André Medeiros

André Medeiros

n. 1967 BR BR

n. 1967-10-22

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A Rosa Amarela do deserto.



 

Fui na feira comprar flores pra ela

Ela queria uma rosa do deserto amarela

O feirante não tinha a rara flor

Pra não desagradar a minha bela

Trouxe na sacola todo o deserto pra ela.

 
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Poemas

29

O Presente e o Propósito.

Ela trouxe um presente de despedida

Era dia da partida, de adiar

Envelhecer é abdicar do tempo

Viver sem machucar

Andar sem se ferir

Ao desembrulhar, agradeci

E tive cuidado ao me despedir.

Com o propósito de amar.
185

A Má Água ( Mágoa )



 

Coe o seu pensamento

Não perdoar adoece

Água parada no peito

É lago sujeito a infecção

De quem conserva mágoa

Na represa do seu coração.

158

A Arte de amar as diferenças.



 

As vezes somente de olhos fechados enxergamos um caminho

Que ainda não estamos prontos para ver

Surdos, ouvimos sons silenciosos, tentando compreender

Qual a hora de colher o amor proposto, no jardim da confiança

Que sem percebermos, por baixo da mágoa, voltou a florescer.

 


 
171

Nós e os outros.



 Pessoas gostam de ouvir que estão certas

Abolir o ódio é aprender a amar de novo

Encontrar um novo sentido e resgatar as amizades perdidas.

 

Perdoar é esquecer como nunca houvesse acontecido

Livrar – se das algemas da culpa

Porque as vezes a culpa é do mundo.

 

Tudo está diferente, embora óbvio como sempre.

Toda dor é uma oportunidade

De recuperar a humanidade.

 

Você não sabe, mas acredita.

O que importa é como tratamos uns aos outros

Aí mora o sentido da vida.

 
152

Os Não - Namorados.

Repara no tempo
No galho, a folha solta que cai, distraída
Tem seu motivo
Sua rota definida.

Os Não – Namorados, não namoram
Eles se observam e conservam
O Amor que não podem abraçar.

E o sentimento guardado que eles deixaram
Na gaveta da espera
Adormecido pra não incomodar, quieto pra não esquecer
Um dia talvez servirá para lembrar
Que no futuro possa lhes querer.
139

Uma Canção.



 

Queria fazer uma canção pra ela

Mas não sei tocar um instrumento

Então pra mostrar meu sentimento

Cantei pra ela o silêncio.
185

A Jornada.

Ela repara no tempo que descortina
As janelas se abrem para o nascer do sol
E embora aflita ela borde sapatinhos
E tenha receio do amanhã
A certeza de que tudo dará certo
Já está fecundado no caroço da maçã, que depura.

Então ela percebe:
Que toda jornada de dor
Também é uma jornada de cura.
218

Um Coração Manso.



 À Medida que caminhas

Distinguindo a fantasia

Tu saltas e te iluminas

Enxergando o que não vias.


No apêndice da ignorância

No tempo da intolerância

Esgotada a paciência

Ainda que tamanha a distância, aprenderás:

- Que mesmo não se dando conta

O Amor sempre esteve lá.
153

Poeminha.

Sem o teu sorriso

Nada faz sentido

Nem o carnaval

Nem um retiro

 

Sem o teu sorriso

Não há motivo

Pra ser feliz

Pra ter destino.

 

Sem o teu sorriso

Não há nada

Nem tudo isso.
178

O Nada e o Nunca.

O Nunca se encontrou com o Nada para conversar.

 

Em meio a um silencio absoluto o Nada indagou: porque a gente nunca termina o que começa, sempre ficamos no meio do caminho?

 

O Nunca respondeu: Talvez seja egoísmo, difícil abrirmos mão dos nossos pontos de vista definidos.

 

- Você nunca aceita mudar

- Eu nada faço para aceitar.

 

- E o que faremos com isso?

 

-  Precisamos aprender a amar.
162

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Prestes e Silva

Encantada.