ana rafael

ana rafael

n. , Costa de Caparica

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Apenas o Amor

Que as minhas
Não sejam as tuas
Lágrimas
Que o teu
Não seja
O meu silêncio
Que a minha
Não seja
A tua dor
Enfim
Que nada
De um
Seja do
Outro
Apenas o Amor…
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Biografia
A Metáfora

No ano passado
escrevi um poema
que começava assim:
"sinto a lâmina do teu ciúme no meu peito"
- era uma metáfora, claro.
E não suspeitei.

Agora,
que me espetaste a faca de descascar batatas entre as costelas,
único desfecho lógico para o nosso amor;
agora, que sinto a lâmina
e o sangue morno a alastrar-me na camisa,
sei, finalmente e tarde demais,
a fraca expressividade das metáforas.

Por isso,
se ainda gostares um bocado de mim,
pede para, na segunda edição,
alterarem o verso para:
"sinto o teu ciúme como uma lâmina no meu peito".

José Luís Peixoto

Poemas

4

Sonhei contigo

Sempre sonhei contigo

Sem saber onde estavas

Porque partes agora

Agora que te encontrei

Dentro de mim ...

604

Morreste-me

Hoje morreste-me

Que fazer do teu corpo

Sem alma sem vida

Desta dor quer ficou dentro

De mim

Hoje morreste-me

E os mares estavam quietos

Os ventos parados

Mas as nuvens negras

Anunciavam

Que a morte estava

Prestes a chegar

Hoje morreste-me

E partiste sem que pudesse

Dizer-te mais uma vez

Beijando a tua boca que

Te amo

Hoje morreste-me

E fiquei neste silêncio profundo

Com o amargo e salgado

Sabor das minhas lágrimas

Por ti

Hoje morreste-me

Sem saber o que fazer

De mim ….

870

Brumas

Procuro-te naquelas brumas

Onde te perdi

Procuro chamando o teu nome

Não fujas não te afastes de mim

O amor é eterno

E para sempre te procurarei

Um pouco de sonho

Um novo acordar

E nas bruma onde

Fiquei adormecida

Nascerei

De novo te procuro

Basta um pouco, muito pouco

E num sopro de amor

Saberás quem sou

Para de novo voltares

Num amor sem fim

716

Amor

Amor, amor

Sussurro o teu nome

Nas noites mais frias

Nos dias de brumas

Sussurro e o vento

Leva-o

Para aquele lugar distante

Onde o mar e o vento

Apenas me dizem

Não sei onde está

Não sei do seu coração

Pede ao teu que o chame

Pede que lhe fale

A tua voz fraca

Morre na garganta

Daqueles que chamam

Morre nos braços

Dos que não alcançam

Mas renascerá no coração

Daquele que amas

853

Comentários (2)

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Muito belo .... poetisa Ana Rafael - este poema do outro lado do espelho - e confessas o teu outro lado de ti... pois este amor é terno ... e sempre estarás neste espelho - de muito amor a sangrar. belo...belíssimo . deves continuar teus poemas mais íntimos de tua alma a canta-los em versos. em além mar .

Maria
Maria

É urgente ler poesia. Porque quando um homem sonha a obra nasce.