Avidaamar

Avidaamar

n. 1972 PT PT

Mais um debaixo do sol...

n. 1972-04-30, 30-04-1972

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Ecrã das Hipóteses

Na cadeira,
cercado de papéis,
meio lápis e fita métrica,
peças e pecinhas por companhia.
Dissolvido no ecrã das hipóteses,
ignoro-me
entre ideias, mais ideias.
Os ideais que brincavam num final de tarde morno,
refastelados e inteiros,
ficaram no relvado verde.
Olho o todo... o olhar leva-me.

Por vezes desperto
com a sinfonia das teclas
da orquestra pífia.
Então... bordo com retalhos
mantos de sonho que me cobrem;
deitado, aponto as estrelas...

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Poemas

3

Teve de ser

Teve de ser:
nascer de uma mãe
entre dois seres
crescer com os demais 
reconhecer o bem/mal
por vezes chorar,
outras rir,

até chorar a rir

partir do eu sou
terminar no que sinto
Será que teve de ser?
talvez,
mas que bom é
ser o poderia ter sido.

6

Aritmética do Vazio

Na penumbra dos eclipsados
sem flores
nem abelhas,
apenas espaço...

Na cegueira
das meias verdades,
Alguém segreda:
— Multiplica-as por zero,
e saberás!...

Espero, que matematicamente,
regra dos opostos,
desta procura,
encontrar.

Adormeço junto ao pêndulo,
ao ritmo do sempre,
escutando a música
do sempre foi.

Por ter adormecido
e procurado,
acalmo esta procura:
contas feitas,
erro e meio.

12

Morfeus

Derramado no leito da vida,
aprendi a ser Morfeu:
que desperta a horas certas,
que dorme de olhos abertos,
apenas olhos,
apenas ouvidos, pele e narinas.

 

Penso, para logo desistir,
visto o fato, a gravata,
igual ao bando que agora desce
as escadas, derrotado.

 

Imito o passado na perfeição.
Insisto apenas na medida certa,
em excessos e retrocessos,
vida talvez cumprida,
mas, sempre, por cumprir

9

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