O LUTO DA VIDA
Numa desilusão eterna
Vejo um fimcalamitoso.
Ponho as mãos nacabeça,
Uma dor contundenteme move.
E num desapegofraterno
Entre o céu e oinferno
Canto minhasmelódicas canções
Cheias de trevas, demágoas e de dor.
Tudo está prestes avirá pó.
É como uma corda adar um nó,
Um desvario a seesclarecer,
Um pungente grito desocorro.
E quem dera nestejuízo final
Seremos julgados aolado infernal!
Sob a morte ao fim deuma vida,
Todas as espécies deDeus estarão extintas!
Todos nós que dizemoscristãos
Somos canibais deCristo
Por sua ordemexpressa,
Pois somente assimnos salvaremos.
Foi Jesus quem disse:
“Comei minha carne ebebei do meu sangue”.
O pensamento de JesusCristo
Para seus grandesfieis...
Somente assim seremossalvos!
Numa sublimeadmiração
Fico a contemplar océu.
Uma pureza em mãos,
Borboletas de papel.
Que imaginaçãoincrível!
Fico a me perguntar:
O que foi isto?
Um clarão surgia domar.
Borboletas de papel
Surgem do céu
Atrás das púrpurasrosas do Cairo...
E voam entre osjardins de mel
Entre as flores davida.
Surgem entre as maisqueridas flores
As borboletas depapel.
Conheçotantos poetas do amor!
Queescrevem canções de amar!
Amamcom apenas um simples olhar
Dever brotar na terra uma linda flor!
Queriatambém amar, mas não há sentimentos
Porquenão sei o que é amar.
Seeu não me amar como vou amar?
Amarse não amar a vida
Amaro sol, amar a lua, amar a brisa...
Hojeestou afogado no mar dos sonhos
Vendoo tempo passar sem amar
Porque AMAR?
Ah,este sentimento impiedoso, atroz, funéreo
Sinto-mepreso dentro de um cárcere eterno...
Nãoconsigo ver a luz no fim do túnel...
Estátudo escuro, um grande mistério!
Averdade do amar é o silêncio...
Umamor não correspondido,
Amaré a mais pura fantasia
Quesó me causa agonia
Queriaapenas uma vez amar e me apegar
Mascomo vou amar se eu não me amar primeiro?
Descrevoo meu gênesis,
O meu começo, o início de tudo.
Introduzomeus versos repletos de luz!
Eno meu próprio Éden desconhecido
Criomeu fabuloso jardim, cheio de árvores...
Massão árvores do conhecimento, minhas poesias.
Reinventopalavras, descrevo sentimentos!
Mergulhonum rio sereno,
Mascom cuidado para não me afogar.
Oconhecimento é vasto e creio em sua infinitude,
Porisso não mergulho no fundo do rio...
Porqueainda não aprendi a nadar,
Porquehá sempre algo a se aprender,
Porqueo conhecimento é vasto e infinito!
Ando,levemente, sob águas rasas
Corroentre morros em plena madrugada
Vejo-medistante de um tempo não presente
Poisa vida – esta envolvente –
trazlembranças ausentes...
Desvio-medo que se faz reluzente
Paramais tarde ouvir o ruído do sol que geme,
Aesperança aqui não mente,
Quantafalta tu me fazes!
Tenhoapenas lembranças de ti, ó doce amada!
Vejoas nuvens que parecem espumas encantadas
Elembro-me de ti, mulher fingida e calada,
Queroapenas te sentir novamente.
Porque te apaixonaste por aquele bando de araras?
Tucriaste asas para voar junto com estes pássaros
Passeando,em plena alvorada,
nolindo céu que te aguarda.
Poronde andas agora? Ó minha amada!
Lembrançasque nem o tempo apaga,
Poisaqui se tratam de lembranças amargas
Quesó destroem cruelmente minha pobre alma.
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