bnicolau

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n. 1996 PT PT

Quem diz que Lisboa não casa com Brahms?

n. 1996-04-19, Lisboa

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Poemas

15

Naqueles lençóis brancos

Naqueles lençóis brancos
onde deixaste uma parte de ti
Reflete-se a luz da manhã
Pela qual saíste.
Ouço-os todo o dia a ecoar o nosso diálogo,
como se de montanhas e vales se tratassem.
Não tardes em voltar.
Há palavras que não se podem calar.
106

Com Sophia

Sentado nesta praia
Ao lado de Sophia
Como quem vive 
Pela primeira vez.
Toma atenção 
A cada detalhe
A cada sentido
Apuramos a mais ingénua criança
Em nós e deixamos ser.

À costa, num afago de onda
chegam as tuas lágrimas
E alguns galhos.
Cheguei à conclusão
Que a cada quebra
Nasce uma sentença
De Liberdade.

107

De Nenúfar em Nenúfar

Saltando de
Nenúfar
em
Nenúfar
Emergindo
Em cada
Um
Deles.
106

Sazonalidade

Já não é Outono.
O Inverno chegou
Com toda a sua força.
O frio instala-se nestas paredes
E a minha nudez grita.
Grita como quem te quer 
Num desesperado olhar
Quente de Verão,
Sem o conseguir vocalizar.
Aguardo a Primavera.
O renascer das plantas.
O brotar das flores.
Pode ser que eu chegue com elas.

159

Metamorfose

No bailar de duas borboletas,
Vi-nos.

Outrora a borboleta fora lagarta.

Foi aí que me apercebi
Que não poderíamos ser nós.
Porque afinal de contas,
Nunca deixámos de ser lagartas,
Nem sequer estávamos prontos
Para ser borboletas.
158

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