Aristides Jerónimo

Aristides Jerónimo

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Suposições

Goin', Comin', Fallin'

Se estes céus fossem mar 
Para poetizar nas ondulações
Para verter minhas palavras,
O sopro de minha vida,
Para moldar o mundo em versos de poesia
Para fazer ondas versar como monções

Se este mar fossem os olhos teus
Para me guiar sob teu olhar
E assim, procurando pelo meu
Sob o céu mais sombrio, num dia frio
Mesmo nas manhãs mais nebulosas

Nunca escapar de ti
Porque se de tristeza o mundo for
Como se pintado na mais triste cor
Dor, sem nada que paralele o amor
A existência se findasse
Como se por nada vivesse

Seja minha poesia o mar 
Poesia beirando cantares divinos
Trilhando o céu, criando caminhos
Indo, indo e subindo
Diferentes dos céus que choram como chuva
Lágrimas gotejantes
Vindo, vindo, caindo
...

                                            Atila J.
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Poemas

15

Suposições

Goin', Comin', Fallin'

Se estes céus fossem mar 
Para poetizar nas ondulações
Para verter minhas palavras,
O sopro de minha vida,
Para moldar o mundo em versos de poesia
Para fazer ondas versar como monções

Se este mar fossem os olhos teus
Para me guiar sob teu olhar
E assim, procurando pelo meu
Sob o céu mais sombrio, num dia frio
Mesmo nas manhãs mais nebulosas

Nunca escapar de ti
Porque se de tristeza o mundo for
Como se pintado na mais triste cor
Dor, sem nada que paralele o amor
A existência se findasse
Como se por nada vivesse

Seja minha poesia o mar 
Poesia beirando cantares divinos
Trilhando o céu, criando caminhos
Indo, indo e subindo
Diferentes dos céus que choram como chuva
Lágrimas gotejantes
Vindo, vindo, caindo
...

                                            Atila J.
241

Misses

Tenho saudades de uma flor
Uma saudade que não desgruda
Uma vontade que não passa, não some, não muda
Saudade que me esconde a luz da face tua
Saudades daquela energia, saudades de uma flor que colhi na lua

Tenho saudades do toque dela nas manhãs
À espera do sol, à minha janela, esperando a vida
Saudades daquela flor, do seu perfume tatuado em minha memória
A falta que você faz, essa dor que criou raízes
Me faz te buscar por aí
Esperando te alcançar nas fantasias que vivi
Nas pessoas, nos aromas, nas vielas, nos becos e ruas
Te busco, flor. Nos sentidos que já não vejo
Nos vazios que não preencho
Nas forças que já não tenho
Sinto saudades
Busco por essa flor
Com minha vida às metades
Enquanto uma dose de caos me tortura

Tenho saudades de uma flor
Um amor que semeei na lua
( E fumei.)
                                                          Atila J.
246

Manchas

Um pouco de mundo
Uma mancha de ser
Um grito calado
Um resto de tudo

Vidas
Bocados de sonhos espalhados pela cidade
Denunciados em órfãos e pedintes
Espalhados por aí, largados pela urbe

Mas nada muda
Para os que carregam almas mudas
Aos apressados, sobrecarregados
Aos de passos maquinados, nada muda
Quando as súplicas convidam lágrimas
O desespero a doença
E a fome tolera o furto
Quando os as manhãs de sol são negras  e longas, 
Quando o morrer oferece portas e os sorrisos são curtos
234

Odes s Segredos

ODES

Quando o verde se adornava de orvalhos
Quando o dia trajava beleza
E o sol desaparecia sob a miragem dourada
Quando o céu azulado murchava e enegrecia
Dando lugar à musa prateada

Quando novas estrelas se despediam
Nessa vida que somos todos passageiros
E o sol despertava sob os lençóis da madrugada
Ao ritmo das aves que cantam harmonizadas
E a manhã desabrochava

Quando um abraço falou mais que palavras
Porque no silêncio tudo era saudade
E o vazio convidava a lágrima
A dúvida se instalava
Quando a mente se fazia cega
E a esperança perdia asas e tombava

O vazio trouxe o esclarecimento
Das verdades que a ausência segredava
Quando o vento roubou certos desejos
Que a espera negava

