André Medeiros

André Medeiros

n. 1967 BR BR

n. 1967-10-22

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A Rosa Amarela do deserto.



 

Fui na feira comprar flores pra ela

Ela queria uma rosa do deserto amarela

O feirante não tinha a rara flor

Pra não desagradar a minha bela

Trouxe na sacola todo o deserto pra ela.

 
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Poemas

29

Um Pé de Sorriso.



 

No fundo do meu quintal

Plantei um pé de sorriso

Para sempre me lembrar

Que minha fé

É maior que qualquer abismo

Que eu possa habitar.

 

Quando penso e preciso

Dele me aproximo

Para conversar

E agradeço de volta

O sorriso que todo dia

Ele empresta a me ensinar:

- Que prosseguir, também é uma forma de acreditar
174

O Garoto que perdeu o sorriso.



Na estrada quebrada da vida

Finda a viagem da partida

Retorno aquela esquina

Que um dia ao encontrar te vi

E quando te revejo é como se lembrasse ao meu rosto

Que ainda posso sorrir.

 



190

Conversando com as árvores.

Eu passei a acordar cedo pra despertar o dia
Depois que o homem substituiu Deus pelo algoritmo
Resolvi preservar o amor.

Guardei as pedras que atirava
Fechei os olhos para escutar melhor
E quando tudo parecia perdido
Tua voz soprou das arvores
E sussurrou com calma:

Nada termina antes que a vida acabe, enquanto fizeres o que será.
260

Soneto.



 

Lembrança é o tempo andando para trás

Saudade é algo que não tem vontade de ir embora

Memória é fotografia preservada do passado

Daí faz – se necessário sorrir com leveza

 

Respeitar a própria natureza

Amor de papel de seda

Renda branca da fé na janela

De quem sabe que precisa acreditar

 

 É ciranda no tempo

Ficando, indo e voltando

Procurando acertar

 

E por fim revelar, que há de encontrar

Que não se perdeu, que ainda há, e está:

- Lá onde, os passarinhos aprendem a cantar.

191

O Tolo Confiante.

A Intolerância é filha do radicalismo.

A Raiva a véspera da agressão.

Observe com atenção o quão longe te encontras

Do amor distante em teu coração

Tal distância evidencia o limite

 entre o orgulho e o egoísmo sem razão.

 

- Afinal toda certeza, tem sua cota de imprecisão.
165

O Presente.

Estava eu a embalar o Pôr do Sol para presentear - lhe

Quando o Sol Nascente me repreendeu

Por que ele e não eu?

Respondi: É que a dama que vou agraciar

Sem perceber, em mim chegou

Tão definitivamente presente

Que foi como se o dia, houvesse terminado para sempre.
171

Ampulheta quebrada.


Se eu pudesse voltar no tempo, nunca mais voltaria para o futuro.
Presentemente estudo e mudo hábitos
Tempo é questão de prioridade.
E vejo que nada é mais belo
Que o sorriso nos teus lábios.

Repare que o mar está sempre em constante movimento de tentar
Ele nunca desiste de ondular.

- A natureza tem sempre razão
Não há o que questionar.
184

Jantar para dois.



 

Enquanto lá fora o mundo tenta se curar

Fui a feira e ao feirante pedi meio quilo de alegria

Queria preparar - te uma refeição com um pouco de folia

Na mesa algumas flores

A toalha de renda branca

Espantei o medo com aroma de café

Muita certeza e epifania.

 

Naquela noite intacta

Era apenas a vida se movendo

No fim de mais um dia

Pra te abordar com calma e poesia

E dizer que depois do inverno

Se apresentariam os recomeços que sempre derivam

Do fim das tempestades perdidas.

 

Te rever será outra vida.

 
174

Nossos dias.

Nossos dias.

 

Enxergar a beleza

Mesmo quando ela não estiver lá

Nos relacionamentos um sempre é o jardim

E o outro o jardineiro.

- Para florescer é preciso ser inteiro

Como a grama que se entrelaça

Pra agasalhar o canteiro.

 
210

Morada.

A Casa era um pretexto

Pouco e tudo no mesmo contexto

Sem motivo

Sentimento recíproco

Sem promessa

Apenas a vontade de estar

E seguir

Não é preciso teto

Para morar em você.
150

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Prestes e Silva

Encantada.