VAI-TE
Vai-te daqui... Aparta-te das minhas vistas,
Leva contigo, teu falso amor que prometeste...
Como errei, em dar-te meu coração altruísta,
Ao passo que, apenas frieza e dor, tu me deste.
Vai-te... Leva daqui os teus olhos embusteiros,
Que um dia, me arrebataram com seu brilhar...
Se soubesse que teu amor não era verdadeiro,
Eu jamais me permitiria por ti, me apaixonar.
Como podes, ferir os sentimentos de alguém?
Justo eu, que entreguei meu carinho sincero,
E te amei, como nunca havia amado ninguém.
Por favor, deixa-me em paz e parta de uma vez
Que já não me apetecem os amores efêmeros,
Vai-te... Que meu pranto um dia cessa... Talvez.
- Cedric Constance
OS DIAS PASSAM
Há tanto sol, há tanta vida lá fora,
Mas de que serve, amor, tanta beleza,
Se não estás junto a mim, aqui e agora?
Longe de ti, tudo é cinza... Tudo é tristeza...
Se tu viesses aos meus braços, de mansinho,
Cobrir-me com teus beijos molhados,
Aninhando-se em minhas mãos, como passarinho,
E juntos, em nosso ninho de amor, refugiados.
Eu te espero, enquanto os dias passam...
Manhãs frias, tardes cinzentas, noites vazias...
São dias sem teu amor... São dias que se arrastam...
E nessa louca espera, eu me desespero,
A rabiscar tristes versos de poesias,
Que falam do teu amor... Que eu tanto quero...
- Cedric Constance
A POETISA SUICIDA
O firmamento em plenilúnio, é a testemunha,
Do quão sofrido, meu coração já se encontra...
Em poesias tristes, que minha alma rascunha,
Eternizo a lástima, que em meu peito adentra.
Vazia é a vida, sem o amor que tu me negas,
Ofertei-te toda a ternura dum puro sentimento,
Tu não me amas... E não se permite a entrega,
Apartando-se de mim... Partindo com o vento.
Contemplo em lágrimas, o imenso precipício,
Pronta a alçar vôo, em rumo à glória de Deus,
Onde sonharei com um mundo sem suplício.
Como Ismália, mergulharei no azul profundo,
Minha alma, subirá ao galardão dos céus,
E meu corpo, descerá aos confins do mundo.
~ Maria Cruz (Heterônimo)
- Cedric Constance
CORAÇÃO DE GELO
Vagarei pelos tempos, em passos sangrentos,
Com meu coração dilacerado por tua causa...
Um amor que se deixou levar pelos ventos,
Causando-me grande sofrimento sem pausa.
Se tu ainda puder ouvir minha voz, já rouca,
De tanto clamar por teu nome nas madrugadas
Saiba que desejo ardentemente beijar tua boca
E sentir o calor, de nossas mãos entrelaçadas.
Ah, amor... se tu soubesses o quanto eu rezo,
Para que os anjos te tragam aqui novamente,
Nunca mais me ofertaria o teu desprezo.
Todas as noites, em pensamento, te zelo,
Numa angústia por não provar teu beijo quente
Talvez a paixão, derreta teu coração de gelo.
- Cedric Constance
O POETA SUICIDA
Abro cortes profundos que marcam a pele,
Ferindo a carne, já tanto cansada dos lamúrios...
Contemplo o sangue rubro que jorra e expele,
O fim anuncia-se entre gemidos e murmúrios.
Minhas dores vertem e escorrem sob o chão,
Impregnadas no meu sangue, já coagulado.
Ao poucos, diminuem as batidas do coração,
E meus olhos negros e tristes, estão fechados.
Oh, mamãe, me perdoe por ter sido tão fraco,
Mas agora, encontrei a paz que tanto busquei...
Não chore sobre meu cadáver pálido e fresco...
Por tanto tempo andei cego e perdido na vida,
Só em meio as brumas... O amor não avistei...
Deus há de recolher a alma dum poeta suicida...
- Cedric Constance
DOENTE DE AMOR
Quisera eu, possuir um par de asas albugíneas,
Para desembestar-me, rumo onde tu estejas...
Afligem-me estas distâncias, tão longilíneas,
Impedindo-me de ofertar o amor que desejas.
Sucumbo em prantos... Uma chaga a sangrar,
Uma moléstia que me toma por completo...
Corpo em febre... Anseia por tua boca, beijar,
E curar a minha dor, com teu sincero afeto.
Meus olhos não sabem ver o mundo externo,
São cegos para os outros... Só querem te olhar,
Na ânsia de contemplar o teu olhar tão terno.
Sabes bem, que por toda a minha existência,
Com o coração paciente, eu hei de te esperar,
Até o dia, que teu amor findar essa penitência.
- Cedric Constance
MARCAS DO PASSADO
Eu te amei em outros milênios, outros séculos,
Posso sentir isso, a cada vez que lhe vejo,
Ficou em mim, a doce essência dos ósculos,
Nem o tempo apagou a chama do meu desejo.
Tua voz está gravada dentro da minha alma,
A entoar um hino que celebra o amor de nós dois,
Num sonoro cântico que me anima e me acalma,
Assim te amo, vivo o presente sem pensar no depois.
Sei que já vislumbrei teus olhos negros antes,
Reconheço o brilho fulgurante que emana deles,
O mesmo brilho que me iluminou há tempo distantes.
És tu, a minha outra parte, a tão sonhada metade,
Por teu amor suportei tantas dores e males,
E agora, estamos unidos por toda a eternidade...
- Cedric Constance

NOITE DE SAUDADE
Perco o sono, acendo um cigarro e trago,
Bebo meu café, perdido em pensamentos,
São lembranças que agora tem gosto amargo,
De um amor que só me causou tormentos.
Me pergunto a razão do teu silêncio sepulcral,
Meu coração anseia apenas pelo teu chamado,
Basta uma palavra tua, um sussurro, um sinal,
Para findar tanto tempo que tenho esperado.
Mas eu continuo sendo um tolo apaixonado,
Agarrado à esperança dum amor que almejo,
O meu amor que em poesias está eternizado.
Essa espera tornou-se um verdadeiro inferno,
Mas resisto apenas pela força do desejo,
De viver um grande amor que seja eterno.
- Cedric Constance

A MINHA DOR
O que é isto que rasga meu peito em pedaços?
De onde vem esta dor que surrupia minha paz?
Angústia que sangra o coração em destroços
E devora-me por inteiro, num desalento atroz.
Tudo é escuro... tudo é frio... tudo é triste...
Há um grito de agonia reprimido na garganta,
O desassossego é implacável, ainda persiste,
Num turbilhão doloroso que me alevanta...
Onde foram os dias gloriosos de júbilos?
Restaram apenas estas tardes silenciosas,
Onde a tristeza paira sob o crepúsculo rútilo.
A minha dor, ela é secreta, ninguém a vê,
Oculto-a entre tantas alegrias fantasiosas
Nas tardes que entristeço sem saber porquê.
- Cedric Constance
