Lista de Poemas

Flor do Maracujá

Nunca fui de frases prontas,
e nem de iniciativas tontas,
não será agora que irei mudar,
sei bem o que sempre buscar;
Gírias e clichês chiques não 
irão me pôr na tua mão,
não me coloco jamais em vão,
por isso fico aqui no meu lugar.

O meu vocabulário só pode ser 
lido e relido, sem aura nos olhos,
Quem sabe pode vir no futuro
pelos teus olhos a ser decifrado
quando o sonho for realizado.

Colocar coleira não é do meu 
feitio apenas busco um bom amor 
que seja feito verão sem domínio;
Porque o amor só é mesmo bonito 
quando o endereço é a liberdade
de colocá-lo adorador do que é 
natural como a flor do Maracujá, 
que desabrocha no tempo certo,
despreocupada do que passa lá fora.

21

Janjão

Negro, esguio, barbudo, 
aparentando ter uma idade avançada,
com o seu chapéu de palha trançada 
de maneira incomum e delicada, 
com suas roupas de algodão,
e com vários assuntos na ponta língua. 

Janjão caminhava muito o dia todo,
com o seu cajado e com um saco 
enorme nas costas repleto de soluções,
para todas as classes e estações:
Nunca o vi exaltado ou reclamando,
não havia quem não o saudasse,
e não adiantava nem mesmo 
oferecer caronas, pois rejeitava todas.

Acreditava que ficaria mal acostumado,
e dizia que se parasse de caminhar 
a morte o alcançaria muito mais rápido.

Até hoje não sei como levava 
o mundo nas costas o dia inteiro,
dentro daquele saco nada murchava,
o quê era de horta e as ervas medicinais
até pareciam colhidas na hora;
Sem contar os objetos de madeira 
pacientemente esculpidos
que mostrava todo orgulhoso.

Todos compravam com ele, 
o povo e os doutores 
que tinham os seus sítios,
e quem não pudesse pagar,
Ele dizia para pegar o quê 
quisesse sem se preocupar.

A sabedoria dele era sem falha,
parecia que Deus através 
dele quando conosco conversava.

Nós como crianças gostávamos 
de ir até ele para conversar,
para viver a aventura do caminho
que levava para a casa dele,
e que parecia mais um 
jardim botânico paralelo 
ao rio completamente cristalino, 
Tudo ali era plantado 
por ele e sem nenhum equívoco.

28

Dario, um peão brasileiro.

Ele era uma figura misteriosa,
um mulato de beleza única,
com um corpo musculoso,
olhos verdes andando,
fala aveludada e respeitoso.  

Com o seu cavalo bem cuidado,
ele um autêntico peão brasileiro,
o nome dele era Dario, 
que mantinha o orgulho elevado 
do ofício desempenhado,
e rezava com fervor inigualável 
o Santo Rosário em dedicação 
à Nossa Senhora de Aparecida.

Eu ainda bem menina dava 
um trabalho danado 
junto com as crianças da vizinhança,
a nossa infância era além 
muito do pé no barro, 
mas os cabelos também por nossa 
própria obra era alcançado.

E assim pela estrada a gente fugia,
ele sempre muito paciente
depois de tudo o quê fazia,
e se fosse preciso párava tudo,
para acompanhar as Mães 
em busca intrépida de cada 
um por toda a estrada vazia.

Não tem como eu me 
esquecer destas inúmeras 
vezes quando na porta 
de casa ele um por um trazia,
ou quando ele passava 
sem montado com o seu Baio
e me via pela estrada,
e prontamente dizia:
 
- Já para casa, menina!

...

Nota da Poetisa sobre a palavra "mulato":
​"O termo 'mulato' utilizado para descrever Dario neste poema é uma escolha deliberada e histórica, fiel à linguagem da época e da região das minhas memórias de infância. Naquele contexto, a palavra era o descritivo de sua ascendência mista e da sua beleza singular. Longe de qualquer intenção de depreciação, a figura de Dario é celebrada aqui em toda a sua dignidade e força. O uso é uma homenagem à sua pessoa, e não uma adesão ao peso pejorativo e racista que o termo carrega historicamente."

32

Colheita de umbus

A senha serpenteando faz arrepio 
entre os meus montes ao alcance 
das afáveis mãos e do altíssimo
lance e da tua intrépida escalada,

Para que no espaço de um assobio 
venha com os apelos sedentos, 
rumo para desinibir os trejeitos
por intenção desavergonhada.
O prazer é comando compartilhado
entrego-te o cetro, o corpo e o poder,

Sou tu'alma nenhum pouco recatada,
terra ocupada e paraíso consagrado;
o encaixe eleito feito para o amado. 

Onde a liberdade é a régua por regra,
em tempo de colheita de umbus,
com a maior consagração e entrega:
o amor em nós sempre se celebra.

23

Gabiroba

Na nuca o sopro lascivo,
percorre, domina e põe 
totalmente em transe, 
Coloquei nas tuas mãos 
a volúpia de alta voltagem,
- para o mútuo deleite;
De ti, minha vida, só quero
mesmo o que é selvagem
e de êxtase me arrebatem.

