Lista de Poemas

Divisionismo

Sempre que houver divisionismo
o poeta pelo fato de existir,
alguns com ele irão se incomodar, 
sem mesmo por eles procurar.

Ele é quem tem a ousadia de fechar 
a porta quando alguém fizer 
a cortesia para a guerra entrar,
e muita inspiração para encorajar.

Ciente que a poesia é feita de pausa,
para a cada novo momento respirar,
o poeta quando cala a poesia vira mar.

Com ou sem licença poética, 
não receia por nada a palavra partilhar:
como as sementes dos ipês a se espalhar.

59

Hora Marcada

Se permitir que o seu país seja 
chamado de qualquer coisa,
Não poderá se queixar quando 
for tratado de qualquer jeito,
Serás lembrado como nada,
Porque o quê é tarde demais
sempre tem hora marcada. 

21

A Dança dos Engenhos de Farinha

O teu bonito olhar feito de astros 
que no meu céu parecem dançar 
a Dança dos Engenhos de Farinha
da nossa Santa e Bela Catarina, 
O quê estamos a imaginar vai 
além do que a multidão imagina.

O culto e o desejo pela beleza
como fogo que não se apaga 
nos mantém vivos e renovados,
e uma nova aventura acende,
Não é de hoje que encantados
há tradição em nós mutuamente. 

Há festas em nós imparavelmente...

35

Sem emergência

De qualquer lado 
que abra ou feche
a porta a chave 
está nas tuas mãos,
Em qualquer estação,
sem emergência 
e de todo o coração. 

É sobre ser suave 
com quem nasceu 
livre tal qual ave,
Que só elege ficar 
por saber o quê é 
e o quê não é amor 
por eleger esperar
sem precisar capturar.

Deste Médio Vale 
traz a tranquilidade,
o encanto e o culto 
ao paradisíaco em Rodeio,
Para retribuir sempre 
o quê for preciso
e inabalável seguir contigo.

21

Cultura

Não sou obrigada a nada,
você também não é,
somos filhos desta porção 
austral continental,
Posso ser diferente,
e você também igualmente.

Não existe cultura igual 
ou pior apenas diferente,
Ninguém é obrigado a gostar,
e tampouco ser exigente
espero que entendamos
isso daqui para frente
sob a sombra do Pau-Brasil. 

Às vezes ter acesso 
a alguma Cultura é para uns 
questão de estímulo,
acesso próximo ou oportunidade 
na vida simplesmente ao som 
do Sabiá-laranjeira em liberdade.

[[[Sem capricho, feitiço ou maniqueismo]]].

20

O Inhame

O Inhame que nos sustenta 
faz parte da mesa brasileira 
que nasceu também graças 
ao esforço de mãos africanas
que deixou muitas heranças. 

Não há um só dia que não 
que me dispônho aprender
sempre alguém aparecer
no distinu para me ensinar,
sabedoria que é água de poço 
para alguns, prá mim é mar.

O Inhame não tem como 
negar que veio trazido 
por quem de Cabo Verde 
e de São Tomé e Príncipe,
sofreu o pior que existiu,
e diante dos olhos persiste 
ainda com outras roupagens.

Muito ainda precisa mudar,
mesmo que hoje exista gente 
pronta prá esta chaga cessar.

29

Jacarandá-mimoso

Integro-me com as flores  
do Jacarandá-mimoso
para o refúgio encontrar 
daquilo que não posso mudar
não ter o êxito de me alcançar.

Em nome da poesia como
fragmento da alma que é,
vir com as flores entreter-me 
para não me perder da fé
e seguir sem intenção de ré.

Ser o Jacarandá-mimoso
do jeito que ele me é,
amoroso, gentil e poético 
e deixar o quê tem de ser 
vir por si só a acontecer. 

O quê tem que passar
irá passar mesmo que 
diferente tentem mostrar,
contra à força o tempo 
ninguém pode subjugar.

Não é sobre relógio 
que estou falando é sobre 
o quê se tem ou não,
é o quê mostra a direção 
diante da real amplidão.

47

Guamirim

Como Guamirim melífera,
fonte de beijos doces,
Essencial e não efêmera,
ofertar a gentil colheita,
Não preciso detalhar 
daquilo que o tempo,
e o peito estão a mostrar.

33

Muirajuba

A Muirajuba que floresce 
também no meu Brasil,
traz a conexão profunda 
com a América do Sul,
em dias alegres ou tristes,
Faz lembrar que no coração 
floresce sob o céu perenal 
com apego e total devoção
a nossa chama austral. 

A herança do Sul do Sul;
o olhar de romance 
que continua invicto 
com um quê de lirismo,
mesmo diante de tudo
isso o quê se passa lá fora.

Tipo pinhã  plantado
pela Gralha-Azul na terra
assim sigo porque tenho 
poesia que não se encerra
sem clamar por plateia.

História viva nas veias,
amor e ternura na memória,
quero crer que se perpetua 
forte ti mais do que nunca. 

54

Vulnerabilidade

Não consigo mais olhar 
com os mesmos olhos ingênuos 
o céu da nossa América Austral,
Não dá para não imaginar 
o Deus da Guerra e da consequência
dançando sobre algum 
de nós sem tremer inteira, 
Seja sob o Sol ou sob a Lua 
está difícil de tirar o olhar 
do céu sem embalar 
o pior no coração e na cabeça,
Não dá nunca mais 
para continuar sendo a mesma:
É sobre vulnerabilidade o poema.

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Comentários (21)

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Eu moro no interior do Estado de Santa Catarina. A minha vida é na pacata cidade de Rodeio, Médio Vale do Itajaí.

Eu moro no interior do Estado de Santa Catarina. A minha vida é na pacata cidade de Rodeio, Médio Vale do Itajaí.

Minha cara poetisa... sabe como gosto de teus textos... as vezes comento as vezes não... mas ver as estrelas como tu a vê...somente pelo meu sonhos que em uma noite parecia que meu corpo estava acima das nuvens , onde tinham tantas estrelas pequeninas e acordei com esta forte comossão. ( me parece que tu viajas muito ) ? bem abraços e muita saúde. A todos os seus. Ademir.

Olá amiga Poetisa.... belo texto poético ... estás a procura do bem viver , mantendo o significado de seu bem querer. pessoalmente , acho teus versos um encontro da natureza que frutifica teu belo coração. Parabéns. Ademir.

Olá cara poetisa.... tu fizeste bem fazer da paz uma rebeldia , em poema de grande alegria. abraços.