As vezes somente de olhos fechados enxergamos um caminho
Que ainda não estamos prontos para ver
Surdos, ouvimos sons silenciosos, tentando compreender
Qual a hora de colher o amor proposto, no jardim da confiança
Que sem percebermos, por baixo da mágoa, voltou a florescer.
171
Nós e os outros.
Pessoas gostam de ouvir que estão certas
Abolir o ódio é aprender a amar de novo
Encontrar um novo sentido e resgatar as amizades perdidas.
Perdoar é esquecer como nunca houvesse acontecido
Livrar – se das algemas da culpa
Porque as vezes a culpa é do mundo.
Tudo está diferente, embora óbvio como sempre.
Toda dor é uma oportunidade
De recuperar a humanidade.
Você não sabe, mas acredita.
O que importa é como tratamos uns aos outros
Aí mora o sentido da vida.
152
Os Não - Namorados.
Repara no tempo No galho, a folha solta que cai, distraída Tem seu motivo Sua rota definida.
Os Não – Namorados, não namoram Eles se observam e conservam O Amor que não podem abraçar.
E o sentimento guardado que eles deixaram Na gaveta da espera Adormecido pra não incomodar, quieto pra não esquecer Um dia talvez servirá para lembrar Que no futuro possa lhes querer.
139
Uma Canção.
Queria fazer uma canção pra ela
Mas não sei tocar um instrumento
Então pra mostrar meu sentimento
Cantei pra ela o silêncio.
185
A Jornada.
Ela repara no tempo que descortina As janelas se abrem para o nascer do sol E embora aflita ela borde sapatinhos E tenha receio do amanhã A certeza de que tudo dará certo Já está fecundado no caroço da maçã, que depura.
Então ela percebe: Que toda jornada de dor Também é uma jornada de cura.
218
Um Coração Manso.
À Medida que caminhas
Distinguindo a fantasia
Tu saltas e te iluminas
Enxergando o que não vias.
No apêndice da ignorância
No tempo da intolerância
Esgotada a paciência
Ainda que tamanha a distância, aprenderás:
- Que mesmo não se dando conta
O Amor sempre esteve lá.
153
Poeminha.
Sem o teu sorriso
Nada faz sentido
Nem o carnaval
Nem um retiro
Sem o teu sorriso
Não há motivo
Pra ser feliz
Pra ter destino.
Sem o teu sorriso
Não há nada
Nem tudo isso.
178
O Nada e o Nunca.
O Nunca se encontrou com o Nada para conversar.
Em meio a um silencio absoluto o Nada indagou: porque a gente nunca termina o que começa, sempre ficamos no meio do caminho?
O Nunca respondeu: Talvez seja egoísmo, difícil abrirmos mão dos nossos pontos de vista definidos.