ania_lepp

ania_lepp

n. 1972 BR BR

"...escrever é a minha maneira de preencher um pouco do meu vazio... um jeito que encontrei de não me sentir tão só...não sou poeta, sou solidão... (ania)

n. 1972-12-01, Porto Alegre

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Tristura...(soneto)


Noite escura tenebrosa, o medo
a penetrar por dentro, corroendo,
o vento forte, as ondas se debatendo
insanas, de encontro aos rochedos...

Sozinha, vou em frente, não retrocedo
diante da tempestade enfurecendo,
continuo, pés descalços, chorando,
meu pranto para o mar não é segredo...

Cabelos pelo vento embaraçados,
um cansaço que consome e perdura,
uma saudade que dói e amargura...

Sigo, coração abatido, alquebrado,
alma envolta em pesar e tristura,
fantasma do dissabor e da loucura...
(ania)
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Poemas

151

Quantas vezes mais? (Soneto)

Será que somente a mim pertence
essa sinistra e maldita sina
que me atormenta e me desatina,
ou essa mágoa, mais alguém sente?

Quantas e quantas vezes mais ainda,
essa saudade que aos poucos destrói
que no coração e na alma tanto dói,
sentirei? será que nunca finda?

Quantas vezes a alma destroçada,
em diversos pedaços rasgada,
em frangalhos destruída, ainda terei?

Quantas vezes mais esse insano desfio,
esse corroer, esse puir fio por fio
em minh'alma, em meus traços, suportarei?
(ania)
718

Me leva contigo...(soneto)


Vem, pega na minha mão, me leva agora,
vamos em frente, sem para trás olhar,
me mostra o caminho, me faz continuar
pela estrada, preciso ir embora...

Vem, me leva daqui, é chegada a hora
dos velhos ranços no passado deixar,
enxotar os fantasmas, elos quebrar,
com você, mãos dadas, mundo afora...

Pega na minha mão, traz teu sorriso,
seca a minha lágrima, me abraça,
me olha nos olhos, é disso que preciso....

Vem, repara, na solidão agonizo,
traz teu beijo e com ele me amordaça,
Vem, me toca, me faz perder o juizo...
(ania)
605

O brilho da lágrima...(soneto)

Amanheceu, densas nuvens cinzentas
percorrem o céu, impelidas pelo vento
que corre solto, como meu pensamento,
lembrando do passado que me acorrenta...

Ondas sem sossego batem nos rochedos,
salpicos do mar cintilam como prata,
esparramada pela areia que retrata
a minha solidão e os meus medos...

O gotejar da chuva sobre o telhado
e o louco vento bradando nas esquinas,
fustigando tudo, a todos alucina...

Recordações assomam, mas é tudo passado,
a lágrima então brilha, embaça a retina,
inundando minha alma ainda de menina...
(ania)

(Ouvindo You Will Never Know - Imany)
https://www.youtube.com/watch?v=-MqwO0J9-k0
553

Por que só agora, amor?



Por que tão tarde, tão somente agora

quando já não florescem pelos caminhos

as rosas dos meus sonhos de outrora

e a solidão em mim, já fez seu ninho...

Por que não vieste no surgir da aurora

quando os ventos não eram redemoinhos,

quando os ponteiros não somavam horas

e meus rastros eram flores, não espinhos...

Por que não vieste em meus dias risonhos

quando as noites eram prazer e sonhos

e o inverno era tão somente uma estação...

Por que meu amor, só no fim da jornada

quando da vida só resta a derrocada

e as primaveras já não me são mais canção...

(ania)

240

Um beijo...(soneto)


Um beijo. Tão delicadamente,
tu me pediste. Um beijo somente.
Motivos não tive para negar,
pois meu desejo, sim, era te beijar...

Assim, na noite morna, apaixonada,
num sopro como de asas delicadas,
num sutil e muito leve adejar,
um doce beijo te soprei a sonhar...

