Rio Douro
Rio Douro
Arribas do Rio Douro
Que tantas vezes subi
Ó que saudades eu tenho
Quando me lembro de ti
Tens contornos tortuosos
Escarpas que não têm fim
Serpenteando as arribas
Altas fragas e o alecrim
Onde aves de rapinas
Têm condições ambientais
Nos penedos rendilhados
Águias, abutres e mais
Têm seus ninhos escondidos
Das raposas predadoras,
O lobo, a tal não se atreve
Prefere caça das pastoras
Gigantes fragas escarpadas
Pela erosão milenar
Tingiu de cores variadas
Com efeitos a imaginar
O número dois, podemos ler
Nas fragas do lado espanhol.
Quem não acredita, venha ver
E ouça o canto do rouxinol.
Entras por fragas abruptas
Neste querido Portugal
Aos poucos interruptas
Com tua calma natural
Rio Douro, Rio Douro
Quantas enguias comi,
Tu és o maior tesouro
Dos rios que eu já vi.
São Paulo, 11-09-2012
Armando A. C. Garcia
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Fragmentos - II
Fragmentos - II Treva monstruosa, que o mundo infesta Empáfia gente que não olha onde pisa É uma humanidade que só pensa em festas Roupas de grife e uma boa camisa Falam da pátria sem presença e civismo Falam de amor, só em sexo pensando A sua atitude é de puro egoísmo Crise de expressão qu’estão fragmentando Há um vácuo espiritual em cada ser Se estou errado, alguém me contradiga Na vida, seu nome é alguém, um qualquer Cruzam o tempo, sem oração, sem fadiga O curso de suas vidas, flui no presente Os livros de Deus não têm mais as letras É a dissolução do amor, o inferno ausente É este o homem de hoje, com seus et cetras São Paulo, 10-09-2012 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
De bica em bica
De bica em bica
Em quase todas as bicas as cidade
A sede que a devorava saciava
E assim, procedia, desde tenra idade
De bica em bica, outra bica procurava
Assim na vida, passava seus dias
Buscando saciar sua gula hiulca
Seus favores tinham curtas alegrias
Duração que no bem entender inculca
De bica em bica, sempre outra procurava
Sua idade, apoucou o excesso de secura
Foi-se tornando sem querer menos escrava
Nesta vida, tudo é bom, enquanto dura.
Porangaba 08-09-2012
Armando A. C. Garcia
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Sublimidade !
Sublimidade ! Porque rejeitais tanto os meus quereres O que quereis de mim, minha senhora Vós que sois a fonte excelsa dos prazeres Volvei para mim, vosso amor de outrora Deixai-me desfrutar de novo esse convívio Vós que em tempos passados, amar-me dizíeis Vossa presença, será para mim um alívio Deleitar-nos-emos o quanto poderíeis Assim senhora, provareis que me amais Como amantes que fomos, noutras eras Com vosso desejo, amar-me-ás, inda mais Deixa que teu coração ao meu se renda E vós, que me recusais em todas as esferas Vereis em mim um baluarte, uma prenda! São Paulo, 05-09-2012 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
Será paixão !
Será paixão !
Será paixão descontrolada,
Arrebatamento sem fim
Sinto a mente desmiolada,
Se estás ausente de mim
Tuas lembranças *atávicas
Têm o olor do jasmim
Como **adaras arábicas
Vivendo um sonho sem fim
Numa alquímica perfeita
Igualmente conhecida
Nossa união se estreita,
Nossos peitos dão guarida
Devagar, sempre avançando
Nosso amor se concretiza
Crescendo, ramificando
E aos poucos se eterniza
Um devaneio, um sonho
Vos peço condescendência
Se desfeito, é tristonho
Por sua ***degenerecência
Finjo tanto acreditar,
Nesta mentira fingida
Ser verdade, chego a pensar
Seres tu, meu amor na vida!
