André Medeiros

André Medeiros

n. 1967 BR BR

n. 1967-10-22

Perfil
29 193 Visualizações

A Rosa Amarela do deserto.



 

Fui na feira comprar flores pra ela

Ela queria uma rosa do deserto amarela

O feirante não tinha a rara flor

Pra não desagradar a minha bela

Trouxe na sacola todo o deserto pra ela.

 
Ler poema completo

Poemas

10

Um poema para Margot.



 

Margot gostava de um poeta

Mas o poeta era inconstante

Ele gostava dela.

Mas também das flores e dos passarinhos

Não dava a ela a atenção que merecia

Então ela, aflita

Desmanchou o namoro.

 

Ela perdeu o namorado

Mas ganhou um poema.
321

Promessa.



 

Ao ser permitido

Lhe cumprimento

Faço o rascunho

E apresento o argumento

Trago a Lua pra testemunhar

E proponho o casamento

Votos, promessas, sustento

E não garanto nada.

 

Mas amor

Ah o amor..


Será cláusula pétrea
Na certidão
E no registro de testamento.
308

Um Mapa para a distancia.



 

No trajeto da vida

Diante da pertinência dos fatos

Equívocos são escritos por quem tenta acertar.

Com carinho e angústia,

Levo comigo sementes e vou plantando

Ora se transformarão em flores, ora em espinhos indesejáveis.

 

Pensar em desistir das pessoas

É não acreditar na vida.

Por isso creio no bom pensamento do Cristo

Na leve intenção do que é honesto e puro

Mesmo que as vezes, eu me engane ou esteja equivocado.

 

Não se importar,

parece de pouca humanidade.

Amar é o único caminho,

Perdoar imprescindível,

Principalmente para se libertar.

 

Por isso é preciso caminhar.

 

E sem questionar o sentido

Buscar a estrada do encontro,

Mesmo quando as vezes eu me veja perdido

Tentado te achar.

 

Teu sorriso ainda será o melhor motivo para lutar.

317

Harmonia.



Vai ser de vez em quando assim:

Quando você precisar, eu vou te ver

Quando eu precisar, você vem me ver

E enquanto ficamos distantes e sós

Passarinhos cantam

Fazendo companhia pra nós.
354

Cabelos Negros.



 

Penso em ti quando criança

Correndo entre as flores

Sonhando o mundo

Imaginando o tempo

Nos cachos de teus cabelos negros.

 

Quais eram teus sonhos?

Quais eram teus medos?

 

Não importa mais.

 

Tudo deve ficar em segredo

São teus, não pertencem a mais ninguém

Apenas a ti e a Deus.

 

Sendo assim que fiquem lá

No doce passado infantil.

 

Pois hoje no presente

Me encanta mais a tua tímida alegria

De andar corajosa e distraída

Por entre as flores que plantaste

Nos caminhos coloridos daqueles dias.

290

Onde brilhem os olhos teus.



As vezes descanso no olhar dela

É como um refúgio

Nele volto a ser criança

A soltar pipa

Corro pela sala

Aprumo meu pensamento

Até onde a vista alcança a expressão.



Enquanto isso ela espalha perfume pela casa 

Põe música para agradar

E prepara seu prato mais saboroso.



Quando ela adormece e cerra os olhos

Deito ao seu lado, encantado

No tapete dobrado, do seu coração.
393

O Poema analfabeto.




As vezes as palavras de poema

Saem como balas de prata

Sem direção

Sem vírgula

Sem acento de exclamação

E submeter-lhe

A gramática ortográfica

É arrancar – lhe a emoção prática

Da concepção.

 

Ele se comunica como veio ao mundo

Sendo objeto para análise alheia e sua dedução.

 

Não cabe assim,  vestir – lhe um terno de aceitação

Ele está pronto para a festa em que for convidado a dançar

Seja lá, quem for lhe interpretar.
371

Com ciúme do vento.



 

Esse vento constante

De certa forma desrespeitoso

Afaga os teus cabelos sem a tua permissão

E me deixa com ciúmes.

 

Esse vento insistente 

De certo contente

Pois te toca e acompanha

Dia após dia:

Diariamente.

 

Enquanto isso eu faço contraponto, longe de ti

Na fronteira do outro lado da cidade

Solitário, mas vigilante a intervir

 

Sopro brisa de amor contrária

Pra embalar teu sono e proteger

Em oposição a esse vento inapropriado

Que insiste em te tocar.

 

Pra quem sabe, ele ir embora

E você voltar a caminhar

Sem ser incomodada

Na orla que adora ver você amanhecer.
325

No Banco da praça.





 

A noite na praça

Enquanto jovens dançam

Idosos se observam

E o pipoqueiro faz seu trabalho

O ar é bucólico

E o diálogo é leve e descontraído.

 

Assim como os teus passos tímidos

Ao entrar no café

Pra pedir ao tempo que espere a vontade passar

E possa servir uma xícara com afeto e boa companhia.

 

Sem a pressa do ponteiro do relógio

Não me incomoda a tua despedida

 

Sei que o tempo as vezes morre,

Mas o teu sorriso, é vida.

395

Lembrete para a vida.

Para o caso de você esquecer

Devo te lembrar:

Que não me esqueço de você.

 

Então não esqueça,

Que não esqueço de você.

 

E com isso lembrar sempre, de nunca esquecer

Que sempre vou lembrar de você.

 

Vou lembrar inclusive, quando de você eu esquecer...
364

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
Prestes e Silva

Encantada.