                                             ATILA J.
224

25

Minha tristeza hoje navega
Sobre aguas de lembranças
Tão ternas como no calor
No riso, na alegria de ser criança

Meus medos são eternos, como a noite
Silentes como o vazio que tudo alcança
Quando a noite fria, quando escurece a esperança

Sol. Lua. Prazer, minha boa amada nua
Luz, trevas e negrura, na noite calma
E cheia de amargura...
240

How it's lose you was

When did I know I had lost you? 
When did I finally know what it was to lose?
When did I start writing poems for another woman? When did I look for you ... When the echoes of your name became a colorless memory 
When your eyes, once a beacon, no longer knew how to see me 
When I called you and the wind gave me no answers
 When time made us a broken portrait When your steps disappeared without a trace on the ground
 When I waited for you without knowing that you were no longer coming 
When I discovered that waiting is a way to die 
When I was a shadow of what we were When my laughter learned to be vain When loving you became a late mirage And everything in me fell silent in the darkness

217

8 anos

Ele encarava o destino com aquele olhar maquiavélico, e este retribuia
De certa forma eram dois indênticos
Dois próximos, dois mesmos
Fazia de si a esperança para muitos
E a vida passava farisaica por ele inteiro
Vivia os dias no mais completo monólogo
Intolerante aos demais prazeres
Banhava-se na mais amarga melancolia
De certa forma, era mais fácil assim, mais ele
Brotavam sorrisos, claro, mas o rosto moribundo não os podia mostrar, nem conseguia
Tinha um certo destaque entre os outros
Podia nublar a mais alegre poesia, 
Hossanas passavam à elegias
Preferia o negro ao belo
As alegrias doava ao vento
Vivia de cinzento a cinzento
Admirava campos de girassóis,
excepcionalmente numa noite estrelada
Tinha o olhar cruel
Mesmo em sua aura mais pura
Era belo, mas triste
A mais triste criatura.
 
                 

9

Empty Pleasures


As paredes segredam o frenesim
Naquele chão empalidecido pelo tempo e pela espera
Ela desce enamorando o chão
Avança pela sala, um leve sprint a cada degrau
Vem tal qual uma leoa
Vitimando o alvo com aquele olhar fulminante
E vem, deixando o seu perfume por cada canto
A cada toque, em tudo quanto toca
Ela trazia o paraíso no olhar
O céu naquele corpo quente
Trazia o inferno internamente,  e na sua mente
O prometidos beijos, arranhões e anseios
Daquele lazer privado há bastante
E com o alvo alcançado
As roupas há muito no chão, e de frente
A lua em segredo testemunha aquele deleite latente
E o fervor toma conta de tudo
As cavalgadas com ímpeto titânico
Invocam gritos turgescentes
E continuam, ziguezagueando os corpos, o ar aquece
E de quando em vez, entre gemidos
Seguem unidos da cabeça aos pés
Quebram as barreiras pela emoção
E com as notas no coração
Vão soltando desenfreadamente os desejos  selados em si
E repetem os mesmo gestos
Obedecendo os comandos do desejo
Aceleram e param a gosto
E, em tempos, desprendem orgasmos flatulentos e demorados
Naquele chão empalidecido pelo tempo e pela espera.

                                                      Jheronimus

 

18

Mull

Embriago-me em minhas emoções por nada
Uma brisa ao anoitecer, um vislumbre de mul e nanna
Uma melodia suave em tom de amor
É o bastante
Vejo mais prazer nos passos que na caminhada
Do muito ao pouco, faço a vida aos bocados
Distancio-me do centro, do foco
Que há mais espaço nos lados
Aprendi a eternizar breves instantes
Desejo o melhor como todos
Porém, vivo bem no mais simples
Um abraço sincero, um pequeno beijo
Um ambiente pastoril, um livro
À nota da mais singela guitarra
Na companhia de uma bela mulher
Álcool apenas às vezes
A vida me ensinou em poucos versos
A compor a minha própria existência
A desfrutar o encanto da minha pequenez
Do meu proprio beijo, da minha própria aura
Faço-me feliz, assim, na companhia desse luar.
 

7

(...)

Vi-a numa noite mal iluminada, cabisbaixa
A lua parecia querer curar-lhe a solidão
"Conta-me uma mentira fria
Daquelas que congelam um coração"
Disse-me.

"Amo-te." 
Respondi.

148

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