Lista de Poemas
SHITSEEING (Bertholt Friedrich Brecht , o senhor tinha razão)
Acabou a drogaria.
Apareceu a creperie.
Não era comigo,
não me importei.
Fechou a velha retrosaria.
É agora uma boulangerie Alsaciana.
Não era comigo,
não dei relevância.
O sapateiro desapareceu.
Instalou-se naquele lugar uma gelataria.
Não era comigo,
não me preocupei.
A taberna fechou.
É agora um bistrot com palavras esquisitas.
O alfarrabista foi assassinado
por uma loja de artesanato português,
feito num país qualquer,
que nada sabe do galo de Barcelos.
A livraria enforcou-se
com um nó de coragem ressequida.
Não era comigo,
não me incomodei.
Fui corrido da minha casa.
Tarde demais.
&...
Não acontece só aos outros.
2018Mar_aNTÓNIODEmIRANDA
Apareceu a creperie.
Não era comigo,
não me importei.
Fechou a velha retrosaria.
É agora uma boulangerie Alsaciana.
Não era comigo,
não dei relevância.
O sapateiro desapareceu.
Instalou-se naquele lugar uma gelataria.
Não era comigo,
não me preocupei.
A taberna fechou.
É agora um bistrot com palavras esquisitas.
O alfarrabista foi assassinado
por uma loja de artesanato português,
feito num país qualquer,
que nada sabe do galo de Barcelos.
A livraria enforcou-se
com um nó de coragem ressequida.
Não era comigo,
não me incomodei.
Fui corrido da minha casa.
Tarde demais.
&...
Não acontece só aos outros.
2018Mar_aNTÓNIODEmIRANDA
132
(SEM PROBLEMA)
Vamos construindo o caminho
As minas estão claramente
Identificadas
Alinhadas por ordem fonética
Ansiando pelo directo
Previamente combinado
,2022Abr_aNTÓNIODEmIRANDA
As minas estão claramente
Identificadas
Alinhadas por ordem fonética
Ansiando pelo directo
Previamente combinado
,2022Abr_aNTÓNIODEmIRANDA
144
Pai! POEMA PARA ABÍLIO de MIRANDA (1927.12.04 – 1987.11.03)
Podemos começar ouvindo Charles Aznavour cantando
“ La Bohème”ou para momentos mais sérios escutar
a “ Avé Maria “ de Schubert.
Passaram-se dias, muitos deles acompanhados
daquelas cores feitas com lágrimas.
Alguns ainda em que o sangue beijou o chão.
Foi numa terça feira, ao cair da tarde
( sei agora que é o momento em que o sol
vai dormir com a lua),
que me disse as suas últimas palavras :
às 7 vou deixar de ser anão . Levanta-me ! …
E assim, partimos os dois, o senhor abraçando os meus braços.
Ás vezes sinto-me como uma criança perdida,
mirando uma qualquer estrela que passeia despreocupada
lá naquele lugar com um nome tão estranho e tão longe.
Ás vezes sinto-me cansado e durmo como se mil sonhos e
stivessem á espera de me acordar.
A verdade é que estou menos novo, e, a Mãe,o Jorge Faria,
o tio António
e a Guilhermina, já não podem ficar nas fotografias.
A vida vai gastando o tempo
e filtrando na sua imensa paciência, os verdadeiros amigos.
Não me arrependo de lhe ter dito algumas verdades
( daquelas que doem a sério ),
mesmo sabendo que estava pronto para a viagem.
Recordo-me das nossas festas,
das nossas canções, cantadas como só aqueles
que se gostam podem fazer.
Tenho na garganta o sabor daquele “americano”.
Tenho na pele a promessa de tomar conta da Mãe.
Tenho no coração a mais linda declaração de amor
( falava você com a ela), que alguma vez ouvi.
Tenho a certeza que você era diferente dos outros !
Lembro-me perfeitamente quando com um sorriso
cúmplice me dizia : tens lá em baixo livros “novos”.
O que eu aprendi consigo !
Sentado neste banco de memórias,
deixo-lhe a minha saudade.
Não sei qual é a pressa de acelerar a minha corrida.
Afinal a vida continua a ser um lugar estranho para se morrer!
,2013.out30_aNTÓNIO DEmIRANDA

“ La Bohème”ou para momentos mais sérios escutar
a “ Avé Maria “ de Schubert.
Passaram-se dias, muitos deles acompanhados
daquelas cores feitas com lágrimas.
Alguns ainda em que o sangue beijou o chão.
Foi numa terça feira, ao cair da tarde
( sei agora que é o momento em que o sol
vai dormir com a lua),
que me disse as suas últimas palavras :
às 7 vou deixar de ser anão . Levanta-me ! …
E assim, partimos os dois, o senhor abraçando os meus braços.
