António Andante ( Ó, Serôdia!)

António Andante ( Ó, Serôdia!)

n. 1977 PT PT

« Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses» Sócrates

n. 1977-03-22, Porto

Perfil
406 Visualizações

Poemas

9

Buracos Negros

ao acaso e à toa
tropeço nos buracos da vida
buracos negros e fundos
aos baques e tombos
lá chego à esquina da existência
puta da vida!

António Andante (Ó, Serôdia!)
54

Poeta É Ofício DE Pobre

Poeta é ofício de pobre

A paga: lágrimas candentes

e estrelas cadentes

-Poeta, pede um desejo:

-Que todas as moedas de oiro sejam poemas!




António Andante ( Ó, Serôdia!)
47

Noite-Berço

Noite- berço que embalas meus sonhos

nesta praia lusitana ancorados!




António Andante ( Ó, Serôdia!)
41

Psique Apocalíptica


Porta oblíqua

janela elíptica

psique apocalíptica

tudo em mim é desconcerto

desalinho

desarranjo

desordem

mas de toda esta perturbação

emana um fiozinho de luz!

 António Andante(Ó,Serôdia!)
42

Acordo Sonhador

Acordo sonhador

há em mim miríades de sonhos

um mundo de possibilidades

sonho-me pintor

e em sonhos risonhos

pinto em mil cores

felicidades!




António Andante (Ó, Serôdia!)
56

Acordo Sonhador

Acordo sonhador

há em mim miríades de sonhos

um mundo de possibilidades

sonho-me pintor

e em sonhos risonhos

pinto em mil cores

felicidades!




António Andante (Ó, Serôdia!)
40

Navios Ancorados



Toda a minha vida é um porto

de onde não se parte

sou um navio fundeado

que desconhece o mar-alto

meu navio está ancorado na doca seca

as amarras prendem-me

cingem-me ao solo árido

a terra enxuta abriu-se e engoliu o mar caudaloso

o grande oceano é agora um fiozinho de água tímida

no meu país já não há marinheiros

os nautas navegam em lágrimas salgadas

e brincam em banheiras transbordantes de água

com barquinhos de borracha

simulando batalhas navais épicas

as cartas de navegação

servem agora para forrar fundos de gavetas

os navios esqueléticos e enferrujados

definham e envergonhados sonham com viagens transoceânicas

alguns apontam a proa para as estrelas

e rogam aos astros

que a terra se abra e que a água brote

preenchendo e enchendo os sedentos mares

é má sina para um navio morrer em terra

carcomido e obsoleto

navio foi feito para arrostar as tormentas

e domar o mar encapelado

antes afundar e ficar sepultado no mar profundo

que ter por última morada um cemitério de navios

onde são retalhados e o aço reciclado numa siderurgia faminta

acabarão nas lâminas das adagas e num qualquer fuzil fratricida







António Andante (Ó,Serôdia!)



39

Amei Pouco

Amei pouco...

mas o pouco que amei

amei muito!




António Andante (Ó, Serôdia!)
48

Em Transformação




A vida faz-nos assim duros

e desgastamos as solas dos pés nus

nas pedras da calçada

o lado negro da força puxa-nos para baixo

e vivemos de coração fechado

a nossa carapaça dura e queratinosa protege-nos das flechadas

mas a couraça não é de ferro

e o medo tudo devora

operamos nessa frequência nociva

o monstro com as mandíbulas abertas

devora e despedaça a nossa última réstia de humanidade

temos receio do semelhante e do dissemelhante

colocamos trancas à porta

estamos barricados numa fortaleza quase inexpugnável

mas dormimos com um olho aberto e outro fechado

Dizem por aí que Dart Vader é meu pai

herdei dele esta armadura preta

mas sonho toda a noite que renego esta paternidade

e fantasio que um mestre Jedi me resgatará

a este buraco negro

e serei estrela com luz própria




António Andante (Ó, Serôdia!)










Data:Num passado não muito distante

59

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.