André Medeiros

André Medeiros

n. 1967 BR BR

n. 1967-10-22

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A Rosa Amarela do deserto.



 

Fui na feira comprar flores pra ela

Ela queria uma rosa do deserto amarela

O feirante não tinha a rara flor

Pra não desagradar a minha bela

Trouxe na sacola todo o deserto pra ela.

 
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Poemas

19

Dezembro 2021.

Há tempos não lhe via
Teus olhos cansados sob a máscara
Trazem alívio para a solidão dos dias brutos atuais
Te reconheço pelos pés ainda firmes
O tempo é a diferença entre o que se quer e o que se pode
E em corredores de loja
Nos abraçamos sem abraços
Gratos pela oportunidade de termos sido
Por termos tido
Por tudo e apenas por isso.

- Afinal o amor não entra em portas trancadas.
205

O Céu Invertido.



 

Perguntou o pequeno filho ao pai:

- Pai de onde vieram as estrelas do mar?

 

O Pai pensou e respondeu: dizem que as estrelas do mar são estrelas caídas do céu, que Deus libera para nos iluminar aqui embaixo, no chão do oceano.

Assim temos perto de nós, logo abaixo nas profundezas, uma via láctea submersa, na constelação infinita do mar.

O Mar é o Céu invertido.
218

O DESCANSO DO SONO.



O Sono estava cansado de adormecer as pessoas e foi dormir
E não tinha quem o acordasse
Dormiu dormiu, sonhou e sonhou.

Quando despertou não havia de lembrar
Com o que sonhasse
Apenas o rosto dela na janela
Esperando que ele despertasse.

A partir daquele dia, ele apenas a desejaria.
Nem o castelo dela
Nem a fortuna que ela tinha
Apenas e somente, a sua companhia.

- Desde então o Sono nunca mais dormiria.
187

Na Farmácia do passado.



 

Mais velho que o tempo

Fui fazer compras na prateleira do esquecimento

Mas estava vazia

Nem promessas falsas me oferecia.

 

Guardei na carteira a saudade

E fui sentar praça na nostalgia.

 

Foi quando tu chegaste trazendo um presente

Sua presença já existente

Que acolhi na minha retina

De um dia de possível alegria

Num futuro que quem saiba nos pertença

Ter a sua companhia.

 

 



181

Minha Menina.



 

Eu não preciso de muito para pensar nela

Fecho os olhos

Vejo o seu sorriso

E pronto, ela está ao me lado.

Afora isso não me sinto mais sozinho

Não preciso de mais nada

Para tudo ser possível

Em nossa jornada.

 
21

O Vencedor.



 

Coragem para não responder

Coragem para entender

Coragem para amar

Coragem para viver o luto, lutando

Coragem para se preciso for

Não vencer o desafio

Porque as vezes é preciso ter coragem para perder

E vencer - se apenas nisso.

 
270

A Peleja do Joio e do Trigo.



 O Joio e o Trigo discutiam no meio da plantação

E cada um dizia que ele próprio tinha a razão:

 

- Eu vejo desse jeito.

- Desse outro jeito vejo então.

 

E enquanto o campo pegava fogo

Disputava - se quem tinha mais razão

As outras plantas secaram, foram embora ou desistiram da questão

 

Ao final com o campo destruído,

Sem ninguém para concordar

Sem solo para brotar a razão

Ficaram sozinhos e isolados, no silêncio da sua discurssão.

206

A Pedra Amorosa.




Diziam que a pedra não amava

Que ela era só pedra, e mais nada

Não se comovia

Era apenas bonita e fria

Sem gosto, distraída

Pouco falava, pouco dizia.

 

Mas o que não sabiam

O que não entendiam

É que para sua proteção

Era preciso ser sutil com sua emoção

Sentindo de forma cautelosa e em silêncio

Aquilo que lhe tocava o coração

 

A Pedra era amorosa.

Apenas não fazia questão

De que o mundo soubesse

Daquilo que não carecia

Ela dar explicação.


Mesmo que ela não desejasse

O poeta entendia e lhe amava com afeição

E para lhe fazer companhia

Em areia se tornaria

Para ser seu chão.
243

Alguém pra falar de amor.

Quando o silencio se faz escutar

Eu penso.

 

Quando a dor vem visitar

Eu calo.

 

Quando o vazio vem preencher

Eu me sinto melhor

Escrevendo essas linhas pra você.
276

Um pequeno conto.



Dizem que a memória

Queria esquecer

E pediu a Deus

Para apagar uma lembrança

Ele lhe respondeu:

Para isso terás que perdoar o amor

Que para ti não se revelou

E encontrarás, junto a solidão

O esquecimento que me solicitou.
191

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Prestes e Silva

Encantada.