carlos Henrique Rodrigues Roque

carlos Henrique Rodrigues Roque

n. 2001 BR BR

n. 2001-09-10, Arcos MG

Perfil
2 440 Visualizações

Maldito Eros

Quanto menos me amam,
mais eu amo.

Como se Eros,
em sua ironia cruel,
tivesse feito de mim
discípulo da ausência.

Platão dizia
que a paixão é uma doença da alma,
um movimento desordenado
de um espírito debilitado.

E talvez seja isso.

Talvez exista em mim
algo enfermo
que transforma rejeição em desejo
e distância em devoção.

Sempre anseio aquilo
que não posso ter.

O inalcançável me seduz
como o horizonte seduz o náufrago:
quanto mais distante,
mais irresistível parece.

O meu amor cresce no abandono.
Floresce na distância.
Incendeia no silêncio.

Como se a falta do outro
alimentasse em mim
uma necessidade desesperada
de amar por dois.

E então permaneço,
mesmo diante do frio,
mesmo diante da ausência,
como um homem sedento
bebendo água do mar,
sem perceber
que aquilo que o mantém vivo
também o destrói.

Talvez Schopenhauer estivesse certo:
amar é apenas a vontade
fazendo do homem
servo de suas próprias ilusões.

Porque quanto menos recebo,
mais ofereço.

Quanto menos existo no outro,
mais o outro ocupa espaço em mim.

E assim sigo,
movido por essa estranha enfermidade,
tentando transformar migalhas
em eternidade.

Ler poema completo

Poemas

3

Pessoas

Quando se rega uma semente em solo infértil, 
o que realmente se espera dali? 
Talvez uma flor,
insistente, quase improvável. 

Só que a esperança, por mais teimosa, 
não torna fértil o que se recusa a brotar. 
Ela sustenta, mas não transforma. 

E mesmo que dali surja uma flor, 
trará espinhos vigilantes. 
Espinhos que não hesitam,
que sabem exatamente onde tocar
e arrancar o último traço de esperança que ainda sobrevivia no peito. 

Assim se comportam algumas pessoas. 
(Carlos Henrique Rodrigues Roque) 30/10/2020

115

O Cão

O cão te olha.
Não com curiosidade,
Não com julgamento 
Mas com algo que atravessa o tempo,
Como se em seus olhos
Habitasse um silêncio antigo,
Sabedor de dores que nem tu nomeias.

Ele fita teu rosto com calma,
Como se ali houvesse algo sagrado,
Mesmo que tu não vejas.
Como se cada ruga, cada sombra,
Cada ausência de sorriso
Contasse uma história que ele já ouviu
Em noites longas e frias,
Deitado aos teus pés.

Ele não fala,
Mas diz tanto.
Diz que te entende.
Diz que está ali.
Diz que mesmo que o mundo te rasgue,
Ele te guarda inteiro em seu olhar.

Há pena no seu olhar,
Mas não daquelas que diminuem 
É pena que acolhe,
Que abraça em silêncio,
Que lambe feridas invisíveis.

E há tristeza, sim.
Mas não por ele.
Por ti.
Por saber que tu andas cansado,
Que teu peito está pesado
De coisas que nem sabe explicar.

O cão vê.
Vê o que você esconde.
Vê o que nem você encara.
E mesmo assim permanece,
Fiel, calado, presente 
Como se dissesse:
“Eu sei. E mesmo assim, eu fico.”

Carlos Henrique Rodrigues Roque
14/04/2025

197

Tu sabes

Tu sabes o meu número,
sabes o caminho,
sabes cada dobra da estrada que leva até mim.

Sabes que te amo
com a paciência dos ventos,
com a fé de quem espera
sem nunca perder o farol.

Sabes que sonhei a vida ao teu lado,
mesmo no frio que corta,
mesmo no medo que cala,
e mesmo assim,
dei tudo de mim
sem saber se era demais,
sem saber se era cedo.

Sabes que o silêncio me fere,
que tua ausência não passa leve
ela pesa como noite sem lua,
como página em branco onde só teu nome caberia.

E agora,
com a faca e o queijo na mão...
tu sabes o que fazer.

09/05/2025

186

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.