Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski

Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski

n. 1980 BR BR

Poetisa digital e popular. Moro em Rodeio, Médio Vale do Itajaí, Santa Catarina.O Médio Vale do Itajaí também é conhecido como Vale Europeu Catarinense.Todos os meus escritos de toda e qualquer natureza estão disponíveis gratuitamente.

n. 1980-05-30, Rio de Janeiro

Perfil
81 514 Visualizações

O peito se agita...

O peito se agita,
Estou assim 
Por causa da
tua breve ausência,
Ele se agita 
Por uma vontade
amorosamente vadia,
É uma vontade
imperiosa de reunir 
As tuas saudades
com as minhas,
Escrever para nós
dois é uma ode 
à bem querência
longe de ser vazia.

O peito não
sabe como mensurar
Essa doce
alegria de penar,
Ele se agita
por uma vontade amorosa
De mergulhar
no teu corpo,
É uma vontade imperiosa 
De reunir o teu
sabor com o meu,
Escrever para nós dois
é uma ode à liberdade 
- longe de não nos libertar.

O peito não sabe
como mensurar 
O tamanho da graciosidade
versada sobre nós,
Ele se agita
por uma vontade amorosa 
E vagarosa por cada
pedacinho teu,
Essa vontade imperiosa  
De reunir o teu
amor com o meu,
Escrever para nós dois
é uma ode à descomplicação 
- longe de não desejar
desatar os nós.

O peito se agita,
estou assim por causa
da tua breve ausência,
Ele se agita por uma vontade
amorosa de ser tua,
É uma vontade imperiosa de faiscar
com os arrepios da tua alma,
Escrever para nós
dois é uma ode à paz
que há de te trazer
de volta - e desejoso
da minha calma.


03/08/2012
Ler poema completo

Poemas

369

Mangue-botão

Algo em mim faz a transição, 

o ponto onde o mar desiste,

Insistindo em ser a imensidão 

tendo tudo a ver quando 

a terra começa a vencer:

Do jeito exato do Mangue-botão 

onde reinam cada um 

dos três mangues que crescem, 

abrigam e a vida nutrem. 

 

 

 

Sem sequer tocar na lama, 

os mangues roçam na contemplação 

profunda d'alma humana

que possui asas guarás,

e se reserva do que não liberta. 

 

 

 

[Sem deixar de lado o coração 

enraizado na própria terra]. 

11

Mangue-Branco

 

 

No sobrevoo do Guará,

entre a restinga e o manguezal,

desvela-se, serena e clara,

a certeza que não se desfaz:  

 

O Mangue-Branco floresce

com branca e obstinada beleza,

com suas glândulas de sal

bebendo o amargo com a

certeza

da cura em terra brasileira.  

 

Aqui, no nosso chão,

segue imutável a ordem natural.

Muitos tentam rompê-la,

e sempre se darão muito mal.  

 

É prova viva de que a vida

é mais forte que a morte.

Não é só questão de norte

nem mero capricho da sorte.

 

Nascemos libertados,

nossa raiz é forte;

e está para nascer a hoste,

para alcançar e tombar

todo o que contra a vida se levantar.

 

14

Mangue-Preto

Deixar que o Mangue-Preto
seja o pulmão do oceano
com as suas sul-americanas
absolutas glândulas de sal,
e se permitir um dia normal. 

 

Ser um pouco Guará
no ninho,
e confiar plenamente
que a vida cumpra o seu próprio destino,
mesmo que cause
algum calafrio:

 

Para dizer para si: -- Estou vivo. 

11

Três mangues

Permitir todas as chances

dos três mangues

no peito se enraizarem

com várias coragens

da liberdade conhecer, 

crescer, procriar e revoar:

 

Não permitir que nada

venha a te dominar.

 

Criar brio e asas de guará, 

mescladas com as auroras 

matutina e vespertina 

do Hemisfério Celestial Sul,

sem preocupação se há 

alguma rima óbvia ou não:

 

Resgatar com todo o coração,

o deslumbramento e a poesia

sempre a cada nova estação.

12

Asas de Papagaio-charão

Minha imaginação

 

têm a plenitude,

 

a liberdade e revoada

 

nas asas de cada

 

Papagaio-charão

 

em busca de Pinhão;

 

Algo parecido tenho

 

buscado na Araucária

 

do teu divino coração.

10

Lua das Flores

A Lua das Flores da estação

no Médio Vale do Itajaí

preludia os ipês rosa e o roxo,

Com certeza percebi 

a tua curiosidade bonita

que maio me anuncia.

