Injusto deserto...
Nesse injusto deserto
onde não há flor, nem cor
meu pensamento transborda
e tudo me fala de ti...
Nesse injusto deserto
não há brisa, nem toque
nem reflorir dos sonhos
que já foram imensidão...
Nesse injusto deserto
nessas horas longas
queria adormecer a saudade
e voltar a sorrir...
(ania)
Insana noite...
Insana noite onde as palavras ficaram
dançando e explodindo
em mim...
Insana noite onde as palavras decretaram
a tua ausência
e do nosso amor, o fim!
(ania)
Meu toque...
Sempre que o meu pensamento,
por entre rios e montanhas,
em sonhos te toca,
uma estrela pelo céu rodopia...
então, amor...olha para o céu
sempre que uma estrelinha dançar,
sou eu a te afagar,
sou eu, por ti, a suspirar...
(ania)
Solidão...
Sou como um barco solitário,
as águas a singrar,
perdido, a esmo, a marear....
...e a solidão povoa meus dias
nem Beethoven, na vitrola a tocar,
consegue tua ausência, disfarçar...
Sou como um barco à deriva,
os mares a cruzar,
abandonado, sem rumo, a vagar...
(ania)
Gosto do mar...(soneto)
Gosto do mar e da sua imensidão,
das ondas que fustigam os rochedos,
das águas que guardam tantos segredos,
segredos que as ondas não contarão...
Gosto do mar à noite, na escuridão
fremindo, bradando, sem culpa ou medo,
gosto do mar pelas manhãs, bem cedo,
das águas tocando a areia, a emoção...
Gosto do mar e do voo das gaivotas,
do céu sobre as águas refletido,
do azul, as vezes de verde, colorido...
Gosto até da saudade que em mim brota
quando na beira do mar ia contigo,
aconchegada em teus braços abrigo!
(ania)
Final de tarde...(soneto)
Final de tarde, até o mar se cala
diante da tristura, nada mais regala
o coração da moça na janela
ao lembrar do sonho que ainda anela...
Olhar perdido, a solidão apunhala
o pranto surge e os sonhos despetala
um a um, e a moça não é mais aquela
que acreditava em amores de novela...
Sem alarde, chora ela calada
vencida pela dor e comoção
olhando o mar na noite estrelada...
Lágrimas descem a face já marcada
pela magoa e a cruel decepção:
não há mais sonhos nem contos de fada...
(ania)
Paralelas...(soneto)
Duas paralelas são nossos caminhos
pelo destino,há muito marcado
por elas seguimos lado a lado
na mesma direção,mas sozinhos...
Não há o que mudar,assim é a vida
ao nascer o destino já vem traçado
nos primórdios foi determinado
que seguiríamos linhas já aferidas...
Oxalá pudessemos os traços mudar
as linhas trocar,todas inverter
as paralelas iriam se encontrar...
Palmilharíamos então, a mesma estrada
juntos, sem nada para nos deter,
cantando, seguiriamos de mãos dadas...
(ania)
Retorno...(soneto)
Dias longos, longe de ti, dias infinitos
o vento constante eu seguia da sacada,
olhar ao longe, tristonha, acabrunhada
lembrando de dias passados, tão bonitos...
A noite descia como um sombrio, negro véu
parecia imensa, silenciosa em seu negror
a solidão, espuma sufocante em plangor,
perturbava e envolvia descendo dos céus...
A saudade angustiante cortava, feria
nada fazia sentido nem consolava,
nestes dias infindos, só a dor imperava...
Pelo término do exílio, aos céus pedia
E Deus, em sua infinita bondade, atendeu
me trazendo de volta para os beijos teus...
(ania)
(Ouvindo I will return - Andre Matos)
https://www.youtube.com/watch?v=kuQATAH7RKs
Rebuliços em mim...(soneto)
Há um rufar de asas, um rebuliço,
uma sensação, um estremecimento
na alma, na pele um arrepiamento,
como um louco e estranho feitiço...
Há uma efervescência, uma ebulição,
um mar em tumulto, um alagamento,
uma algazarra em meus sentimentos,
no peito um abalo, uma comoção...
O que me acontece, nao sei explicar,
parece não ser, mas é caso sério
o tanto que me abalas com teu versar...
Por dentro, são borboletas a bailar
difícil será desvendar o mistério
desse poder que tens de me rebuliçar...
(ania)
Ecos da solidão...
...e quando com teus silêncios
minh'alma decorei
(e foram tantos e tão doridos
e tão profundos os teus silêncios)
que de brumas e breus me vesti
e em nostalgias então, me recolhi...
...e a solidão ecoou, ressou, gritou
e em mil sons, explodiu em mim...
...e foi então que em prantos,
mágoa e desespero constatei
que apesar da tua indiferença,
do teu cruel desprezo
ainda assim,
de ti não esqueci...
(ania)
(Ouvindo It's Hard To Say Goodbye - Michael Ortega)
https://www.youtube.com/watch?v=8H-tqxdUc5Q
Obrigado pelas palavras. em relação as suas poesias não posso nem descrever, me faltariam palavras. simplesmente inspiradoras e fonte de reflexão de sentimentos... continuarei te lendo, Parabéns.
Suas poesias são um mosaico belo de palavras e sentimentos. Parabéns
Você é uma grande poetiza, parabéns Ania!!! Eu também escrevo para ocupar uma lacuna em minha vida! Isso me ajudou muito à combater a solidão. Hoje sou um simples Jeca Tatu e crio algumas palavras afim de deixar leve a minha vida e a vida de alguns!!!Abraço!!!
UM CORAÇÃO TÃO BELO A SOFRER... DÓI NO CORAÇÃO DO POETA TAMBÉM... PELA POESIA... SALUDOS, ALKAS POETRY
Belo poema. Parabéns.
Querida Ania..Consigo viajar nas asas das suas poesias e seus poemas... Creio que um dos maiores objetivos da poesia é poder fazer as pessoas viajarem, sem se quer sair do lugar. Parabéns
Poema maravilhoso, parabéns poetisa!
boa poesia
grande poesia,boa,e criativa
A tua escrita é tocante. Tu dominas tão bem a arte de escrever que, em teus belos versos, consegues fazer o leitor transcender a uma outra realidade. Tu nos faz viajar em tuas belas palavras.
voce escreve bem,uma verdadeira poeta
Somos e vivemos disfarçados, é cômodo conviver com a inverdade