bnicolau

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n. 1996 PT PT

Quem diz que Lisboa não casa com Brahms?

n. 1996-04-19, Lisboa

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Poemas

15

Rio

Quão forte terá de ser a corrente para que te faça permanecer?
79

Lembrete: Não regar as flores

Chega de procurar por pólen em flores de plástico
que foram regadas ao acaso.

A terra não suporta tanta água perdida.

Matar a sede a quem é fogo
secará todas as nascentes
67

Inércia

Pessoas de instantes.
Pessoas distantes
Outrora pares,
depois dispares.
Da incerteza à certeza,
a distância é exatamente igual à primária,
Lá atrás.
Movem-se repentinamente diante dos meus olhos
como se dum término se tratasse,
Na luta para os manter abertos.
Agora em órbita de poucos afetos.
Da tesão do novo, do desconhecido.
Á inércia do apreendido.

60

Missed Call

Em cada sussurro de verão
haverá sempre um trago de inverno.
E isto acontece em tudo e mais alguma coisa.
Não há dia sem noite.
Não há calor sem frio
E cada um será sempre o resultado dos outros.
Contigo não seria diferente. Talvez.
No entanto, o número para o qual ligou
não se encontra disponível.

64

Praia

Beijei-te o pescoço num fim da tarde e tive a sensação que carregavas o (A)mar inteiro.
66

Nunca casaria Lisboa com Brahms

"Não sei
Olho para ti e só te quero comer
E ao mesmo tempo aninhar-me em ti."

                                    [Sou material para ambos]

Da primeira à quarta sinfonia
Não haverão Ritardandos suficientes que digam
"Isto é um poema de amor".
92

Constelação

Uma casa no enlaço dos teus braços.
Sem tecto.
Um Universo no olhar despido.
A constelação perdida no ócio
do querer fazer o que não foi feito
Perdido no vai-vém dos transeuntes da tua rua,
que nem sonham o que se passa cá dentro.

Levanta o impossível,
compra flores
e coloca-as no que resta da jarra
antes que seque o dia
e com ele as folhas onde escrevo.
Importa renovar a leveza dos dias
na prece do que há de chegar.

71

Ensinamentos Segundo o Sono

Sabes, mãe?

Aprendi algo que nunca me ensinaste.
Num sonho.
Aprendi que os nomes ficam gravados
e as pessoas não. 
Os corpos putrificam-se e convergem-se na terra 
Na qual um dia caminharemos sobre,
Sorrindo.
115

Naqueles lençóis brancos

Naqueles lençóis brancos
onde deixaste uma parte de ti
Reflete-se a luz da manhã
Pela qual saíste.
Ouço-os todo o dia a ecoar o nosso diálogo,
como se de montanhas e vales se tratassem.
Não tardes em voltar.
Há palavras que não se podem calar.
104

De Nenúfar em Nenúfar

Saltando de
Nenúfar
em
Nenúfar
Emergindo
Em cada
Um
Deles.
104

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