Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski

Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski

n. 1980 BR BR

Poetisa digital e popular. Moro em Rodeio, Médio Vale do Itajaí, Santa Catarina.O Médio Vale do Itajaí também é conhecido como Vale Europeu Catarinense.Todos os meus escritos de toda e qualquer natureza estão disponíveis gratuitamente.

n. 1980-05-30, Rio de Janeiro

Perfil
81 508 Visualizações

Sapucaia

É inverno, estamos em julho,

sem flor e nenhum fruto.

Enquanto a querida sapucaia 

repousa tranquila na praça,

O charme da minha mente 

anda roçando na tua barba.

 

A sua vibração anda fazendo 

do meu coração um coreto

em afinação para a festa, 

Avassaladoramente estou 

ocupando-te com intenção 

de ser amor e a tua paixão. 

 

Todo o dia a minha rebeldia 

em ti anda fazendo a poesia, 

e uma deliciosa revolução;

Tu não anda mais aceitando

por atração outra direção 

que não seja se entregar à sedução.

Ler poema completo

Poemas

47

Manduiranas

Com ancoragem nos efeitos

de primazia e de recências,

mesmo com ímpares contrastes,

com jeito e sem nenhum alarido,

manterei o fogo da paixão

aceso com toda disposição.

 

Se não for para contrariar

o que dizem ser coisa de novela,

ou o que só está escrito

nos livros de romance,

é melhor nem começar.

Em ti quero me enlaçar,

para nunca mais soltar,

e sei que partilha de igual pensar.

 

Baixo ao Hemisfério Austral,

florescem as manduiranas

no início do inverno junino.

A chuva e a escuridão,

trazidas pelo El Niño,

não afetarão o nosso destino.

 

Quando há o que é recíproco

e a vontade de dar certo,

não há o que se preocupar

se existe alguém interferindo;

e sim manter desejo vívido,

cultivar para viver o amor,

e eleger vê-lo sempre sorrindo.

10

Alecrim-do-campo

A tua plenitude existencial

provoca, infrene, a cobiça;

Ver toda a tua beleza física

plena, a minha fantasia atiça.

 

A reverência e a exaltação

tão queridas serão prestadas

quando nas nossas mãos forem entregues

as rédeas da inequívoca cumplicidade

com intensidade e verdade. 

 

Não é porque é Lua de Morango

que ilumina o Alecrim-do-campo,

Que estou de peito aberto revelando:

é porque sinto que estou me apaixonando.

 

 

8

Canela-sassafrás

Na tua madrugada 

surjo como galáxia,

A sua atenção trago

toda concentrada.

 

Balança a ventania 

a Canela-sassafrás,

A aurora em sintonia 

solene acompanha. 

 

O aroma das flores 

paira e aqui fica,

e de mim não desliga.

 

Trago o carinhoso 

sopro de harmonia,

paz, fé e amor para a sua vida.

6

Dilúculo da existência

Nasci orgulhosamente 

nesta terra austral,

Não nego que carrego 

na minha amorosa alma 

de tudo um pouco

das caravanas ancestrais: 

as bibliotecas perdidas 

e os percursos mais 

antigos da Rota da Seda.

 

Quando a tua alma gentil

encontrou e roçou na minha,

No dilúculo da existência,

percebi que eu comecei 

a ser realmente lida;

Senti, sem dificuldades,

que a gente se combina.

 

Na doce viração entre

a aurora matutina 

e a aurora vespertina,

passei a desejar fazer 

parte da sua vida linda;

E venho percebendo 

que tens cobiçado a fazer 

parte da minha vida,

Há sinais claro que 

somos, enfim, além da poesia.

2

Carqueja

Juro, com sutil engenho,

dos pés à cabeça,

pôr os teus poros unidos

aos meus, como quem

une torcidas organizadas

no mesmo estádio,

onde o grande gáudio

será, entre nós, o prazer

de amar sem arrefecer.

 

O prêmio do teu amor,

não tenho dúvida:

que ele me pertence

do amanhecer ao anoitecer.

E tu tens o meu pertencer

solene nas tuas mãos

com toda plenitude

e o romântico querer.

 

Com gentileza, flor e chá

de carqueja que o meu

amado avô me ensinou;

Decidi testar águas 

em versos para tocar

o seu coração como

ninguém jamais tocou:

Estou pronta para o jogo 

alto que nunca na vida 

ninguém jamais jogou.

5

Banho de São João de Corumbá e Ladário

O meu brio encontra o seu,

ambos pantaneiros,

concedidos pelo nosso Deus:

vivemos tempos alvissareiros.

 

Durante a descida dos andores,

todos com beleza adornados,

os corações batendo feito tambores

ao som do cururu, todos animados.

