A antítese no preço da passagem Não foi somente ela, o estopim O povo cansado da libertinagem Saiu às ruas para pedir um fim
Um fim, à corrupção e ao crime Ao que erra, mais rigor na punição, Punição ao menor, que não o anime Nem ao roubo, nem à malversação
Nosso povo abomina tais abusos Justaposição a tão vis afrontes Que se antepõem aos costumes e usos À moral, à paz, a novos horizontes
Aumento no preço do arroz e do pão Do café, do açúcar e do feijão Tudo aumenta e diz qu’não há inflação O povo está cansado de submissão
De fronte às ironias e lacunas Na guinada do ângulo obtuso Qual a onda do mar frente às dunas Em face ao descaso e ao abuso
Porquanto, logo após a eleição Ignoram compromisso assumido. Nas campanhas, beijam a tua mão Depois, o nada é sempre repetido
O povo cansado deste marasmo Extrema atonia, indiferença Foi às ruas gritar contra o sarcasmo Clamar em prol de sua independência.
Não serão tolas balas de borracha Da nobre tropa de choque em ação Nem o tropel dos cavalos no racha Que irão calar o grito da nação !
Porangaba, 19/06/2013 Armando A. C. Garcia
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Convulsões Nacionais
Convulsões Nacionais
O povo está descontente, enfurecido Vez que, tudo que lhe foi prometido Foi-lhe negado pelo legislativo Que só quer seu voto, seu voto ativo
Em turbas invadem toda nação Alvoroço, tumulto, confusão A depredação mostra o descontento O parco salário, mal dá pro alimento
Consecutivos aumentos de preços Têm gerado descontento, desapreços Nosso povo já está desiludido De tanto discurso, nunca cumprido
Certamente os políticos se esquecem Promessas, prometidas, esvaecem Porque uma vez eleitos, são excelências Nós, pra eles, meramente as excrescências
Soa o grito de espanto e desabafo A nação se alvoroça, solta o sarrafo A polícia intervém e mais se agita O povo pelas ruas clama e grita
O governo faz ouvidos de mercador Não quer de seu povo ouvir o clamor Agigantam-se a cada dia passeatas O povo quer passagem mais baratas
Quer menos corrupção, mais punição Quer ver punido de verdade o mensalão Menos gastos, melhoria e prevenção Na saúde, segurança e educação
Porangaba, 18/06/2013 Armando A. C. Garcia
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Hino à saudade
Hino à saudade
As paixões se estiolam com o tempo No ancoradouro triste da saudade Fincando de mágoas nesse entretempo O doido coração que amou de verdade
Preso nas chamas da combustão, amor ! Naturalmente sem a presença de quem ama Crepúsculo decrescente, mágica flor Que com o vento forte, aumentou a chama
De todas as desventuras, esta é a maior Cravando nos flancos esporas de terror Sangra o coração esvaído pela dor
Opressa a alma exangue, clama o amor Mas este, já longe não houve o clamor Deixando na saudade... a imensa dor !
As ignomínias caíram sobre sua cabeça Tenebroso abismo, sem nada que o impeça No mundo insano cheio de ceticismo Onde a dúvida gerou intenso misticismo
Entre os escombros do despotismo ao seu redor A descrença, ergueu-se soberana intangível No labéu da pecha, ainda há o rumor A questionar por sua vez o inconcebível
Os negrores da alma de nebulosas cores Tingindo de escuridão a santa ignorância E sem inclinação de proferir louvores
São incapazes de transpor ao topo azul A alma hirsuta, a uma melhor instância, Atravessando o mundo do norte ao sul !
Porangaba, 15/06/2013 Armando A. C. Garcia
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Dói-me ver-te
Dói-me ver-te
Dói-me ver-te com a alma entalhada Entre as efêmeras teias da mentira A natureza espiritual estraçalhada Tal sombra perdida, que não se retira
Conquanto a dardejares impropérios Blasfemando imprecações duvidosas - Não te trarão alívio, ou refrigério Enquanto tuas obras não forem virtuosas
Dói-me ver-te no ancoradouro do destino Qual barco sem forças de singrar o mar Que fica atracado no cais e sem tino
E que de lá não sai, nunca, nunca mais. Esquecendo que seu destino é navegar. Não quero mais ver-te, ancorada no cais !