 

Se é amor ou não, não sei,

mas que já poesia, virou lei;

Sem precisar da aprovação 

alheia constrói o legado 

de manter o seu coração 

todo em estado de maio. 

 

Não preciso falar o que

sinto porque se me ama,

Saiba que também é amado,

do jeito que não tínhamos 

sequer antes imaginado:

do lugar deste amor não 

haverá outro para ser ocupado.

16

Vento Pampeiro

Como quem de cima

do seu próprio cavalo,

enxerga o chão sagrado

que o abriga e sustenta,

Vê tudo com clareza,

incluindo a vil vileza,

Com toda a sutileza,

espírito de galpão e tropa

e chimarrão na mão.

 

Não nego a herança filial

do vento pampeiro

que ninguém controla,

De Sul a Sul balança

o ipê-roxo-de-sete-folhas

em preparação,

em maio, para a sagração

da absoluta floração.

 

Das raízes ao coração,

fincadas as origens

com apego a este chão,

Carrego alma briosa

de Sepé Tiaraju, que não

permite que a História

sofra mais alteração.

 

A herança de qualquer povo

ninguém retira,

independente de quem ali guia,

porque, gostando ou não,

quem manda passa, e o povo fica.

13

Alma de Tuiuiú

Alma de Tuiuiú no ninho

do mês de maio, que da

poesia ostenta --- o mais

sagrado,

Onde o desabrochar das

flores dos ipês-rosa como

preces recordam

a promessa amorosa.


Promessa que foi cumprida

e floriu no lugar que foi

enterrado o heroico

guerreiro indígena;

Como prova de amor

para a sua amada além

da vida que hoje

enfeita a nossa vista. 

 

Desta e de tantas

recordações que a memória

resgata com particular lírica

se finca

a história, para se envaidecer

e honrar de cada glória. 

 

Para que legados

entre os dedos

não escorram,

para de tudo o que importa

por nada nem ninguém

tenha nenhum poder de fazer

que a gente desista.

14

Maio

Maio floresce com os ipês 

sob o Hemisfério Austral,

assumo a minha urgência 

que também floresce igual.

 

De silêncio em silêncio,

o coração sentimental,

indomado e brejeiro:

é puro desejo total. 

 

Venha sem demora,

porque florescer requer 

companhia sem hora.

 

Maio abrirá a porta 

secreta e estenderá 

o paraíso e a sua aurora. 

 

10

Nenhuma Nação Acima

Línguas ou armas estrangeiras colocadas contra o meu povo, 
da minha parte sempre 
encontrarão forte oposição. 
Outras Nações jamais 
estarão acima
da minha Nação. 
Espero, da mesma maneira, 
que assim seja
para você e sua Nação.

 

Com igual lealdade, ainda que solitária, 
tal qual a dos guardiões 
das pirâmides do Sudão, 
é a que guardo no coração:
ela mantém meus pés e a alma fincados neste chão 
que, sob o Hemisfério Austral, 
enlevo em total sagração. 
Não sei de onde me lês 
nem que terra te chama, 
mas desejo a ti
a mesma devoção.



Cultivar o nosso amor vivo em dias solares ou de tormenta,
nas noites de lunação ou escuridão, 
é o meu diário voto e querer:
que a poesia se cumpra 
e nunca nada me faça esquecer; 
para que ninguém nos domine,
e nada abale
o meu e o teu viver. 

 

 

14

Comentários (19)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Eu moro no interior do Estado de Santa Catarina. A minha vida é na pacata cidade de Rodeio, Médio Vale do Itajaí.

Minha cara poetisa... sabe como gosto de teus textos... as vezes comento as vezes não... mas ver as estrelas como tu a vê...somente pelo meu sonhos que em uma noite parecia que meu corpo estava acima das nuvens , onde tinham tantas estrelas pequeninas e acordei com esta forte comossão. ( me parece que tu viajas muito ) ? bem abraços e muita saúde. A todos os seus. Ademir.

Olá amiga Poetisa.... belo texto poético ... estás a procura do bem viver , mantendo o significado de seu bem querer. pessoalmente , acho teus versos um encontro da natureza que frutifica teu belo coração. Parabéns. Ademir.

Olá cara poetisa.... tu fizeste bem fazer da paz uma rebeldia , em poema de grande alegria. abraços.

Ok... Poetisa muito belo este testo poético.