ania_lepp

ania_lepp

n. 1972 BR BR

"...escrever é a minha maneira de preencher um pouco do meu vazio... um jeito que encontrei de não me sentir tão só...não sou poeta, sou solidão... (ania)

n. 1972-12-01, Porto Alegre

Perfil
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Tristura...(soneto)


Noite escura tenebrosa, o medo
a penetrar por dentro, corroendo,
o vento forte, as ondas se debatendo
insanas, de encontro aos rochedos...

Sozinha, vou em frente, não retrocedo
diante da tempestade enfurecendo,
continuo, pés descalços, chorando,
meu pranto para o mar não é segredo...

Cabelos pelo vento embaraçados,
um cansaço que consome e perdura,
uma saudade que dói e amargura...

Sigo, coração abatido, alquebrado,
alma envolta em pesar e tristura,
fantasma do dissabor e da loucura...
(ania)
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Poemas

151

Linha invisivel...(soneto)

Sinto-me estranha, vazia, abstinente,
um frio intangível a me torturar,
instando-me a não seguir, tudo largar,
conspirando, meio obscuro, aferente...

Nos recessos sombrios da minha mente,
a sensação de um inominável pesar,
com tantos dias solitários a encarar,
descompassando, me deixando dormente...

Essa passagem do tempo nos meus planos,
esse acúmulo silencioso dos anos
de solidão, como teias a envolver...

Essa angustia no meu cotidiano,
dessa tua ausência, jeito cigano,
linha invisivel que ainda hei de romper...
(ania)

(Ouvindo Bring Me To Life - Evanescence)
https://www.youtube.com/watch?v=5E-N8RSWwqU
414

Plenitude...(Soneto)

Quero o florir e o reflorir da magia
de instantes, sempre no hoje, no agora,
no momento atual...por dentro, por fora,
das coisas tangíveis, sensíveis, a euforia...

Quero a surpresa do sussurro e a alegria
do frêmito no corpo e que na pele aflora
e que se espalha e que na alma ancora
e que incendeia, explode...se faz sinfonia...

Quero o que ainda não me permiti, o devaneio
do oculto, o vibrar do espanto no grito,
quero do acontecer o pleno, o cheio...

Quero sem pressa a emoção do anseio,
sem medidas, sem mistérios no rito,
quero a descoberta do que ainda não veio!
(ania)
522

Toques meus...


Quando todo o resto
de mim,
em ti fenecer,
por certo,
apesar de tudo,
sentirás na brisa
que te afaga,
leves toques meus...

Toques que te trarão,
ainda que não queiras,
lembranças de um tempo
de vinho e rosas,
um tempo de beijos,
risos e festas,
onde, mesmo sem querer,
foste muito feliz!
(ania)
394

Em silêncio...(soneto)


Tudo tão quieto...tudo tão parado
Nem lua, nem estrelas no firmamento
Tudo escuro...tudo paralisado
Nenhuma brisa...nem vento em alento...

Nenhum rumor...tudo imóvel...calado
Lá fora no breu, nenhum movimento,
Até os sapos parecem hipnotizados
Silenciaram...não coaxam mais seu acalento...

Do mar, nenhum rugido...nenhum bramido
Tudo estagnado...nem das ondas o bailar
E dos pirilampos, nem o doce esvoaçar...

Nem meu coração, nessa noite, faz ruído
Agoniado, saudoso de ti, a recordar
Em tributo...fica em silêncio, a chorar...
(ania)
439

Como te falar de amor...(soneto)


Como poderia te falar de amor
se não tenho como me comunicar,
se as palavras precisam se calar,
camuflando do sentimento o ardor?

Como poderia te falar de amor
se me foi proibido demonstrar,
se até o pouco tive que mascarar,
diluindo do que sentia, o calor?

Como poderia te falar de amor
se nem o vento deve compactuar
e minhas palavras se nega levar?

Como te falar de paixão e de amor
se as portas todas te dispôs a fechar,
se nem nos teus sonhos, me deixas entrar?
(ania)
412

Tudo tão definitivo...(soneto)


Nos ponteiros do tempo os dias avançam
e a vida vai seguindo sem nexo, vazia,
sem vislumbres de querenças, nem alegrias,
nesse caminho só tristezas me alcançam...

Não há som nem das folhas que balançam,
dos pirilampos nem brilho, nem fantasia,
sigo só rumo a perpétua calmaria
onde nem as ilusões, nem os sonhos, dançam...

Não há vestigios de risos, nem sinfonias
só a aridez de um frio e rude deserto
e um céu de plúmbeas nuvens, coberto...

Nada mais há, só um seguir que se abrevia,
a cada passo o final chega mais perto,
tudo tão definitivo, tudo tão certo...
(ania)
508

Acalentando sonhos...


Sigo pela vida
Rezando novenas,
Tecendo as cordas do pensar,
Acalentando sonhos,
Guardados no jogo da memória...
Percorrendo caminhos,
Seguindo trilhas,
Cruzando mares...
Todos os meus passos,
Seguem teus rastros,
Esperando, na curva do amanhecer,
Com o lume do bem querer,
Finalmente, te encontrar!
(ania)

(Ouvindo Love in Dreams)
https://www.youtube.com/watch?v=649frOh-ISg
403

...de um jeito só meu...


...e se eu, sussurrasse teu nome,
de um jeito só meu,
um jeito que só tu
reconhecerias...
de um jeito que até o vento, em reverência,
silenciaria...
ah...amor...eu sei que teu coração,
mesmo além montanhas,
meus sussurros ouviria...
e de amor,
em resposta, também
meu nome...
...sussurraria...
(ania)
387

Sonhos dispersos...


De tudo
Nada mais restou
Nem toque, nem verso
só sonhos, no vento,
dispersos...
(ania)
368

Nem o blues consola...(soneto)


É noite...só escuridão mais nada,
os pirilampos em sua rotina
de iluminar a noite não estrelada,
dançam, procurando a lua bailarina...

É noite...se arrasta a madrugada
pela janela esvoaça a cortina,
o pensamento flutua...divaga
e a solidão vem, aperta e alucina...

No quarto o som do blues na vitrola
na memória, réstias de um passado
feliz...lembrança que me assola...

A lágrima surgue quieta e rola
o peito, pela saudade, apertado
nem o blues, nessa noite, consola...
(ania)

(Ouvindo Turn me on - Norah Jones)
https://youtu.be/UUbqn9d4fj0
401

Comentários (17)

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amei
amei

amei parbéns

jrodrigues

Escrita muito própria, singela mas ao mesmo tempo profunda

Parabéns, gostei de ler!

devoto

Ania quero de coração agradecer tuas palavras em minha humilde pagina. Você esta entre as grandes estrelas da poesia Brasileira. Parabéns!

A dor é um dos melhores combustíveis para os que escrevem, não podemos dizer o mesmo para a felicidade, mas, faz parte da vida. Espero que a solidão não resuma a sua existência, seja apenas um ensinamento assimilável com o tempo, ainda que demore um pouco. Felicidades