ania_lepp

ania_lepp

n. 1972 BR BR

"...escrever é a minha maneira de preencher um pouco do meu vazio... um jeito que encontrei de não me sentir tão só...não sou poeta, sou solidão... (ania)

n. 1972-12-01, Porto Alegre

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Tristura...(soneto)


Noite escura tenebrosa, o medo
a penetrar por dentro, corroendo,
o vento forte, as ondas se debatendo
insanas, de encontro aos rochedos...

Sozinha, vou em frente, não retrocedo
diante da tempestade enfurecendo,
continuo, pés descalços, chorando,
meu pranto para o mar não é segredo...

Cabelos pelo vento embaraçados,
um cansaço que consome e perdura,
uma saudade que dói e amargura...

Sigo, coração abatido, alquebrado,
alma envolta em pesar e tristura,
fantasma do dissabor e da loucura...
(ania)
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Poemas

24

Injusto deserto...

Nesse injusto deserto
onde não há flor, nem cor
meu pensamento transborda
e tudo me fala de ti...

Nesse injusto deserto
não há brisa, nem toque
nem reflorir dos sonhos
que já foram imensidão...

Nesse injusto deserto
nessas horas longas
queria adormecer a saudade
e voltar a sorrir...
(ania)
409

Insana noite...

Insana noite onde as palavras ficaram
dançando e explodindo
em mim...

Insana noite onde as palavras decretaram
a tua ausência
e do nosso amor, o fim!
(ania)
339

Meu toque...

Sempre que o meu pensamento,
por entre rios e montanhas,
em sonhos te toca,
uma estrela pelo céu rodopia...

então, amor...olha para o céu
sempre que uma estrelinha dançar,
sou eu a te afagar,
sou eu, por ti, a suspirar...
(ania)
1 871

Solidão...

Sou como um barco solitário,
as águas a singrar,
perdido, a esmo, a marear....

...e a solidão povoa meus dias
nem Beethoven, na vitrola a tocar,
consegue tua ausência, disfarçar...

Sou como um barco à deriva,
os mares a cruzar,
abandonado, sem rumo, a vagar...
(ania)
428

Gosto do mar...(soneto)

Gosto do mar e da sua imensidão,
das ondas que fustigam os rochedos,
das águas que guardam tantos segredos,
segredos que as ondas não contarão...

Gosto do mar à noite, na escuridão
fremindo, bradando, sem culpa ou medo,
gosto do mar pelas manhãs, bem cedo,
das águas tocando a areia, a emoção...

Gosto do mar e do voo das gaivotas,
do céu sobre as águas refletido,
do azul, as vezes de verde, colorido...

Gosto até da saudade que em mim brota
quando na beira do mar ia contigo,
aconchegada em teus braços abrigo!
(ania)
362

Final de tarde...(soneto)

Final de tarde, até o mar se cala
diante da tristura, nada mais regala
o coração da moça na janela
ao lembrar do sonho que ainda anela...

Olhar perdido, a solidão apunhala
o pranto surge e os sonhos despetala
um a um, e a moça não é mais aquela
que acreditava em amores de novela...

Sem alarde, chora ela calada
vencida pela dor e comoção
olhando o mar na noite estrelada...

Lágrimas descem a face já marcada
pela magoa e a cruel decepção:
não há mais sonhos nem contos de fada...
(ania)
401

Paralelas...(soneto)

Duas paralelas são nossos caminhos
pelo destino,há muito marcado
por elas seguimos lado a lado
na mesma direção,mas sozinhos...

Não há o que mudar,assim é a vida
ao nascer o destino já vem traçado
nos primórdios foi determinado
que seguiríamos linhas já aferidas...

Oxalá pudessemos os traços mudar
as linhas trocar,todas inverter
as paralelas iriam se encontrar...

Palmilharíamos então, a mesma estrada
juntos, sem nada para nos deter,
cantando, seguiriamos de mãos dadas...
(ania)
362

Retorno...(soneto)

Dias longos, longe de ti, dias infinitos
o vento constante eu seguia da sacada,
olhar ao longe, tristonha, acabrunhada
lembrando de dias passados, tão bonitos...

A noite descia como um sombrio, negro véu
parecia imensa, silenciosa em seu negror
a solidão, espuma sufocante em plangor,
perturbava e envolvia descendo dos céus...

A saudade angustiante cortava, feria
nada fazia sentido nem consolava,
nestes dias infindos, só a dor imperava...

Pelo término do exílio, aos céus pedia
E Deus, em sua infinita bondade, atendeu
me trazendo de volta para os beijos teus...
(ania)

(Ouvindo I will return - Andre Matos)
https://www.youtube.com/watch?v=kuQATAH7RKs
407

Rebuliços em mim...(soneto)

Há um rufar de asas, um rebuliço,
uma sensação, um estremecimento
na alma, na pele um arrepiamento,
como um louco e estranho feitiço...

Há uma efervescência, uma ebulição,
um mar em tumulto, um alagamento,
uma algazarra em meus sentimentos,
no peito um abalo, uma comoção...

O que me acontece, nao sei explicar,
parece não ser, mas é caso sério
o tanto que me abalas com teu versar...

Por dentro, são borboletas a bailar
difícil será desvendar o mistério
desse poder que tens de me rebuliçar...
(ania)
343

Ecos da solidão...

...e quando com teus silêncios
minh'alma decorei

(e foram tantos e tão doridos
e tão profundos os teus silêncios)

que de brumas e breus me vesti
e em nostalgias então, me recolhi...

...e a solidão ecoou, ressou, gritou
e em mil sons, explodiu em mim...

...e foi então que em prantos,
mágoa e desespero constatei
que apesar da tua indiferença,
do teu cruel desprezo
ainda assim,
de ti não esqueci...
(ania)

(Ouvindo It's Hard To Say Goodbye - Michael Ortega)
https://www.youtube.com/watch?v=8H-tqxdUc5Q
420

Comentários (17)

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amei
amei

amei parbéns

jrodrigues

Escrita muito própria, singela mas ao mesmo tempo profunda

Parabéns, gostei de ler!

devoto

Ania quero de coração agradecer tuas palavras em minha humilde pagina. Você esta entre as grandes estrelas da poesia Brasileira. Parabéns!

A dor é um dos melhores combustíveis para os que escrevem, não podemos dizer o mesmo para a felicidade, mas, faz parte da vida. Espero que a solidão não resuma a sua existência, seja apenas um ensinamento assimilável com o tempo, ainda que demore um pouco. Felicidades