Lista de Poemas

Nostalgia

Nostalgia

Meu manto da nostalgia, neste exílio,
Enterrado em coisas velhas do passado,
Após ter mudado pra sempre o domicílio
Deixa-me olhar o mundo desconsolado.

É saudade da Pátria, que a alma sente
Cujas memórias não ficaram esquecidas,
É sonhar puder voltar, ser consciente
Da pungente dor que causou a despedida.

Sentir nostalgia, é ter na alma saudade,
Do fado plangente, a trinar na guitarra
É reavivar esperanças mortas, amizade

É encher de sonhos minha fantasia
É tornar esta dor, ainda mais bizarra
Ir ao meu país, sentir vozes à porfia !

São Paulo, 27/01/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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154

Meu Trás-os-Montes

Meu Trás-os-Montes

Numa tarde de silêncio e calmaria
Mal buliam as folhas dos olivais
Ao sol abrasador do meio-dia
Num ouro fulvo, ondeavam trigais

Os sobreiros quietos e sossegados
Dão pequenas sombras aos trigais,
Nessa paisagem, de amarelos dourados
Rapazes e raparigas fazem arraiais,

Tudo é casto e sedutor nessa miragem
Mais parecendo a tela de um pintor !
- Esta terra agreste, dura, e de coragem

Faz parte do folclore de minha terra,
- Onde é a gaita de fole, quem nos convida,
A ceifar o nosso trigo, ao pé da serra !

São Paulo 14/02/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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134

Vingar-me-ei !

Vingar-me-ei !

De tão frágil, o amor que prometeste
Durou pouco, muito cedo se acabou.
Foi igual às flores, que um dia tu me deste
Numa semana, o seu viço terminou.

Eterno amor, dizias tu, nessa conquista
Qu'não passou de inconsequente aventura,
Depois que me usou, nem disse... até à vista
Esqueceu logo, desse momento de ventura.

De ti, conservo no peito, só amargura
Que guardarei num escrínio pequenino
Até que possa levar à tua sepultura.

E junto ao pó dessa múmia, depositarei,
O pó do escrínio, guardado em meu destino
E assim, de teu espírito, vingar-me-ei !

São Paulo, 21/01/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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136

Como o néctar,

Como o néctar,

Teus lábios do que jaspe mais vermelhos
São o néctar, que deu vida a meu amor
Só de ver-te, já não me sentia velho
Porque enchias meu peito de ardor,

Quisera eu, que teu coração palpitasse
Por sentimento terno igual ao meu
Talvez de amor, então não brincasses
Com quem por ti, de paixão quase morreu

Meu peito, eternamente magoado
Minha alma pisada, contundida
Sem puder ter de novo a meu lado

O amor de lábios mais rubros, que já vi
Querida, é triste dizer-te, mas direi
Que desta vez, para sempre eu parti !

São Paulo, 28/02/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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85

Do primeiro amor... (soneto duplo)

Do primeiro amor... (soneto duplo)

Do primeiro amor, ninguém esquece
É sentimento que na vida inteira cresce
Na alma que ama, o coração floresce
Sentimento intenso que não perece

É esse amor eterno, verdadeiro
Que a alma alimenta no braseiro
Mantendo na memória do primeiro
Condição dum digno cavalheiro

E este sentimento é tão profundo
Que em qualquer lugar deste mundo
O primeiro amor é o mais fecundo

Feliz daquele que recebe a benção
Sacramental da eterna união,
Sentimental desejo do coração !

II

Todavia, por certos contratempos
Outros, tão divergentes da vontade
Não que seja por meros passatempos
Perde-se o amor primeiro, vem saudade

Esta infinda, trazendo a nostalgia,
Preso à memória o desejo aceso,
Querendo o primeiro amor a cada dia
Como se pudesse voltar ao que é defeso

Tristeza, dor e sofrimentos mil
Ao sentir no peito amor intenso
Sem puder ser ao grande amor servil

É o amor que a alma não esquece,
Nem o coração o deixa suspenso
Passa a vida inteira, e não perece !