 

Com as mãos mergulhando

São João no Rio Paraguai,

eu de Corumbá e você de Ladário,

o meu coração apaixonado,

morando contigo lado a lado.

 

Contigo não tem sido diferente:

estamos morando um no outro,

ainda protegidos de toda a gente,

esperando o dia certo para anunciar 

que viveremos só de amor imparavelmente.

5

Araçá-rosa

O experimento mental e elegante,

acopla sutilmente o mútuo gradiente

à livre termodinâmica simplesmente.

 

De tudo o que induz ao anfoterismo,

reajustando os desejos às leis 

que regem o Universo e o destino,

porque sentimos de longe o caminho.

 

Sem largar mão da primeira atração 

do instante que nos conhecemos,

para a nossa implacável preservação.

 

Amar tem sido a decisão desde

o momento que nos vimos,

Como uma visão sem explicação 

embaladora para o coração. 

 

Tenho me visto sem cessar contigo 

como tivéssemos antes vivido 

a delicada florada do araçá-rosa 

em alguma encosta do litoral.

 

Se é poética alucinação, não sei,

se for de verdade, que o amor 

se torne lei universal e entre nós grei.

3

Itaúba

Amar a sua melhor versão e a pior,

e a sua versão que não conheço,

e, mesmo assim, querer continuar.

Porque em ti como eterna viajante,

não pretendo nenhum pouco parar,

mesmo nascendo diariamente.

 

A tua existência está a convidar,

por ela não tenho conseguido,

não me permito sossegar,

e nem pretendo jamais parar;

mesmo quando não for tempo

de itaúba em florescimento.

 

Não precisarei criar subterfúgios,

porque tua alma é feita de liberdade 

de ave assim como a minha,

Dos ruídos do mundo elegemos 

o que é o melhor porque fica;

sinto que o nosso dia se aproxima. 

 

Viver para os cânones da poesia 

não me causam empolgação,

simplesmente tocar o seu coração 

é a minha bonita obstinação,

Sonho inspirar os amores eternos 

que depois de nós dois virão.

6

Petúnias-nativas

Não te quero como dependente,

 

desejo-te como território livre,

 

tão livre que escolha ficar ou ir,

 

e que só possa morar o amor

 

até quando pensar em desistir.

 

 

 

Tal qual as petúnias-nativas

 

nas encostas serranas do sul a escalar,

 

e pelos campos de planalto

 

a me espalhar, pouco a pouco,

 

em ti tenho feito o meu lugar.

 

 

 

O solstício de inverno dança

 

hoje sobre o Hemisfério Celestial Sul,

 

Rendo-te a sagração inaugural,

 

por perceber a aproximação primal,

 

é inexplicável sentir pairar o inevitável.

 

 

 

Imparável diariamente tem sido

 

ler os olhos e os detalhes bonitos,

 

em todos tenho-me reconhecido,

 

e em vez de sentir inquietação:

 

sinto tudo muito mais tranquilo.

7

Willka Kuti

Olhar para o céu faz lembrar

que os pés estão presos à terra.

No Hemisfério Celestial Sul

é chegado o solstício de inverno,

e te habitar é o que mais quero.

 

Do meu território para o seu,

conhecer as rotas para habitar

na tua pele tem sido mistério.

Condor só voa com Condor,

e juntos ganham o universo.

 

O que é feminino e masculino

estão com as suas oferendas

sob a mesa, para reverenciar

a Pachamama e o Tata Inti:

é chegado o dia de Willka Kuti.

 

Observar o tempo astronômico 

faz com eu me semeie, regue

cresça e crie raízes em você;

sem absolutamente nada temer,

faça noite ou dia, amar é viver.

4

Comentários (19)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Eu moro no interior do Estado de Santa Catarina. A minha vida é na pacata cidade de Rodeio, Médio Vale do Itajaí.

Minha cara poetisa... sabe como gosto de teus textos... as vezes comento as vezes não... mas ver as estrelas como tu a vê...somente pelo meu sonhos que em uma noite parecia que meu corpo estava acima das nuvens , onde tinham tantas estrelas pequeninas e acordei com esta forte comossão. ( me parece que tu viajas muito ) ? bem abraços e muita saúde. A todos os seus. Ademir.

Olá amiga Poetisa.... belo texto poético ... estás a procura do bem viver , mantendo o significado de seu bem querer. pessoalmente , acho teus versos um encontro da natureza que frutifica teu belo coração. Parabéns. Ademir.

Olá cara poetisa.... tu fizeste bem fazer da paz uma rebeldia , em poema de grande alegria. abraços.

Ok... Poetisa muito belo este testo poético.