vejo o céu estrelado dos teus olhos castanhos, 
Dos pequenos fios do seus cabelos
até a ultimo átomo do teu corpo.

Quero aprender a escrever pra te fazer poesia,
Quero aprender a cantar pra te fazer uma serenata, 
Quero aprender a desenhar pra te pintar num quadro.
Quero guardar você na memória. 
Teu cheiro, teu rosto e fazer parte da sua história. 

A.R - 22/12/22 
Faro, Portugal
159

Vento e sol

As piores coisas de lidar comigo 
É que eu estou dentro de mim
Eu vivo no corpo e ainda sei lidar comigo mesma. 

Mesmo que eu sinta o vento batendo no meu rosto, 
Mesmo que eu sinta o sol aquecer a minha pele, 
Nada disso importa, nada disso tem valor
E eu tenho tanto tentado fazer com que isso seja o suficiente, mas não é.

Todas as partes do meu corpo doem, 
Minhas pernas parecem que andam por si, 
Chega um momento que eu não sinto meu corpo, 
Eu só sinto meu coração doer, 
E quanto mais ele bate, mais ele dói. 
"Mas o coração não dói." Disse meu médico. "O coração não tem osso para doer."

Então caio em mim, que não sei, 
Não sei sobre mim, 
Continuo andando nessa rua de linha reta, 
Esperando que talvez no fim dela, 
Tenha uma outra esquina que me levará a acreditar
Que o vento e o sol também fazem parte de mim e 
Eu tenha aprendido a lidar comigo. 

A.R  / Faro - PT
171

Primeiro amor

Aos dezoito anos,
Eu achei que ia morrer sem ela, 
Se ela me deixasse... 
O primeiro amor é superestimado.
E agora,
Sentada na mesa do café, 
Comendo uma laranja, 
Dou risada de mim mesma apaixonada. 
Tolinha. Tá viva ainda! 
E ela? Ela eu já nem sei mais.

A.R - 26/11/2022 - Faro, PT.
172

Isso é tudo sobre a vida e sobre a morte; a verdadeira vilã dessa história

Existe uma garotinha, tão pequena 
Que sonha com o mundo
Em que ela foi colocada para ser,
Linda, perfeita, polida, inquebrável. 

E ela cresceu. 
O mundo fez-na em pedaços. 
Milhares de pedacinhos, tão pequenos que são incontáveis. 
E ela deixou de ser linda, perfeita, polida e inquebrável.

A vida pisou, quebrou, cuspiu e riu dos seus sonhos
Gargalhou tão alto que ela se escondeu, escondeu dentro de si. 
Essa risada nunca mais saiu da cabeça dela.
Por tanto medo da vida rir novamente dela, com aqueles olhos cruéis, aquele sorriso tão largo e dentes tão afiados, ela se escondeu. Escondeu-se dentro de si. 

Num cantinho que a vida não podia rir dela porque ela já não tinha mais coragem de encarar a vida nos olhos. 
Os dentes amarelados da vida, o olhar faminto da vida pela sua dor, a vida era cruel como uma bruxa que ela via-se  nos contos de princesas. A verdadeira vilã. 

E por isso viu brilho na morte porque fora a única que lhe sorriu sem maldade. A morte não é a vilã, não é... Nunca vai ser, nunca será.

 A vida é, a vida vai cuspir na sua cara, rir de você, te fazer sofrer e a morte vai te abraçar, te aquecer sem nunca te fazer sofrer. Ela não vai rir de você e pra ela não Importa se você é ou não é linda, perfeita, polida e inquebrável. 

A morte nunca será a vilã nesse conto de fadas, a morte sempre será o ser mágico que a tira da masmorra da vida. 
O último suspiro. A última dor. Adeus a vida, que ela viva com outro alguém e sem seu pudor. 

A.R 20/09/2022 - Faro, Portugal
179

Quarto

Meu quarto está calmo, 
Há silêncio por todo lado. 
Mal ouço os carros passando, 
Mal ouço os ruídos que vem de fora.

Meu quarto está calmo demais,
Para o grande caos que está acontecendo 
Dentro do meu peito. 
Ao contrário, ouço tudo, 
Carros, motos, gritos, choros,
Desespero.

E como pode tudo estar tão calmo
Se eu estou em caos? 
Nem eu mesma escuto tão bem as coisas dentro de mim, 
É como uma balada as 3h da manhã. 
Ouço, mas não escuto. 

Sei que há música, carros, motos, gritos, choro
E desespero. 
Meu coração que pulsa com os graves dessa música, mas não sei dançá-la. 
Há barulho para todo lado, ao mesmo que há silêncio para todo canto.

A.R - 25/04/22 
Faro, Portugal
229

Artigo: Morte

O que é a morte
Se não o fim desse ciclo?
O que é a morte
Pra quem se vive dentro da mortalidade?
O que é a morte
Senão o fim do sofrimento?
O que é a morte para além de tudo
A retirada da carne a tristeza esfaqueada em gomos, mastigada e cuspida fora?
O que é a morte
Pra'queles que já desistiram?
O que é a morte
Pra'queles que buscam refúgio?
O que é a morte
Se não um retrato da vida?

O que é a morte
Não se sabe, muito menos eu sei.
Se a morte é como viver em vida. Se é fim de tudo. Escuridão, então eu já morri.

Mas rezam a lenda e alguns proferem que a morte é a felicidade eterna, onde se encontra a paz e acabassem os caos, se for assim, levem-me para o caixão. Deixe-me lá, não chorem por mim. Porque viva eu já estava morta e espero viver quando finalmente eu morrer.
 

A.R - Faro, Portugal. 



08/Jan.
245

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