Nem o blues consola...(soneto)
É noite...só escuridão mais nada,
os pirilampos em sua rotina
de iluminar a noite não estrelada,
dançam, procurando a lua bailarina...
É noite...se arrasta a madrugada
pela janela esvoaça a cortina,
o pensamento flutua...divaga
e a solidão vem, aperta e alucina...
No quarto o som do blues na vitrola
na memória, réstias de um passado
feliz...lembrança que me assola...
A lágrima surgue quieta e rola
o peito, pela saudade, apertado
nem o blues, nessa noite, consola...
(ania)
(Ouvindo Turn me on - Norah Jones)
https://youtu.be/UUbqn9d4fj0
Sonhos dispersos...
De tudo
Nada mais restou
Nem toque, nem verso
só sonhos, no vento,
dispersos...
(ania)
Em silêncio...(soneto)
Tudo tão quieto...tudo tão parado
Nem lua, nem estrelas no firmamento
Tudo escuro...tudo paralisado
Nenhuma brisa...nem vento em alento...
Nenhum rumor...tudo imóvel...calado
Lá fora no breu, nenhum movimento,
Até os sapos parecem hipnotizados
Silenciaram...não coaxam mais seu acalento...
Do mar, nenhum rugido...nenhum bramido
Tudo estagnado...nem das ondas o bailar
E dos pirilampos, nem o doce esvoaçar...
Nem meu coração, nessa noite, faz ruído
Agoniado, saudoso de ti, a recordar
Em tributo...fica em silêncio, a chorar...
(ania)
Acalentando sonhos...
Sigo pela vida
Rezando novenas,
Tecendo as cordas do pensar,
Acalentando sonhos,
Guardados no jogo da memória...
Percorrendo caminhos,
Seguindo trilhas,
Cruzando mares...
Todos os meus passos,
Seguem teus rastros,
Esperando, na curva do amanhecer,
Com o lume do bem querer,
Finalmente, te encontrar!
(ania)
(Ouvindo Love in Dreams)
https://www.youtube.com/watch?v=649frOh-ISg
Todas as manhãs...
Todas as manhãs,
vestida de poesias,
ela trilha estradas
a procura de sorrisos,
de mãos, de acenos
e sonha...
Todas as manhãs,
ela em pensamentos,
em esperanças se envolve
e devaneia...
Cria asas, voa,
flutua...
Todas as noites,
ela sepulta os sonhos
e adormece a chorar,
mas todas as manhãs,
ela, novamente,
volta a sonhar...
(ania)
(Ouvindo Magic Dreams - Stephen Schlaks)
https://youtu.be/hOdIQimupSg
...e se eu partir? (soneto)
E se eu me for e de brumas me vestir
e partir na noite, trilhando distâncias,
me transformar em milhas e em frente ir,
seguindo sob qualquer circunstância?
E se eu me for sem mesmo permitir
um beijo nem gesto em concordância,
e com o olhar no além, somente seguir
em frente, chorando, mas com elegância?
E se depois de algum tempo, a nostalgia
se fizer presente e no som do vento
tu ouvires minha voz em teu pensamento?
Mesmo não vendo ninguém, a tua poesia
me trará, e tu te sentirás tão só
que chorarás por ti...chorarás por nós...
(ania)
(Ouvindo Requiem for a dream)
https://www.youtube.com/watch?v=ZnszLJOIMPU
Plenitude...(Soneto)
Quero o florir e o reflorir da magia
de instantes, sempre no hoje, no agora,
no momento atual...por dentro, por fora,
das coisas tangíveis, sensíveis, a euforia...
Quero a surpresa do sussurro e a alegria
do frêmito no corpo e que na pele aflora
e que se espalha e que na alma ancora
e que incendeia, explode...se faz sinfonia...
Quero o que ainda não me permiti, o devaneio
do oculto, o vibrar do espanto no grito,
quero do acontecer o pleno, o cheio...
Quero sem pressa a emoção do anseio,
sem medidas, sem mistérios no rito,
quero a descoberta do que ainda não veio!
(ania)
...de um jeito só meu...
...e se eu, sussurrasse teu nome,
de um jeito só meu,
um jeito que só tu
reconhecerias...
de um jeito que até o vento, em reverência,
silenciaria...
ah...amor...eu sei que teu coração,
mesmo além montanhas,
meus sussurros ouviria...
e de amor,
em resposta, também
meu nome...
...sussurraria...
(ania)
Como te falar de amor...(soneto)
Como poderia te falar de amor
se não tenho como me comunicar,
se as palavras precisam se calar,
camuflando do sentimento o ardor?
Como poderia te falar de amor
se me foi proibido demonstrar,
se até o pouco tive que mascarar,
diluindo do que sentia, o calor?
Como poderia te falar de amor
se nem o vento deve compactuar
e minhas palavras se nega levar?
Como te falar de paixão e de amor
se as portas todas te dispôs a fechar,
se nem nos teus sonhos, me deixas entrar?
(ania)
Tudo tão definitivo...(soneto)
Nos ponteiros do tempo os dias avançam
e a vida vai seguindo sem nexo, vazia,
sem vislumbres de querenças, nem alegrias,
nesse caminho só tristezas me alcançam...
Não há som nem das folhas que balançam,
dos pirilampos nem brilho, nem fantasia,
sigo só rumo a perpétua calmaria
onde nem as ilusões, nem os sonhos, dançam...
Não há vestigios de risos, nem sinfonias
só a aridez de um frio e rude deserto
e um céu de plúmbeas nuvens, coberto...
Nada mais há, só um seguir que se abrevia,
a cada passo o final chega mais perto,
tudo tão definitivo, tudo tão certo...
(ania)
Obrigado pelas palavras. em relação as suas poesias não posso nem descrever, me faltariam palavras. simplesmente inspiradoras e fonte de reflexão de sentimentos... continuarei te lendo, Parabéns.
Suas poesias são um mosaico belo de palavras e sentimentos. Parabéns
Você é uma grande poetiza, parabéns Ania!!! Eu também escrevo para ocupar uma lacuna em minha vida! Isso me ajudou muito à combater a solidão. Hoje sou um simples Jeca Tatu e crio algumas palavras afim de deixar leve a minha vida e a vida de alguns!!!Abraço!!!
UM CORAÇÃO TÃO BELO A SOFRER... DÓI NO CORAÇÃO DO POETA TAMBÉM... PELA POESIA... SALUDOS, ALKAS POETRY
Belo poema. Parabéns.
Querida Ania..Consigo viajar nas asas das suas poesias e seus poemas... Creio que um dos maiores objetivos da poesia é poder fazer as pessoas viajarem, sem se quer sair do lugar. Parabéns
Poema maravilhoso, parabéns poetisa!
boa poesia
grande poesia,boa,e criativa
A tua escrita é tocante. Tu dominas tão bem a arte de escrever que, em teus belos versos, consegues fazer o leitor transcender a uma outra realidade. Tu nos faz viajar em tuas belas palavras.
voce escreve bem,uma verdadeira poeta
Somos e vivemos disfarçados, é cômodo conviver com a inverdade