Ás vezes sinto-me como uma criança perdida,
mirando uma qualquer estrela que passeia despreocupada
lá naquele lugar com um nome tão estranho e tão longe.
Ás vezes sinto-me cansado e durmo como se mil sonhos e
stivessem á espera de me acordar.
A verdade é que estou menos novo, e, a Mãe,o Jorge Faria,
o tio António
e a Guilhermina, já não podem ficar nas fotografias.
A vida vai gastando o tempo
e filtrando na sua imensa paciência, os verdadeiros amigos.
Não me arrependo de lhe ter dito algumas verdades
( daquelas que doem a sério ),
mesmo sabendo que estava pronto para a viagem.
Recordo-me das nossas festas,
das nossas canções, cantadas como só aqueles
que se gostam podem fazer.
Tenho na garganta o sabor daquele “americano”.
Tenho na pele a promessa de tomar conta da Mãe.
Tenho no coração a mais linda declaração de amor
( falava você com a ela), que alguma vez ouvi.
Tenho a certeza que você era diferente dos outros !
Lembro-me perfeitamente quando com um sorriso
cúmplice me dizia : tens lá em baixo livros “novos”.
O que eu aprendi consigo !
Sentado neste banco de memórias,
deixo-lhe a minha saudade.
Não sei qual é a pressa de acelerar a minha corrida.
Afinal a vida continua a ser um lugar estranho para se morrer!
,2013.out30_aNTÓNIO DEmIRANDA

143
A ÚLTIMA VEZ
Diz-me que não estou errado,
quando consigo falar com os anjos.
Só pretendo o abandono
desta dor que mostra
a luz definitiva.
“sister morphine”,
reza comigo, nesta cama,
para o breve sonho da morte.
Beija-me a febre,
com o alegre suor das lágrimas
vermelhas.
Posso agora contar-te
o meu único segredo:
em nada pretendi ser exemplar.
2019out_aNTÓNIODEmIRANDA
quando consigo falar com os anjos.
Só pretendo o abandono
desta dor que mostra
a luz definitiva.
“sister morphine”,
reza comigo, nesta cama,
para o breve sonho da morte.
Beija-me a febre,
com o alegre suor das lágrimas
vermelhas.
Posso agora contar-te
o meu único segredo:
em nada pretendi ser exemplar.
2019out_aNTÓNIODEmIRANDA
134
CUIDADO! OS DARDOS ESTÃO LANÇADOS
Gosto das noites que desenham convites atrevidos
Gosto de rachar segredos
Gosto de passear o futuro
com os pés ausentes da cabeça.
E nos momentos em que a espera
me escreve,
Gosto de afagar a memória
num saudável desalinho
Gosto de embebedar-me exaustivamente,
Uivar Saudar a ousadia das estrelas,
Despoletar o cinto,
Escrever (mesmo com sangue na alma)
que o amor que engana
nem sempre é mentiroso.
Genuinamente só,
Gosto de baralhar o conflito de uma qualquer
intenção fraudulenta.
Adoro esticar a corda até o nó ficar desfeito
continuar a não desperdiçar tempo
no baile de borboletas nocturnas.
Gosto dos convites escritos nos decotes audaciosos. Gosto de sedição sem defeito.
Das estrangeiras sem depilação? Não!
Gosto da ovelha ronhosa
Nunca da mania ranhosa
,2022Out_aNTÓNIODEmIRANDA
Gosto de rachar segredos
Gosto de passear o futuro
com os pés ausentes da cabeça.
E nos momentos em que a espera
me escreve,
Gosto de afagar a memória
num saudável desalinho
Gosto de embebedar-me exaustivamente,
Uivar Saudar a ousadia das estrelas,
Despoletar o cinto,
Escrever (mesmo com sangue na alma)
que o amor que engana
nem sempre é mentiroso.
Genuinamente só,
Gosto de baralhar o conflito de uma qualquer
intenção fraudulenta.
Adoro esticar a corda até o nó ficar desfeito
continuar a não desperdiçar tempo
no baile de borboletas nocturnas.
Gosto dos convites escritos nos decotes audaciosos. Gosto de sedição sem defeito.
Das estrangeiras sem depilação? Não!
Gosto da ovelha ronhosa
Nunca da mania ranhosa
,2022Out_aNTÓNIODEmIRANDA
147
APARAS DO TEMPO
Vazio
Era o seu nome
Só uma vez sorriu
&
isso foi o maior
incómodo
da sua vida
Anda por aí
lapidando aparas
do tempo
2018Out_aNTÓNIODEmIRANDA
153
NA CAMA DA POESIA
Na cama da poesia
nunca se dorme
sem sonhar.
