Avidaamar

Avidaamar

n. 1972 PT PT

Mais um debaixo do sol...

n. 1972-04-30, 30-04-1972

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Ecrã das Hipóteses

Na cadeira,
cercado de papéis,
meio lápis e fita métrica,
peças e pecinhas por companhia.
Dissolvido no ecrã das hipóteses,
ignoro-me
entre ideias, mais ideias.
Os ideais que brincavam num final de tarde morno,
refastelados e inteiros,
ficaram no relvado verde.
Olho o todo... o olhar leva-me.

Por vezes desperto
com a sinfonia das teclas
da orquestra pífia.
Então... bordo com retalhos
mantos de sonho que me cobrem;
deitado, aponto as estrelas...

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Poemas

1

Pérola

Cansaço este, que tolhe o meu pensamento —
outrora fonte, hoje solo gretado.
Que monotonia.
Que paleta de dois tons:
falta de contraste
que cega,
entorpece,
sufoca a consciência.

 

Pudera romper
as amarras titânicas que me comprimem
com o malho do Deus Trovão!
Pudera purgar
a negritude do meu ser
pelas narinas —
qual extrema-unção —,
embalsamado,
enfaixado,
mumificado.

 

Pudera raspar
a gordura imunda que me cobre
com mãos e unhas,
qual espátula!

 

Ungido e purificado,
reduzido
a cinza cálida,
então gritar ao Altíssimo!
Gritar
todos os ais do mundo!
Provocar
o ciclone dos Apocalipses,
a colisão de todas as galáxias,
a fusão
dos universos existentes
e vindouros!

 

Obter
uma única gota,
a única gota
caída desse alambique —
mecanismo panmorfista,
destilando o infinito,
destilando o eterno,
destilando o impossível.

 

Gota de mel
que se fossilizará
após a morte de tudo,
formando uma pérola —
uma pérola
que acrescentarei ao teu colar,
meu amor,
meu eterno amor.

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