Pedi a Nossa Senhora dos Prazeres
O prazer de te encontrar. Encontrei.
Por burrice, esqueci de lhe dizer
Que te amava e que sempre amei !
Não posso reclamar da sorte,
Nem tampouco do pedido
Mesmo nas agruras da morte,
Vejo que ele foi atendido
Na verdade eu não pedi
Para tu ficares comigo
Na confiança, esqueci
De o pedir. Eis, meu castigo
São as farpas do destino
Cravadas no coração
Dum pedido libertino
Sem pedir a tua mão
Fugiste mais uma vez
Atropelando a esperança
Pela minha insensatez
Desforro, como vingança
Tem compaixão deste amor
Que te amou a vida inteira
Não o deixes por favor
Esperando em geladeira
Parece castigo do céu
Esta minha solidão
Que resiste ao sonho meu
Desta bendita paixão
Lenimento que acalma
Fulgência do teu olhar
Bálsamo de minha alma,
- Não me deixes a esperar !
São Paulo, 26/10/2013
Armando A. C. Garcia
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502
Singelas Trovas
Singelas Trovas
Tem folhas de laranjeiras
Voando no meu pomar
Moças lindas e solteiras
Nenhuma que me queira amar
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Pálida rosa amarela
No pé, a erva daninha
Sugou toda seiva dela
Levando o caos à pobrezinha
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A duas quadras da rua
Onde mora o meu amor
O meu coração flutua
Feito disco voador
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Já caminhei pela rua
Carregando imensa dor
Somente as pedras da rua
Ouviram o meu clamor
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Teu ninho de encantamentos
Que um dia me seduziu
Hoje, é ninho de espinhos
Que meu coração feriu
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No pungir de meus desejos
E o coração a palpitar
A boca espera teus beijos,
Beijos que tu, não queres dar
----------------------------------- Só sente tédio na vida A mente desocupada, Ao que labuta, a fadiga, Não deixa pensar em nada ------------------------------------- Os pensamentos do homem Perdidos em conjeturas A sua alma consomem Em dias de amargura ! -----------------------------------
São Paulo, 26/10/2013
Armando A. C. Garcia
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562
Fez da casa o baluarte
Fez da casa o baluarte
Há um silêncio profundo Desde a criação do mundo O homem com sua arte Fez da casa o baluarte
Nas cavernas a primeira. De pau a pique e esteira Foi arquitetando melhor Até chegar ao promissor
Sua força sempre usou Nunca nada lhe faltou Na senda desse progresso Alcançou o seu sucesso
Com suas mãos e labor Intelectual, ou servidor Reformulando conceitos Sem perenizar defeitos
Na obra do Criador Foi pedreiro, agricultor Conquistador e guerreiro, Alfaiate, sapateiro
Amante da liberdade Defensor da integridade. Desde o início foi assim Lutou por séculos sem fim
Foi escravizado e liberto Retrocedeu, não foi certo Dezoito séculos atrás Da era que hoje estás
Hamurabi, o rei sábio De sua boca e seu lábio Com uma visão apurada À humanidade devotada
Criou as lei de justiça Que até hoje, a cobiça Não as deixa aplicar No contexto de *acoimar
Aquele tempo, vejam só Nem Josué em Jericó Mediante poder Divino Ao Ser, deu maior destino
O tempo foi-se passando O homem se aprimorando Quase tudo evoluiu Vejo, que a lei, regrediu
Esse rei era tão sábio Criou com seu alfarrábio Duzentos e oitenta artigos Pra punir os inimigos
Da paz e da harmonia Pra manter a calmaria De seu reino, de seu povo, Jogando os ruins no covo
Hoje, tal não acontece Sofre o povo, se aborrece O inimigo dá risada Goza da lei, dá porrada
O povo é crucificado Morto na rua, no prado Mata, as vezes que quiser Nada vai lhe acontecer
