carlos Henrique Rodrigues Roque

carlos Henrique Rodrigues Roque

n. 2001 BR BR

n. 2001-09-10, Arcos MG

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Que o amor morra

Sim,

é mentira que eu não penso em ti.

Que meu coração,

Não pergunta por você antes de dormir.

 

Não sou frágil.

Posso fingir ser forte.

Posso sorrir quando perguntam.

Posso seguir meus dias.

Posso até convencer os outros

de que já passou.

 

Mas no fundo sei que é uma mentira,

a saudade continua me atravessando.

Ainda assim,

 

não vou me despencar de penhascos

esperando que tua queda acompanhe a minha.

Não vou mais transformar esperança

em moradia.

 

Cansei.

Cansei de esperar mudanças

em estações que nunca chegam.

 

Sei agora.

Por isso,

não te peço retorno.

Não te peço promessas.

Não te peço nada.

 

Peço apenas

que o amor morra antes de mim.

Que leve consigo a espera.

A ilusão.

E a parte de mim

que acreditava poder salvar sozinho

o que já estava perdido.

 

Que o amor morra.

 

Porque há muito tempo

não sei dizer quem está enterrando quem.

 

Se sou eu,

cavando a própria cova

com lembranças tuas.

 

Ou se é esse amor,

paciente e cruel,

jogando punhados de terra

sobre aquilo que restou de mim.

 

Que o amor morra.

 

Antes que termine

o trabalho que começou.

 

Antes que transforme

meu peito em mausoléu.

 

Antes que faça de mim

mais uma de suas vítimas.

 

Que o amor morra.

 

Porque eu já sinto

o cheiro das flores.

 

Já escuto a terra caindo.

 

E já não tenho certeza

se estou de luto por nós

ou por mim.

Carlos Roque. 17/06/2025

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Poemas

1

Quem realmente importa

Dedico este poema à pessoa que sempre mereceu minha dedicação, embora eu nunca tenha tido olhos para ela; recentemente, tenho aprendido a amá-la pouco a pouco. Busquei nos outros o que sempre esteve dentro de mim mesmo. Estar só não me traz uma paz profunda, mas me permite encarar face a face quem eu realmente sou. Às vezes, essa solidão me assusta, mas também me concede pensamentos intrigantes. A cada café matinal, valorizo ainda mais minha própria companhia, aquela que negligenciei por tanto tempo. Em cada ida ao cinema, risada e nova experiência, percebo que o amor verdadeiro sempre esteve dentro de mim.

Hoje compreendo que antes de escrever versos para amores externos, deveria ter tecido milhares deles para mim mesmo. Agora sei como apreciar minha própria presença, amar cada detalhe que me compõe. Namorar a si mesmo é uma arte que nos leva a reflexões profundas, nos eleva a um patamar onde nenhum amor externo pode alcançar.

Entendo que este poema não é apenas importante para mim; seria egoísmo guardá-lo só para mim. Por isso, compartilho estas palavras na esperança de que todos que, como eu, priorizaram o amor pelo outro em detrimento de si mesmos, possam ler e começar a se amar um pouco mais. Que estas palavras breves possam inspirar o autoamor e valorizar a companhia daqueles que realmente importam "nos mesmos".

Carlos Roque
28/05/2024

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