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ACASO


(Alves Andrade)

Quando Maria encontrou João

Ela não encontrou João

Foi achada por ele

Que entanto não a buscava

Foi o acaso, que não existe,

Que os uniu e os desuniu

Afogou ambos em um mar de amor

Enterrou-os naquele pântano

Em que derramaram o que não tinham,

Porque não foram,

 Porque não eram,

Porque não serão!
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Poemas

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ACASO


(Alves Andrade)

Quando Maria encontrou João

Ela não encontrou João

Foi achada por ele

Que entanto não a buscava

Foi o acaso, que não existe,

Que os uniu e os desuniu

Afogou ambos em um mar de amor

Enterrou-os naquele pântano

Em que derramaram o que não tinham,

Porque não foram,

 Porque não eram,

Porque não serão!
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A ATRIZ E O POETA


Alves Andrade
(ou a vitória do Ciúme) 

“O ciúme é a véspera do fracasso

E o fracasso provoca o desamor.”


A atriz chegando ao Brasil

Fez sucesso de repente, 

Deixando besta a plateia,

Deixando os homens contentes,

Viu a cidade a seus pés,

Via o mundo sorridente.


Ele imberbe, já arauto

Do amor e da liberdade,

Ascendeu então na vida 

Com lisura sem maldade,

Verso de encantar a todos

O moço, o velho a beldade.



Se fama arrastava os dois,

O Amor do alto os mirava,

O plano, juntar a ambos,

Assim Ele então tramava,

Sem mesmo eles saberem

Um só caminho trilhavam.



Nos palcos, encanto dela,

Tal qual o Condor voava

O eco das palavras dele,

Bem distante já vibrava,

Ele a mirava em sonhos,

Ela com ele sonhava.



De repente se encontraram 

E ocorreu o inexorável,

Ele prostrou-se a seus pés

Beijou-lhe a mão, amável,

Recitou então seus versos,

Com a sua voz adorável.



Embora sendo casada,

Nos seus braços se jogou,

A língua da hipocrisia

Logo logo os difamou,

Não viram nem ouviram

Foi Eros que os consagrou.



Sumiram por algum tempo,

Naquele idílio afogados.

Quando reapareceram,

Eram seres enlevados,

A terra de flor se encheu,

E o Amor foi mais amado.


O sent’mento se fez carne

Por sobre a terra andou,

Até as pedras se amavam,

O Ódio o mundo deixou.

Vitória do Bem ao Mal,

O Bem na terra reinou.




Fez-se a união perfeita

Verso com dramaturgia,

Se ele escreveu Gonzaga

E enquanto pra ela lia,

Ela na tela do tempo

Representando se via.




Se ele na praça cantava,

Ela enlevada assistia;

Se ela representava,

Ele sentia alegria

Enquanto um só via o outro

O outro somente um via.




Mas como Céfalo e Prócris,

Inveja ao mundo causavam,

E toda aquela alegria,

Que as pessoas admiravam,

Em alguns corações torpes

Vis emoções despertava.




As emoções negativas

Turvaram-lhes o caminho

E o alfinete do ciúme

Penetrou bem de mansinho,

Tilintou em seus ouvidos

O seu trágico sininho.




E onde existia cuidado,

Somente agora desídia;

Os olhares um do outro

Via só o que não havia

Nos sonhos sempre a discórdia,

Traição, descuido, perfídia.




E eles, que eram tão próximos,

Tornaram-se tão distantes,

Fizeram-se indiferentes

Ele e ela, tão amantes.

Vivendo ela no Rio,

Ele, aventureiro errante.





E pouco tempo depois,

Grave doença o levou,

Ela, então, mulher do tempo, 

Com outro se amancebou.

Para tristeza de Eros,

Ciúme assim triunfou.




Mas nas lides siderais,

Seu ser o dela encontrou

Ele, apenas metade,

Com ela se completou,

Somente naquela esfera

A corda do amor vibrou.

(Alves Andrade)
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