Confio no meu olhar e ginga,
e confio ainda mais nas tuas 
delicadezas vorazes e lentas, 
para que com todo o tempo 
venha, converta, se rendas. 

Render-me ao frenesi
do primeiro beijo com sabor 
de Gabiroba entregue,
E embarcar a cada devaneio
e vertigem que só nos inclua 
na lista de passageiros,
porque o mundo é grande,
e o senso de aventura 
tal qual o nosso romance 
- são ainda muito maiores.

16

Saborear a Jurubeba

De olhos fechados 
te alicio e acaricio,
Na tua imaginação   
estou sob o poder  
do teu telúrico amor,
e todo sensual calor.

Saborear a Jurubeba 
da tua saliva que 
está destinada a mim,
Tenho a certeza 
de que sei que eu vou,
Quanto mais beijos pedires,
com prazer eu te dou.

Só falta o teu primeiro 
passo de cavalheiro,
Venha mostrar na dança,
e gritar aos quatro ventos,  
que sou muito além 
de ser a dona do teu pedaço,
E sim, que me pertence inteiro;
que está mesmo apaixonado,
entregue, profundo e verdadeiro.

44

Araticum-açu

Com a extravagância de corpos enlaçados e apaixonados,
Com os nossos olhos fechados 
e corações abertos temos 
a urgência do próximo ato,
Porque deixamos nos seduzir 
pela brincadeira e o perfume
natural do amor que viciados 
nós estamos sem volta 
e sem tédio totalmente gamados.

Embalados pelos voluptuosos 
sons dos nossos ais deliciados 
por alternâncias quentíssimas
e ondas divertidas de total prazer,
A luxúria evidenciada nos pertence 
com aura magnética e todo o poder. 

O caos amável que te trouxe é que 
desde o dia que me conheceu a tua 
régua romântica nunca mais foi,
e nem será mais a mesma por ter 
conhecido de perto e ter nas mãos 
o domínio do meu encanto sem igual
de tocá-lo inteiro por dentro do meu
jeito por ninguém conhecido e genial.

Envolvidos pelo sabor do amor, 
e do doce de Araticum-açu 
nos lábios para declamar tudo 
o que é cabido para ser eternizado, 
E para que seja recordado 
nos meus Versos Intimistas 
escritos da gente ter se encontrado.

15

O Sentido do Amor

Passando a mão sobre 
o Capim-Curu enquanto 
caminha com a história 
de volúpia cresce sozinha, 
Dentro do meu coração 
e do pensamento 
se entrelaçam as intenções 
de seda e fortes emoções 
feitas da fibra de Sisal. 

Do pé colho amoras
maduras e na mente 
elaboro o paraíso particular 
com rota e sem nenhum pejo,
Acendo o fogo interno
do candeeiro para que nada
apague o amor eterno.

Apontar em silêncio 
para as curvas vertiginosas
para você se aventurar
sempre uma nova viagem 
em mim encontrar,
De ti colher os suspiros 
mais delirantes frutados,
enrodilhar os nossos 
desejos apaixonados.

Com beijos alucinados
vestir a tua pele de mimos,
Trazer o mais do opulento
êxtase para enfeitar 
a suamesa e plantar em ti 
o seu olhar sedutor,
para que nos primeiros 
toques eletrizantes
de lábios provocantes
capture o sentido do amor.

24

O Acauã

Canta o Aracuã
na hora que ele quer,
Tendo o teu amor,
nada mais vou querer
a não ser viver ou viver.

9

Colheita de Jabuticabas

Não há nem sequer 
algema de flores,
chave, cadeado ou senha,
não há gaiola no coração,
e coleira de veludo
é totalmente dispensável;
porque a intenção aprazível 
é torná-lo meu e imparável,
e jamais vir a te deter.

O que tenho a oferecer 
é a real liberdade pura
de escolher o que vai ser,
é perfume de chuva
após encontrar a mata,
é colheita de Jabuticabas,
é amar sem se perder,
é fazer do seu e do meu querer,
o nosso bem querer;
sem nada requerer - apenas viver.

(É você morar dentro de mim
e eu morar inteira dentro de você).

21

Comentários (21)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Eu moro no interior do Estado de Santa Catarina. A minha vida é na pacata cidade de Rodeio, Médio Vale do Itajaí.

Eu moro no interior do Estado de Santa Catarina. A minha vida é na pacata cidade de Rodeio, Médio Vale do Itajaí.

Minha cara poetisa... sabe como gosto de teus textos... as vezes comento as vezes não... mas ver as estrelas como tu a vê...somente pelo meu sonhos que em uma noite parecia que meu corpo estava acima das nuvens , onde tinham tantas estrelas pequeninas e acordei com esta forte comossão. ( me parece que tu viajas muito ) ? bem abraços e muita saúde. A todos os seus. Ademir.

Olá amiga Poetisa.... belo texto poético ... estás a procura do bem viver , mantendo o significado de seu bem querer. pessoalmente , acho teus versos um encontro da natureza que frutifica teu belo coração. Parabéns. Ademir.

Olá cara poetisa.... tu fizeste bem fazer da paz uma rebeldia , em poema de grande alegria. abraços.