Brisa Letieres

Brisa Letieres

n. 1996 BR BR

não são poemas, são pedaços de mim

n. 1996-09-30, Rio de Janeiro

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Amante do Carrasco

É um ciclo, é uma repetição, uma monotomia.
Tão previsível, tão deprimente.
Esse ciclo, cada vez que roda, me destroi, me consome, me mata.
Morro a morte em ciclos.
Sejam pequenas mortes ou mortes dolorosas o fato é que eu morro.
Morri esses dias, nos braços de um outro alguem,
e assim que livre, restava apenas a usual solidão.
Na raiva de tentar quebrar o ciclo,
tomo de novo o caminho do abatedouro em um outro leito,
e tiro minhas roupas como quem dá-se ao carrasco,
e novamente dou meus ultimos passos no corredor da morte.

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Poemas

6

Dia Quente

Hoje o dia está quente,
e meu amor por você ferve.
870

Conversa Mórbida

Um dia eu nasci.
E aqui eu me fiz.
Me enraizei, fiz de mim um lar,
e nessa brevidade de momento, tão simples e quase nula...
A morte, amado fim, baterá na porta às 4 da tarde,
e talvez eu me sente com ela para uma conversa franca.
Indagar-lhe o motivo de sua demora, visto que há tanto tempo estou vazia.
Perguntar-lhe o motivo de ir me levando aos pouquinhos, de pedacinhos,
embrulhados em fino e delicado cetim.
Por que Dona Morte, a senhora leva apenas os meus cacos?


1 008

Sumido

Hoje o dia passou vagaroso,
como os passos do teu caminhar.

Passei as horas,
esperando você me ligar.

E calmamente tentando
nesse fio tênue me equilibrar,
entre o desespero,
e o prazer de desfrutar.

859

Amor em Trevas

E em nosso amor sôfrego, nos afogaremos em nossas lágrimas, engoliremos o choro.

No talo da garganta prenderemos emoções e em nossas mentes não ouviremos o grito da alma.

E se algum dia eu consguir respirar neste mar de depência, peço-te que ainda me dê teus beijos mortais.

Com um tom cálido e solitário, morreremos entrelaçados, e entre nós, essa sombra que nos assusta.

Mas não importa o que aconteça, pois a forja que nos uniu jamais será desfeita.

Brinque comigo em seus lábios só mais uma vez, e eu prometo não dilascerar seu coração dilascerando o meu.

822

A Rosa Carmin

A sua rosa, agora, está morta. Junto com nosso amor ela foi amassada dentre as páginas de um caderno.

Será que ainda está viva? Este carmin que ela porta, talvez seja apenas o tom de vermelho de quando se esta morrendo.

Talvez a gente também esteja como carmim, pois assim como não há mais rosas, talvez não haja mais amor para espremer dentre as páginas do caderno.

Viva com isso! Sabendo que seu amor está em carmim.

Mas curiosamente, mesmo fúnebre carmim recorda o vivído vermelho.

E esta é a eterna sina, de quanto mais mortas as coisas, mais no vivo elas nos fazem pensar, e somos condenados a valorizar a vida especialmente na presença da morte

856

Amante Negro

Um dia eu acordei,

e espantada, abri os olhos.

Nada fora do usual, apenas relaxei.

Sorrateiramente, aquele medo me invadiu, novamente, ainda na mesma semana!

Não havia para onde fugir, aquela sombra demoníaca já havia fechado as cortinas e delicadamente me posto de volta em meu leito, para assim, unir-se a mim em comunhão sagrada.

Olhos vítreos, inertes, varrem a imensidão do vazio daquele quarto, enquando meu amante maldito se faz de meu corpo, consagrando com seu toque negro, cada extremidade, não só do meu corpo físico mas como também do que eu ja ousei chamar de alma.

Pois é você, meu maldito amado, o único que me visita na eternidade da noite, e sem ti, eu seria nada.

Amado, ainda há de chegar o dia, em que aceitarei sua sanguinária rosa assassina e de todos os demônios, me livrarei.

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Comentários (3)

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alequi

Teus poemas representa o meu pensar. *-* Lovely

larymayne

Esses seus pedaços de você são tão lindos e profundos, carregam sinceridade e se torna cativante. Parabéns, esses pedaços de você pode muito bem traduzir os pedaços de muitas outras pessoas. Sucesso na sua carreira!

anarchy

Porquê se um dia você juntasse todos os cacos, seria inteira de novo. Gostei dos versos!