Avidaamar

Avidaamar

n. 1972 PT PT

Mais um debaixo do sol...

n. 1972-04-30, 30-04-1972

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Ecrã das Hipóteses

Na cadeira,
cercado de papéis,
meio lápis e fita métrica,
peças e pecinhas por companhia.
Dissolvido no ecrã das hipóteses,
ignoro-me
entre ideias, mais ideias.
Os ideais que brincavam num final de tarde morno,
refastelados e inteiros,
ficaram no relvado verde.
Olho o todo... o olhar leva-me.

Por vezes desperto
com a sinfonia das teclas
da orquestra pífia.
Então... bordo com retalhos
mantos de sonho que me cobrem;
deitado, aponto as estrelas...

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Poemas

1

Meridiano do eu

Que realidade esta?

Olho... não vejo.

Escuridão, ou luz que ofusca?

Oiço... não escuto.

Silêncio, ultrassom?

Ao toque...

Ausência de relevo. Plano e pluma…sem peso…

Não queima, nem gela.

Não pica, nem arrepia.

Realidade da treta... ou inteligível?

Indefinível — por provar.

Provavelmente... teria um sabor agridoce.

Fico por aqui: pelos planos teóricos.

Será isto? Ou aquilo?

Assim? Assado?

Cozido... ou frito?

Tantos morreram na procura.

Outros tantos — em igual número — nada encontraram.

E os restantes?

Os restantes acordaram... e que sonhavam?

Desculpas. E mais desculpas.

Não a quero enfrentar.

Ela espelha-me, sim.

Moro na imagem refletida?

Mas quando a olho de frente —

me devolve o nada.

Um dia destes... racho-me.

No meridiano para tirar a limpo:

Estou no centro de mim?

Dentro? de dentro, fora?

Em toda a parte, repartido?

Único, indivisível? deste mundo?

Divisível, doutros mundos; Imundo, limpo e liberto?

Serei apenas isto:

Verdades e mentiras sem fim...

Ou inteiro?

Em Paz, que bom seria!…

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