Essa lei, que hoje aí está É mais digna de satã Que do seu adversário Mesmo que seja falsário
É situação desonrosa No bom sentido da prosa Tropeços, sobre tropeços Inflação, altos preços
Gente que luta e labuta Que não vive mais na gruta Mas que tem de se esconder Sem lei, para a defender
Construiu prédios e casas, Voou, como tendo asas Foi à lua, vai a marte Vai enfim, a toda parte
Percorrendo o infinito É tudo muito esquisito Se não tem dentro de si Vero amor, só frenesi
Com muita dificuldade. Muita força de vontade Vai superando os agrores Esperando dias melhores
Enquanto estes não chegam Os bons a Deus se achegam Como pobres inocentes, E até parecem doentes
Que o mal não sabem extirpar Deixando-o campear No seio da sociedade Ferem nossa liberdade
Até quando minha gente Teremos na nossa frente Um governo desastroso Que não prende o criminoso
E ainda lhe dá perdão Saídas com permissão E o pobre, o que labuta Vive, igual a prostituta. * castigar; punir
São Paulo, 25/10/2013 Armando A. C. Garcia
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Algumas das leis do Código de Hamurabi:
- Se alguém enganar a outrem, difamando esta pessoa, e este outrem não puder provar, então aquele que enganou deverá ser condenado à morte. - Se uma pessoa roubar a propriedade de um templo ou corte, ele será condenado à morte e também aquele que receber o produto do roubo deverá ser igualmente condenado à morte. - Se uma pessoa roubar o filho menor de outra, o ladrão deverá ser condenado à morte. - Se uma pessoa arrombar uma casa, deverá ser condenado à morte na parte da frente do local do arrombamento e ser enterrado. - Se uma pessoa deixar entrar água, e esta alagar as plantações do vizinho, ele deverá pagar 10 gur de cereais por cada 10 gan de terra. - Se um homem tomar uma mulher como esposa, mas não tiver relações com ela, esta mulher não será considerada esposa deste homem. - Se um homem adotar uma criança e der seu nome a ela como filho, criando-o, este filho quando crescer não poderá ser reclamado por outra pessoa.
602
As mãos do fado
As mãos do fado
Unir meus dias aos teus Meu primeiro pensamento Mas por vontade de Deus Não tive o merecimento
Pensando que t’esqueceria Vi os anos se passarem Lutei, o quanto podia Pra’s saudades, isolarem
Quanto lutei, só eu sei Minha prece não ouvida. -Eu juro, que confiei Ser uma causa perdida
Minha sorte, foi mesquinha Foi cruel e desumana Fazer-te minha rainha, Tal idéia, foi insana
A dor que rala, dispara Desilusão tão sofrida, Que as mãos do fado separa Em derradeira despedida.
Porque desventura tanta Quem ama deva sofrer Nem mesmo, a virgem santa Se condói d’seu padecer.
Não sucumbe tua imagem Em minha imaginação Ela, já fez hospedagem Dentro do meu coração !
São Paulo, 24/10/2013 Armando A. C. Garcia
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561
Esta Criatura o Homem
Esta Criatura o Homem
Este Ser de carne e osso circunscrito
Tem na comunicação, sonora ou visual
A capacidade de comunicar ao infinito
De um ponto a outro, por fala ou sinal
Agarrado ao tempo da imortalidade
Tem alma e pensamento unificado
Em oposição ao corpo, sensibilidade
De discernir a virtude do pecado.
SãoPaulo, 15/10/2013 Armando A. C. Garcia
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Leia- O Homem ! – publicado no meu blog:brisadapoesia em agosto 2011 e na usinadeletras
nodia 18/03/2009 -
O HOMEM !
Esse ser enigmático, pragmático Irreverente, superficial, herói Cheio de contradições, problemático
Com reflexos de sabedoria e bondade Ora temperados de raiva e mau humor Entrechocam-se, entre a vida e a eternidade