E é assim,
que o poeta descansa
enquanto as palavras
enfeitam os sons do silêncio
e pintam caminhos
a condizer com a maginação.
&
o poeta,
assiste a isto tudo,
nem sempre
com um sorriso
nos lábios.
2017,jul_aNTÓNIODEmIRANDA
nunca se dorme
sem sonhar.
E é assim,
que o poeta descansa
enquanto as palavras
enfeitam os sons do silêncio
e pintam caminhos
a condizer com a maginação.
&
o poeta,
assiste a isto tudo,
nem sempre
com um sorriso
nos lábios.
2017,jul_aNTÓNIODEmIRANDA
145
SILÊNCIO VERMELHO
Infernos íntimos sem ponto de fuga.
Há quem nunca tenha saboreado
o significado da esperança.
Construímos ninhos noutros corpos,
com a mão que treme quando te tiro a roupa,
fazendo da pele uma luva qualquer,
que lentamente enternece todo o amor solitário,
entre paredes que miram o nosso voo,
como se fosse secreto este desejo.
Ninguém verá a nossa máscara.
São tão pontuais estes dias
que a pausa não pode acontecer.
O que impede outros passos?
Quero que continues a vir todas as tardes
e dizer-me este silêncio vermelho das rosas.
Quando partiremos a jarra com este cheiro
bolorento, onde murcham as outras flores?
2015aNTÓNIODEmIRANDA
Há quem nunca tenha saboreado
o significado da esperança.
Construímos ninhos noutros corpos,
com a mão que treme quando te tiro a roupa,
fazendo da pele uma luva qualquer,
que lentamente enternece todo o amor solitário,
entre paredes que miram o nosso voo,
como se fosse secreto este desejo.
Ninguém verá a nossa máscara.
São tão pontuais estes dias
que a pausa não pode acontecer.
O que impede outros passos?
Quero que continues a vir todas as tardes
e dizer-me este silêncio vermelho das rosas.
Quando partiremos a jarra com este cheiro
bolorento, onde murcham as outras flores?
2015aNTÓNIODEmIRANDA
165
SONETO DO AMOR AUSENTE
De ti me fica a lembrança
Do amor por nós não entendido
Do tempo sempre sofrido
Passado nas ausências da esperança
Nesta estranha forma de dança
Mais do que eu, triste é o meu fado
Que se perde no beijo desesperado
Escorrendo do tempo a mudança
Foi-se a hora da paixão
Gasta nos abraços clandestinos
O que nos uniu foi o fracasso
Feito no engano da ilusão
Nos abusados desatinos
Num amor tão breve e escasso
jul03/2006,aNTÓNIODEmIRANDA
Do amor por nós não entendido
Do tempo sempre sofrido
Passado nas ausências da esperança
Nesta estranha forma de dança
Mais do que eu, triste é o meu fado
Que se perde no beijo desesperado
Escorrendo do tempo a mudança
Foi-se a hora da paixão
Gasta nos abraços clandestinos
O que nos uniu foi o fracasso
Feito no engano da ilusão
Nos abusados desatinos
Num amor tão breve e escasso
jul03/2006,aNTÓNIODEmIRANDA
167
O TEMPO DA CANÇÃO FELIZ
Guardava sempre no bolso aquela ideia
que constantemente lhe fugia da cabeça.
_Encostado à parede das sensações saborosas,
enroscava o carinho que vestia os seus passos.
_Depois, sentado na espera habitual,
mirava a própria sombra que lhe mostrava o caminho.
_Serrava o olhar num assomo de respeito,
e desenhava na memória a estrada que lhe apetecia.
_Nunca olhava para trás._
Seguia página a página, a estrela que um anjo,
há muito tempo pintara._
Leu de relance os livros que lhe forraram a vida,
e num ápice majestoso,
abraçou os blues que lhe vestiam a pele.
_ Pegou em si, com toda a precaução,
e seguiu na companhia do tempo que tanto o estimou.
,2018jan_aNTÓNIODEmIRANDA
que constantemente lhe fugia da cabeça.
_Encostado à parede das sensações saborosas,
enroscava o carinho que vestia os seus passos.
_Depois, sentado na espera habitual,
mirava a própria sombra que lhe mostrava o caminho.
_Serrava o olhar num assomo de respeito,
e desenhava na memória a estrada que lhe apetecia.
_Nunca olhava para trás._
Seguia página a página, a estrela que um anjo,
há muito tempo pintara._
Leu de relance os livros que lhe forraram a vida,
e num ápice majestoso,
abraçou os blues que lhe vestiam a pele.
_ Pegou em si, com toda a precaução,
e seguiu na companhia do tempo que tanto o estimou.
,2018jan_aNTÓNIODEmIRANDA
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