Um poema para Margot.
Margot gostava de um poeta
Mas o poeta era inconstante
Ele gostava dela.
Mas também das flores e dos passarinhos
Não dava a ela a atenção que merecia
Então ela, aflita
Desmanchou o namoro.
Ela perdeu o namorado
Mas ganhou um poema.
Promessa.
Ao ser permitido
Lhe cumprimento
Faço o rascunho
E apresento o argumento
Trago a Lua pra testemunhar
E proponho o casamento
Votos, promessas, sustento
E não garanto nada.
Mas amor
Ah o amor..
Será cláusula pétrea
Na certidão
E no registro de testamento.
Um Mapa para a distancia.
No trajeto da vida
Diante da pertinência dos fatos
Equívocos são escritos por quem tenta acertar.
Com carinho e angústia,
Levo comigo sementes e vou plantando
Ora se transformarão em flores, ora em espinhos indesejáveis.
Pensar em desistir das pessoas
É não acreditar na vida.
Por isso creio no bom pensamento do Cristo
Na leve intenção do que é honesto e puro
Mesmo que as vezes, eu me engane ou esteja equivocado.
Não se importar,
parece de pouca humanidade.
Amar é o único caminho,
Perdoar imprescindível,
Principalmente para se libertar.
Por isso é preciso caminhar.
E sem questionar o sentido
Buscar a estrada do encontro,
Mesmo quando as vezes eu me veja perdido
Tentado te achar.
Teu sorriso ainda será o melhor motivo para lutar.
Harmonia.
Vai ser de vez em quando assim:
Quando você precisar, eu vou te ver
Quando eu precisar, você vem me ver
E enquanto ficamos distantes e sós
Passarinhos cantam
Fazendo companhia pra nós.
Cabelos Negros.
Penso em ti quando criança
Correndo entre as flores
Sonhando o mundo
Imaginando o tempo
Nos cachos de teus cabelos negros.
Quais eram teus sonhos?
Quais eram teus medos?
Não importa mais.
Tudo deve ficar em segredo
São teus, não pertencem a mais ninguém
Apenas a ti e a Deus.
Sendo assim que fiquem lá
No doce passado infantil.
Pois hoje no presente
Me encanta mais a tua tímida alegria
De andar corajosa e distraída
Por entre as flores que plantaste
Nos caminhos coloridos daqueles dias.
Onde brilhem os olhos teus.
As vezes descanso no olhar dela
É como um refúgio
Nele volto a ser criança
A soltar pipa
Corro pela sala
Aprumo meu pensamento
Até onde a vista alcança a expressão.
Enquanto isso ela espalha perfume pela casa
Põe música para agradar
E prepara seu prato mais saboroso.
Quando ela adormece e cerra os olhos
Deito ao seu lado, encantado
No tapete dobrado, do seu coração.
O Poema analfabeto.
As vezes as palavras de poema
Saem como balas de prata
Sem direção
Sem vírgula
Sem acento de exclamação
E submeter-lhe
A gramática ortográfica
É arrancar – lhe a emoção prática
Da concepção.
Ele se comunica como veio ao mundo
Sendo objeto para análise alheia e sua dedução.
Não cabe assim, vestir – lhe um terno de aceitação
Ele está pronto para a festa em que for convidado a dançar
Seja lá, quem for lhe interpretar.
Com ciúme do vento.
Esse vento constante
De certa forma desrespeitoso
Afaga os teus cabelos sem a tua permissão
E me deixa com ciúmes.
Esse vento insistente
De certo contente
Pois te toca e acompanha
Dia após dia:
Diariamente.
Enquanto isso eu faço contraponto, longe de ti
Na fronteira do outro lado da cidade
Solitário, mas vigilante a intervir
Sopro brisa de amor contrária
Pra embalar teu sono e proteger
Em oposição a esse vento inapropriado
Que insiste em te tocar.
Pra quem sabe, ele ir embora
E você voltar a caminhar
Sem ser incomodada
Na orla que adora ver você amanhecer.
No Banco da praça.
A noite na praça
Enquanto jovens dançam
Idosos se observam
E o pipoqueiro faz seu trabalho
O ar é bucólico
E o diálogo é leve e descontraído.
Assim como os teus passos tímidos
Ao entrar no café
Pra pedir ao tempo que espere a vontade passar
E possa servir uma xícara com afeto e boa companhia.
Sem a pressa do ponteiro do relógio
Não me incomoda a tua despedida
Sei que o tempo as vezes morre,
Mas o teu sorriso, é vida.
Lembrete para a vida.
Para o caso de você esquecer
Devo te lembrar:
Que não me esqueço de você.
Então não esqueça,
Que não esqueço de você.
E com isso lembrar sempre, de nunca esquecer
Que sempre vou lembrar de você.
Vou lembrar inclusive, quando de você eu esquecer...