Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski

Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski

n. 1980 BR BR

Poetisa digital e popular, folclorista por natureza, latinoamericanista, residente em Rodeio, conhecida pelo seu blog Versos Intimistas e poemas dedicados a Rodeio, ao Médio Vale do Itajaí, a Santa Catarina, ao Brasil e as três Américas. Todos os meus livros estão disponíveis gratuitamente.

n. 1980-05-30, Rio de Janeiro

Perfil
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Tudo o que pedi

Juntos, sem questionar,

no ritmo de Caribe clássico,

muito além dos petroglifos.

Ler com o que há de mais fino:

o casamento sobrenatural

neste encontro sem igual.

 

​Deixar o amor conduzir

até Bequia, a Ilha das Nuvens.

Confiar a jura de amor

sob a amendoeira-da-praia,

com entrega apaixonada.

 

​Permitir ser feliz sob o sol,

o sal do mar e o florescer

poético da soufrière tree.

Agradecer a Deus porque

chegamos intactos até aqui,

e porque és tudo o que pedi.

 

 

 

 

Ler poema completo

Poemas

1596

Balanço de Palma de Cera Quindío

Percebi galeanamente  

na própria pele o efeito  

do que são as veias abertas  

da nossa América Latina,  

Embora se misture  

com leveza e toda a delícia.

 

Sinto que estou na tua  

e você ardente na minha,  

levando na carne profunda  

a dor da nossa gente,  

Vivendo tudo ao mesmo tempo  

o que a gente muito sente.

 

Carrego o mesmo balanço  

da Palma de Cera Quindío,  

nascida no Vale do Cocora.  

Não é de hoje que por ti suspiro  

e minh’alma inteira se enamora.

 

No ritmo vivo do Rio Quindío,  

é para tua direção que sempre  

tenho buscado o caminho,  

perdidamente amoroso,  

para que não fique só em sonho.

 

De ti jamais abrirei mão,  

porque sempre que te percebo,  

o peito se põe a tocar bambuco,  

por loucura de amor e impulso,  

mesmo que o mundo diga  

que ando flertando com o absurdo.

8

Ipês seguimos

O tempo propício chegou

 

de um mostrar o quanto um

 

pelo outro sempre esperou;

 

e nada nos dessacralizou.

 

 

 

Por adoração e magnetismo 

 

viramos o magnífico vício 

 

de escrevermos o destino:

 

o calendário não ultrapassou.

 

 

 

Não há um só dia que não 

 

tenhamos vivido: porque 

 

pelas estações nós sentimos. 

 

 

 

E sentindo: ipês seguimos.

 

Com o ritmo das estações

 

pelos caminhos floridos. 

 

 

8

Rodeio e o Pico do Montanhão: Raízes, Memória e Poesia

Na linda Rodeio, doce cidade,

onde há uma parte enraizada,

pois nela o meu avô foi frade.

 

Nunca estive de passagem,

embora tenha a herança da imigração,

que a resgato sempre com paixão.

 

Tenho morada e poesia fincada

com o coração sobre as linhas

do magnífico Pico do Montanhão.

 

Qualquer afirmação contrária

pertence somente a quem

desconhece de onde veio.

 

[Tenho certeza: não conhece

nenhum pouco a minha história direito.]

7

Greenheart

A ventania toca Calypso

no frondoso Greenheart.

Perceber o amor no caminho,

e desejar você não é tarde.

 

Pedir que o tempo pare

sob o céu austral aberto,

para que a gente desfrute

do amor com imensidade.

 

Não será pedir você demais

ao tempo de espera,

com querer que não desfaz.

 

Para que o amor conosco fique,

que não se limite e sem se deter

com o que os outros irão dizer.

8

A cordilheira e as confluências

Cada linha e cada pausa têm

sido a continuidade e rendição

ao ritmo inabalável que levo

pelos anos com amor e paixão;

e que o seu olhar tem lido

inabalável com o seu coração.

 

Dois mundos que se tocam,

e ainda não se encontraram.

Separados pela silenciação

da elegância da permanência,

cultuam, sem desistir, ao passo

da melancolia da distância,

e firmes ambos continuam.

 

A cada nova florada da quina

tem nascido uma confissão sutil,

com algo de cordilheira andina,

que, embalado pelas confluências 

imparáveis dos rios Apurímac, Ene,

Tambo e o Ucayali, que, unidos

ao Marañón, formam o Rio Amazonas,

revelando que é amor e os sintomas.

