Amalgamado em repúdio retratos, juntos trapo por trapo. Escondendo de todos, aquele antigo retrato
Você sorria? Dia-a dia Todos os dias que não foram dias
Caminhávamos... Mas, para qual local?
Andarilho de um canto só, viverás a vida pra cantarolar As mesmas lembranças, que habitam aquela velha rede.
Olhos lavados de lágrimas, orvalham um peito que já fora seu! Ordenhe o presente, Cala-te o futuro!
(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)
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Soneto da vontade dele
De repente do contínuo pranto, o verdadeiro riso. Da espuma raivosa, silenciosa e branca como a bruma. As bocas amantes e adversárias se uniram sem farruma Do espanto as mãos espalmadas, sem nenhuma sobreaviso
Do vento, de repente e fugaz calmaria, desfrizo. Última chama que dos olhos se esquivava e escarruma. Se refez, o pressentimento afogado ressurgiu com soruma. Do drama pairou o imóvel momento com odor elicriso.
De repente, não mais que de repente. Da tristeza se fez o ardor amante. E de contente o que se fazia sozinho.
De perto fez-se amigo o que era distante De uma vida aventureira ordeira e errante, De repente, não mais que de repente, um nózinho.
De repente, tudo o que parecia certo m u d a. Como a chuva que c a í a! Tornando úmido, o árido chão...
A gota de improviso estremece qualquer solidão duas palmas escondem a face nenhuma palavra emerge, Então, um silêncio ecoa, oa, oa, a, a... A esperança atordoa, Percebe o quanto? Queria estar em algum lugar?
Estar e amar, só depende de como propiciar, que o orvalho faça, o amor em você novamente brot a .r.
Mentira, a mais bela de todas! Mentira, a vida, ceifada aos prantos.
Passarás a vida inteira, acreditando em seu suspiro? Uivando seus delírios? Cheirando a carnificina? Apadrinhando a esperança? Lutando por sonhos? Utopias ideais? Mazelas, pobreza ou riqueza?
E no fim, no silêncio, imaginativo de teus passos, um golpe: silencioso, milagroso, escandaloso!
Tirará-lhe o último brilho-suspiro!
(ARCHANGELO, A. Ápeiron, Ed. Buriti, 2019)
https://www.poesiasnonsense.com/2009/04/vida.html
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Poetas e porcos
Escrever é como atirar uma pedra, na imensidão que divaga. Perdendo tempo discutindo, temas importunos...
Infiéis, cegos! Inúteis, intelectuais!
Certos, só os porcos! chafurdam no que acreditam, e só param quando a fome saciam...
Enquanto alguns esperam Deus, Outros chafurdam a lama... Enquanto alguns filosofam, Outros vivem a vã filosofia!