São Paulo, 04/09/2012
Armando A. C. Garcia
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- Ornada; aformoseada
**Virgens árabes
***decaimento; definhamento
Mente nefelibata
Mente nefelibata
*Nefelibata ficou a minha mente
Não perdida em sonhos, mas acordada
Inexpressável a tragédia de repente
Com a sentença a casa foi-me sequestrada
Na solidão sofro, o amargor da sombra
Que escureceu de linhas funéreas
E na realidade me prostra qual **lombra
Farpeado que fui na decisão ***vipéria
Que tirou de mim um bem que a duras penas
Construí, e tijolo por tijolo foi regado
Com sacrifício. E ele, tocava sua ****avena
Em místico sonho, de um sonhar safado
Em que espera qual felino sua presa
Pra dar o bote, quando não é esperado.
São Paulo, 04/09/2012
Armando A. C. Garcia
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- Quem vive nas nuvens
**efeito do uso da maconha
***venenosa; peçonhenta
**** flauta pastoril
Em breve darei nome aos bois.
O Bem (soneto)
O Bem. (soneto) A sensação do bem em que consiste Senão num estímulo físico *aferente À qual a felicidade dá auguro latente E enxuga a lágrima daquele que está triste É tal primavera esplendorosa Que, com certeza coexiste em cada ser É a palavra sublime e carinhosa A sensação do bem, é o bem viver Tem na essência o perfume delicado E cabe no peito de qualquer ser humano Benefício que deve ser multiplicado Levando a alma ao patamar angelicano Ante o caminho do bem purificado Que nos conduz ao logradouro olimpiano São Paulo, 28-08-2012 (data da criação) Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com · Que conduz
Tuas juras
Tuas juras... E se as juras valessem Serias tu a culpada Tuas apalavras fenecem Ao longo da caminhada Se triste foi o anseio Mais triste a realidade O castigo veio em cheio Na jura da falsidade Que te faça bom proveito Aquele por quem me trocaste Tua jura, não teve jeito Pois com ela me enganaste Naqueles loucos momentos De beijos e juramentos Que de recordar me dá pena De palavra tão pequena No íntimo era tão falsa Como falsa a dona dela Desdenhosa e ingrata E metida a aristocrata A dor mais triste e cruel Consome alma e coração Bem mais acre que o fel É a dor duma traição Certas mágoas nesta vida Que cego amor nos impõe Até a ilusão é vencida Quando algo se interpõe São Paulo, 27-08-2012 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
A Mocidade
A Mocidade !
O auge da mocidade
É o auge dos desenganos
E ao crer na falsidade
Tanto mais, nos enganamos
Nem na palavra de Deus
Cremos com sinceridade
Somos uns semi-ateus
Presunçosos de vaidade
Mocidade é passageira
É tal nuvem que passou
A vida, é pra vida inteira
A mocidade voou !
A mocidade é veloz
Passa igual furacão
Deixa marcas no retrós
E marcas no coração
Muito sonho, muita espera
Audaciosa, extravagante
É uma linda primavera
De um inverno distante
Tem o perfume da flor
Na exuberância da vida
Tem mais viço, tem mais cor
É primavera florida
Depois dos trinta, geralmente
Aumenta a compreensão
Com decisão mais prudente
Sem impeto e afobação
São Paulo, 28-08-2012
Armando A. C. Garcia
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Amor traiçoeiro
Amor traiçoeiro !
Entreguei meu coração
Ela nunca em mim pensou
Seu amor foi ilusão
Que no tempo se acabou
Nem tudo enfim se perdeu
Das vis palavras fingidas
Algo em mim aconteceu
Nas promessas descumpridas
Rude golpe traiçoeiro
Que ainda me faz sofrer
Teu amor aventureiro
Só me fez foi padecer
Foram falsos teus carinhos
Como falso teu querer
Tu, escolheste os caminhos
Não podes retroceder
Tanta maldade escondida
No peito que me abraçou
Eras minha pretendida
O Teu amor fracassou
Toma cuidado onde pisas
Poderás escorregar
A vida nunca avisa
Quando o chão te vai faltar
Sinto profunda amargura
Tenho na alma lamentos
Sendo falsa tua ternura
Ela era meu aprazimento
São Paulo, 27-08-2012
Armando A. C. Garcia
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