 

Todos reunidos ao magnetismo

da imensidão dos dias e das noites

para inauguração da revelação

que, desde o primeiro dia, sabemos:

chegou o tempo de não pactuar

mais adiamentos, porque nós nos queremos.

17

Árvore de Panamá

Trazer consigo algo

de Rio Chucunaque,

manter a tranquilidade,

não se deixar levar 

por aquilo que abale,

e te dar toda a liberdade. 

 

Deixar o coração falar 

sempre mais alto,

e o seu amor sussurrar

baixo no ouvido,

sob ou não uma 

Árvore de Panamá.

 

Atrair você todinho

ao som de Tamborito,

e quando houver 

silêncio encostar

o seu sorriso no meu,

e assim dizer que

tudo em mim é teu.

8

Imbuia

Quando se é por muito tempo invisível,

e só te põem no último lugar seja lá

qual for o motivo o melhor é não se iludir;

És o teu magnífico caminho a seguir,

não perca tempo com o que tende a se esvair.

 

Você não tem o dever de distrair o tédio,

de ser para o emocional o analgésico

ou de preencher o vazio de ninguém;

Não tenha dúvida que o melhor mesmo

é ficar na sua para o seu próprio bem.

 

Abra os seus olhos para a beleza e a delicadeza,

permitindo que a florada da Imbuia cubra

todo o seu caminho porque és em todas

as estações a sua melhor companhia;

Para que não perca por causa de quem quer

que seja a sua confiança e a sua alegria.

 

Esteja de prontidão para que o melhor da vida

te encontre de prontidão para viver o amor

de corpo, alma e coração com integridade;

Se proteja de verdade mesmo que na solitude

te coloquem contra a parede, que os anos passem

ou até que façam você que agora já é tarde.

7

Poético ceibal

Não existe florada igual 

ao do poético ceibal 

sob o Hemisfério Austral 

na beiradinha do rio 

dos pássaros coloridos.

 

 

 

Deveria ser proibido 

olhar com outros olhos  

que não os teus olhos 

tão infinitos e lindos

para a beleza do Uruguai. 

 

 

Porque os teus olhos

são o meu principal motivo 

para olhar para frente

com o que há de mais romântico,

e não pensar nunca mais

sequer dar um passo atrás.

10

Araguaney em flor

Encontrar no Araguaney em flor,

como prova de amor e lirismo

latino-americano no coração,

nas tuas mãos se entregar

no embalo emotivo do Joropo,

como o curso do Rio Orinoco.

 

Deixar que a urgência de amar

domine absoluta os sentidos,

e que se cruzem os destinos

no mesmo passo e ritmo,

para que não se conheça

mais os anteriores caminhos.

 

Entender que o amor é mistério

que não precisa ser explicado,

mas que precisa ser vivido

intensamente acompanhado

com desejo, entrega e calor,

contigo gamado aqui do meu lado.

7

Pétalas do Ipê-amarelo

O amor é reconhecido

independente da origem,

da vestal, do disfarce

e do idioma que ele fale.

 

Para o amor não existe 

sombra ou ocultação,

porque ele tem refúgio 

seguro no meu coração.

 

Do pôr ao nascer da Lua

o amor não se cansa 

de venerar a minh'alma nua.

 

Cobertos pelas pétalas 

do ipê-amarelo e a intenção 

de vulnerabilidade e rendição.

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Comentários (19)

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Eu moro no interior do Estado de Santa Catarina. A minha vida é na pacata cidade de Rodeio, Médio Vale do Itajaí.

Minha cara poetisa... sabe como gosto de teus textos... as vezes comento as vezes não... mas ver as estrelas como tu a vê...somente pelo meu sonhos que em uma noite parecia que meu corpo estava acima das nuvens , onde tinham tantas estrelas pequeninas e acordei com esta forte comossão. ( me parece que tu viajas muito ) ? bem abraços e muita saúde. A todos os seus. Ademir.

Olá amiga Poetisa.... belo texto poético ... estás a procura do bem viver , mantendo o significado de seu bem querer. pessoalmente , acho teus versos um encontro da natureza que frutifica teu belo coração. Parabéns. Ademir.

Olá cara poetisa.... tu fizeste bem fazer da paz uma rebeldia , em poema de grande alegria. abraços.

Ok... Poetisa muito belo este testo poético.