carmem_souto_maior

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Pernambucana multipotencial, escreve contos, romances e, principalmente, poesias. Criadora do Método Escrita Multipotencial, também desenvolve um projeto de leitura afetiva, onde atua como mediadora em grupos de leitura para o autoconhecimento.

Perfil
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Perguntas

A distância preenche o ar
O tempo percorre a distância
A tua voz acaricia tímpanos
Minha face? Inconstância.

A distância percorre montes
Do céu ao rio viajo no tempo
Do abstrato pulo para o concreto
Nuvens e ondas transformadas em sentimento.

Linear é o amor?
Transportando um século de verdade
Meus ombros incansáveis
Na certeza de que tudo é realidade.
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Poemas

14

Revolução

Aos poucos vejo o ressurgimento
De vozes, de flores, de lutas
Sonhos distantes sendo realizados
E um grito que se solta da garganta

Ao longe, um eco
Avisando que é hora de levantar
Abandonar velhas roupas
E vestir novos desafios

E eis que todas estão unidas
Uníssono que reverbera para além das montanhas
Pouco a pouco todas vão se reunindo
E deixando na história suas marcas

Reunidas estamos
E não é só sobre reunião
É algo mais profundo
É sobre união... Unidas estamos.
98

Dentro da gente

Temos a casa dentro da gente
E quando somos obrigados a ficar dentro dela
Queremos acender todas as luzes...
Como se estivéssemos com medo do escuro
Escuridão esta que é a própria sombra.

Temos a casa dentro da gente
E deitamos no chão, no tapete, no sofá...
Deitamos em lugares diferentes
Buscando um novo ângulo ou, quiçá, um inseto
E ficamos ali... imóveis nos imóveis.

Temos a casa dentro da gente
Às vezes perdemos a chave da porta
Às vezes a jogamos pela janela...
Respiramos sempre o mesmo ar preso da casa fechada
Sem saber que é este ar um aprisionamento da vida lá fora.
113

Exílio

Ainda morre-se de amor…
E é lento como a nuvem que chega ao jardim.
Lá ainda vaga o teu sonho…
Fugidio das coisas breves, ele vai.

Eu vi ontem em teus olhos o instante que chovia
Sorrateiro você disfarçou
E, de repente, o encanto estremeceu
E minhas pernas trêmulas diziam mais do que eu poderia.

Ainda morre-se de amor…
O mesmo que vi nascer… agora hei de viver.
Quantos errantes corações ficam para trás?
Não faço idéia, mas… ainda morre-se.

E, um dia, de tanto amor… exilar-me-ei.
112

Encanto

Talvez meu sonho seja realmente inexeqüível,
mas ainda assim prefiro acreditar no amor.
E se eu adormecer… deixe-me sonhar.
114

Quando por mim você passar...

Quando por mim você passar
Não procure palavras em meus olhos
Não se assuste com um resquício de sorriso
Não se esqueça daquela porta aberta

Quando por mim você passar
Não veja o que não sente
Não mova sua pálpebra distante
Não segure a alma liberta

E com o passar do tempo
Sendo breve ou longo o prazo
Recorde-se apenas de que eu te quis

E permaneça como uma foto
Trazendo recordações daquele tempo
Em que eu julgava ser feliz.
100

Toda noite

Toda noite vejo aquela velha estrela num céu quase negro
Toda noite acho que o trem ainda é o mesmo

Toda noite tenho a certeza que Deus existe
Toda noite percebo que não há motivo para ser triste

Toda noite lavo a alma com meu pranto
Toda noite fico quieta no meu canto

Toda noite te espero com alegria
Toda noite não é todo dia...

Toda noite ouço as mesmas músicas
Toda noite leio as mesmas notícias

Toda noite escrevo as mesmas palavras
Toda noite invento novas letras

Toda noite... todo dia... tudo difere e fere
Sacudindo a alma numa revelação trêmula

Vivo entre a razão e a emoção
Num equilíbrio quase distante

Vivo porque sei que combinamos que assim seria
Vivo toda noite, mas toda noite não é todo dia.
114

Autorretrato

Por três vezes escutei aquele disco
Na tentativa de achar palavras
Que tentassem me desenhar
Da forma mais precisa.

Não! Palavras têm que ser mais
São sentimentos
De alegria ou tristeza
De amor ou rancor.

E você, o que acha?
Talvez eu nunca saiba
Mas quem sabe?

E esta é minha vida
Meu destino
Eterno mistério de mim mesma.
95

Sobrevivência no caos

Alimente-se de livros
Consuma-os um a um
Devore-os lentamente e continuamente
Perceba cada página virada
Como uma mordida no pão que alimenta seu corpo.

Embriague-se com o prazer que o cheiro dos livros provoca
Deixe-se impregnar por aquilo que eles exalam
Beba cada palavra sem pressa
Sinta as frases percorrerem seu esôfago
E alcançarem seu estômago.

Respire as idéias de cada escritor
Sem deixar-se sufocar por elas
Apenas permita-se conhecer cada universo
Inspire cada letra ao avesso
E expire discernimento.

Durma tranqüilamente no balanço de uma rede de idéias
Escreva seu livro!
Sonhe, desperte,
Adormeça, sim... adormeça!
Só não adormeça na escuridão de uma biblioteca vazia.
107

Deixa assim

Não, eu não quero mais falar de mim!
Eu não quero mais pensar assim:
Forma icógnita de ser.

Não, eu não quero descobrir-me
Falar de coisas que não sei se sei
Quero a paz dos pássaros.

Deixar viver
Sair para voar e ver
Árvore e criança crescer.

Não, eu não quero pensar no que sou
Quero sair
Sem saber para onde vou.

Amor, deixa assim
Nada complicado
Só você perto de mim.
104

Permissão

Permito-me querer-te
Ser olho cego ao passado
Permito-me gostar de ti
Ser voz rouca, ficar gravado.

Permito-me adorar-te
Ser tímpano naufragado
Permito-me amar-te
Ser coração aprisionado.

Permito-me sentir tua falta
Ser alma, pulsar calado
Permito-me ser eu:
Pássaro azul apaixonado.
108

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