Porangaba, 13/03/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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158

Recordações d’amor

Recordações d'amor

Recordações são o preâmbulo d'amor
A beijar suavemente minha saudade
Lindas melodias cheias de candor
Trazendo à minha alma felicidade.

Nelas, alimentei meu sonho e fantasia
Ah! Se as lagrimas pude segurar,
Vi meu coração chorar nostalgia
E refugiar-se num sonho a palpitar.

Essa saudade infinita de ti amor
Tem sido o constante em minha vida
Tu foste para mim aquela flor

Que vi nascer e não desabrochar,
E sem sentir os teus olores querida,
Ferido de morte, restou-me aceitar !

São Paulo, 09/03/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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155

Súplica de Amor

Súplica de Amor


Não quero viver de sonhos, nem de fantasias
Pra o meu coração, já chega de saudades
Quero uma vida de amor, repleta de poesias
Por isso amor, dá-me essa felicidade

Já sinto na primavera, o germinar das flores
O sol irradiando sua luz e calor,
Dos cravos e das rosas, sinto seus olores
No meu peito, o fascínio pelo amor !

Abriga nos teus braços esta paixão
Quero concretizar em ti este desejo,
De possuir o teu amor no coração,

Oh! criatura linda... que eu tanto almejo
O meu desejo não deixes passar em vão,
Pois tu, sabes ser este meu único ensejo !

São Paulo, 02/03/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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110

Peregrino do amor !

Peregrino do amor !

Os anos se passaram lentamente
E nessa lentidão meu sofrimento
Aumentou dia a dia, certamente
P'lo tempo consumindo minha mente.

Da memória, nunca tu foste tirada,
Só lembranças, não bastam ao coração
Para mim, foste a eterna namorada,
Fonte de toda minha inspiração.

Tempos impossíveis de esquecê-los
Que firmaram em mim sensível paixão,
Está difícil agora removê-los !

Não queiras, em desejos envolvê-lo,
Deixa refugiar-me no pobre coração;
Não quero sofrer novos pesadelos !

São Paulo, 08/03/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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127

Esboço duma reflexão

Esboço duma reflexão

I

Há quem não ache bem que o satisfaça
E percorra infeliz o mundo afora
Encontra o ludíbrio e a desgraça
E por cada lugar que passa, chora.

Foi vendo um agricultor venturoso;
Que perguntou a razão dessa alegria
Voltando-se, respondeu todo orgulhoso
Planto, semeio e crio, todo o dia

Ao contrário de você, que nada faz
Nem vê florescer a natureza
Por isso, ignora dela a sua paz

Se exaspera nos meandros da tristeza
Ao invés de como eu, contemplar os céus
Olhar a imensidão deste mundo de Deus !

II

Foi refletindo nas rudes palavras
Do venturoso matuto camponês,
Que, o finório filosofar deu abas
A elucidar a cega ambição de vez

E de um sujeito rude, ignorante
Recebeu ensinamentos de valor
Despertando sua alma dissonante
Volveu o olhar ao grande Criador

A ingrata e dura vida que levava
Passou a ser gratidão e brandura
Vendo a felicidade e a formosura

Nos lugares que anteriormente
O enfadavam de tédio e fastio
Passando a viver feliz e contente !

Porangaba, 07/04/2013 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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98

Perdido em mim

Perdido em mim

Perdido em mim, como vou saber quem sou
Se esse louco amor por ti, me cegou,
Minh'alma ao abandono, de ti migrou,
A matéria... é este trapo... o que restou !

Não posso saber quem sou, nem o quero
Vivo na aparência, realidade de fachada
Se um dia te encontrar, já nem espero
Ouvir dizer, que foste minha namorada.

A paixão desse amor, ainda existe,
A sofrer até à morte os meus pecados
Sou como flor velha, estiolada e triste,

Que às ondas da saudade mal resiste !
Ao engano infeliz destes meus fados
Desde o dia jururu em que partiste.

São Paulo, 13/02/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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