O LUTO DA VIDA
Do
coração surgem risos
Como
um rio d’água límpida.
Aquele
que sente a alegria
N’alma
com risadas sem espinhos.
O
velho palhaço, de sonhar, anda sorrindo.
Ele
também ri com o público
Sob
os aplausos da imensa plateia,
Na
maior monotonia que existe em si.
Há
tantos palhaços tristonhos!
Que
fazem brotar da dor a alegria
Lapidando
pedras preciosas.
Oh
palhaço velho! Tão lascivo!
Além-mar
vão seus pensamentos
Voando
pelo tempo e pairando nas nuvens.
O
rio é água
A
água do rio
Que
corre
O
rio, a água...
O
rio que corre.
Correndo
sempre
A
água do rio.
Não
consigo falar só de pensar... Eita inverno...
Todo
inverno é a mesma coisa na minha casa,
Cai
um sapo do telhado, um repugnante sapo
Um
sapo asco...
Calado
cai em cima de mim, um sapo...
Splesh...
ouço sapos caindo ao chão.
Tem
sapo em cima do sofá
Sapo
em cima do colchão
Tem
sapo dentro do copo
E
do copo sapos caem ao chão
Em
busca de novos abrigos
Para
a diversão...
Mas
sapos são sapos, não tem discussão.
Se
são bonitos ou não eles caem ao chão...
Sapos
frios, frios sapos do verão
Que
aparecem no inverno
E
vários caem do telhado...
Será
uma chuva de sapos?
Sapos
malditos que se espatifam neste chão
E
pulam sempre sem uma exata direção...
Mexendo
com tudo e todos
Uma
verdadeira ilusão.
SaPoS
saltitantes, uma só sensação!
Splesh...
Opa! Caiu outro sapo ao chão.
Que
magnitude tem o político!
Numa
arte tão eficaz chamada corrupção
Consegue
colocar o povo na palma da mão.
E
o que é brincadeira é sua arte de enganar!
Fazem
sempre muitas promessas
E
no final acabam a lucrar.
Com
o dinheiro do povo
Logo
um carro novo irá comprar.
Numa
mansão a residir,
Sentado
sem fazer nada
Com
apenas os sacos a coçar...
Esta
é uma grande arte
E
é somente o político brasileiro
Que
consegue se superar.
Esse
talvez seja o principal artista do circo brasileiro...
Um
palhaço picolé ele não é,
Mas
em tempo de eleição pega muito no nosso pé,
Ou
melhor dizendo, na nossa mão.
Ouço
as cores e o som melodioso!
Um
Encanto! Uma Beleza! Uma Suavidade!
Que
Magnitude! Que Alvura!
É
o som melódico dos pardais.
E
no compasso da melodia
Balançam
os galhos da caramboleira,
Num
ritmo alucinante!
Fantástico!
Esplêndido! Brilhante!
Voando
as serras bem distantes
Voam
para o infinito em busca de paz,
Cantarolando
sempre, esses tais pardais!
Essa
mistura de sentidos
Encantam
meus ouvidos,
Levando-me
ao paraíso sem fim...
Numa chuva ventosa
Ando numa dolência
íngreme...
Apreciando a paisagem
tenebrosa,
E os relâmpagos que
surgem temo.
E num temperamento
ineficaz
A chuva geme em uma
dor plangente,
Bate forte no telhado
em paz!
E numa obscuridade
presente...
Ah, chuvas passageiras,
frias e grossas...!
Soluçando nos
telhados,
Chorando ao vento....
Balançando das
árvores os galhos.
E neste som
contagiante
Grito num desespero
grande:
─ Parou a chuva
delirante!
─ Parou a chuva
amante!
Nesta chuva tão
perfumada
Ouço as gotas, sua grandeza,
Sua forma tão límpida
e clara!
E num repúdio tão rejeitado,
Deixo a chuva então
de lado,
Fecho meus olhos
lasso
E ponho-me a dormir.
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