Numa viagem etérea, sublimada,
sobre rios e florestas encantadas,
seguiu o beijo pelos céus, a flutuar...

E num passe de magia enfeitiçada,
na noite morna e tão perfumada,
meu doce beijo em tua face, foi pousar...
(ania)
859

Digitais...(soneto)


Minha geografia em tuas mãos deixei
tuas digitais, em minha pele, tatuei
cada momento da nossa história,
cada traço teu, gravado na memória...

Teus versos em meu coração semeei
dia após dia, delicadamente, reguei
floriram instantes de êxtase, de glória
momentos grandiosos, do amor a vitória...

Hoje tudo é passado, é solidão
aturdida, sozinha, não me acostumo
Sigo tão triste, sem norte, sem chão...

Minha geografia já não tens em tuas mãos
teus versos já não são meus, tem outro rumo
já não te inspiro mais o coração...
(ania)

(Ouvindo Give me heart - Susie Suh)
https://youtu.be/yoweV3c4xqM
791

Pudesse eu...(soneto)


Ah, pudesse eu separar-me de mim,
sair  bem de mansinho corpo afora,
pisando leve, flutuando ir embora
como plumas ao vento, livre assim...

Liberta de tudo, sorrindo enfim,
dançando na chuva a qualquer hora,
sem compromissos, de mim senhora,
cantarolando, feliz pelos jardins...

Ah, pudesse eu esquecer o cansaço,
o tormento de viver por viver,
empurrando os dias mesmo sem poder...

Pudesse eu soltar esses elos de aço
num repente, todos grilhões romper
e a centelha dos sonhos reacender...
(ania)
765

Imensurável amor...


Enquanto o mar tece rendas pela areia,
meus olhos derramam saudades
na clausura das horas dessa solidão,
nas frias e lentas madrugadas...

Lentas madrugadas onde nada acontece
e nada mais existe, além dessa saudade tua...

Dolorida saudade tua...e como dói te perder...
e como te amei, e como ainda te amo...

...em mim, nada mais há, além desse amor,
imensurável amor que transcende o tempo...
(ania)
816

Canto de amor...

Ouço ao longe
Alguém a cantar...
São estrofes que murmuram
São bálsamos que acalantam
São movimentos a inebriar...
São versos cantados
Que lançam feitiços
Que anunciam segredos
Que falam em surpresas
De sonhos a realizar...
São cantos de vida
De primaveras em mim...
São notas musicais
Que sussurram docemente
E me fazem divagar...
São sons de magia
São afagos de ternura
São lindas sinfonias...
São cantigas de amor
Soltas pelo ar...
São pura poesia
Só prá me encantar...
(ania)
846

Quantas vezes ainda?

Será que mais alguém sente
essa dor dormente
ou só a mim pertence
essa sina
que me desatina
me amofina?

Quantas vezes ainda
essa dor infinda
será que nunca finda
essa saudade que dói
que o peito rói
e a alma destrói?

quantas vezes mais a alma destroçada
em frangalhos rasgada
em pedaços costurada...
sempre puida
quase destruida
e novamente cerzida?

quantas vezes mais esse desfio
até não sobrar mais fio
sobre fio?

Insano desafio...

...rasgos em mim,
me faz assim:

alma e traços
em pedaços,

mas sem fim!
(ania)

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Comentários (17)

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amei
amei

amei parbéns

jrodrigues

Escrita muito própria, singela mas ao mesmo tempo profunda

Parabéns, gostei de ler!

devoto

Ania quero de coração agradecer tuas palavras em minha humilde pagina. Você esta entre as grandes estrelas da poesia Brasileira. Parabéns!

A dor é um dos melhores combustíveis para os que escrevem, não podemos dizer o mesmo para a felicidade, mas, faz parte da vida. Espero que a solidão não resuma a sua existência, seja apenas um ensinamento assimilável com o tempo, ainda que demore um pouco. Felicidades