Celso Ciampi

Celso Ciampi

n. 1971 BR BR

Mineiro de Juiz de Fora. Poeta, autor do livro "Minhas Faces", escrevo sobre o amor, a vida e de tudo um pouco. Membro convidado da Academia de Letras da Manchester Mineira. Participo do projeto "POESIA NA ESCOLA", fui selecionado para compor a antologia "POESIA BR!", em um concurso nacional.

n. 1971-12-16, Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil

Perfil
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CORAÇÃO VAZIO

No momento está vago
O meu pobre coração.
Não está ocupado,
Sem nenhuma paixão.

Mas está bom assim,
Precisa fazer uma faxina,
Limpar as dores que ficaram,
Para procurar gente fina.

Agora nem adianta,
Que ninguém vai entrar,
Ele está concentrado,
Em se aprumar.

Ainda bate com tristeza,
Pois está cheio de entulho.
Eu te peço por fineza,
Não vem atrapalhar.

O tempo que ele precisa,
Está correndo bem,
Não queira que se apresse,
Tenha calma você também!

Ele precisa de reforma,
De uma nova pintura,
Daqui a pouco estará em forma,
Pronto, mas não para aventura.
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Poemas

227

QUANDO EU TE VI

Quando eu te vi ali no jardim,
Cercada de flores,
Parecendo pintura de mestre,
Meus olhos ficaram felizes.

Nunca mais esqueci aquela foto,
Ela ficou marcada em mim,
Você era mais uma bela flor,
Minto, era a mais bela das flores.

Soube depois que nem me viu,
Estava distraída ali,
Embelezando o lugar,
Eu não quis atrapalhar.

Nem sei bem seu nome,
Mas eu te chamo Bela Rosa,
Que está no jardim
Toda formosa.

Desejei ser aquele o meu jardim,
Eu jamais te colheria,
De você cuidaria
Melhor do que de mim.

Infelizmente já tens um jardineiro,
Espero que lhe cuide bem,
Pois se fosse eu o sortudo
Seria seu melhor companheiro.
98

NÃO TIRO A MÃO

Enfiei a mão num pote
Cheio de doce, não sei qual,
Desse pote não tiro a mão,
Enquanto não souber o que há.

Lá dentro tem doçuras,
Sei bem que é verdade,
Minha mão está lá dentro,
E bem a vontade.

Esse pote de doçuras,
É o seu coração,
Me desculpe a invasão,
Foi impulso de aventura.

Não que eu seja aventureiro,
Isso, não sou nem um pouco,
Só me entrego por inteiro,
Por você estou meio louco.

Peço até que me desculpe,
Essa minha invasão,
Mas não pude resistir
Ao seu doce coração.

E agora estou preso,
Pois lá tem muitas gostosuras
Que me afloram mil desejos,
Se retiro a mão ela não sai ilesa.

Eu te amo desse jeito,
Um tanto desajeitado,
Se eu quebrei alguma regra
Foi por estar apaixonado.
48

COMIGO SÓ EU POSSO

Não tire onda comigo,
Você vai se dar mal,
Eu sou um perigo,
Te derrubo do pedestal.

Comigo ninguém pode,
Sou um verdadeiro catiço,
Quem vem leva sacode,
Nem adianta um feitiço.

Nessa vida atormentada,
Comigo só eu posso,
Se você vem com roubada
Eu logo engrosso.

Já passei da idade da calma,
Hoje sou um rebelde,
O que atormenta minha alma,
Leva logo um esbregue.

Me cansei de ser otário,
De baixar minha cabeça,
Agora é o contrário,
Espero que não se esqueça.

Não penso mais em ninguém,
Só em mim e ponto,
Faço tudo e faço bem,
E como faço eu não conto.

E se está me achando bravo,
Pode crer que o sou.
Cansei de ser seu escravo,
Minha mente se libertou.
122

NEM BEM NEM MAL

Estava tudo bem, eu garanto,
Depois de algumas poucas horas
Nem sei mais com está,
Só sei que bem não é mais.

Era um dia como outro,
Até que tudo mudou,
Você pôs em dúvida
A minha condição.
Disse que eu não trabalho,
Que sou um folgadão.

Não usou essas palavras,
Mas foi isso que quis dizer.
Eu estava tão feliz,
Você veio me abater.
Mas não ficou tudo ruim,
Ainda tem algo de bom,
Eu sou feliz assim,
Você que tenta me tirar do tom.

E não vou desistir de nada,
Já desisti de muita coisa,
Se não está contente,
A porta não está fechada.

Só me dê paz de espírito,
Preciso disso um pouco,
Minha vida tem mudado
Preciso me acertar.

Se está impaciente,
Só tenho a lamentar,
Sei que não é por minha causa,
É por você ter que se virar.
Eu pedi o seu apoio,
E você me disse sim,
Agora eu te peço,
Venha comigo até o fim.
105

TONTO NA VIDA

Cambaleando pela vida,
Levando alguns tombos,
Embriagado de decepções,
Copos e mais copos de mágoas.

Tonto pela vida, sem ressaca,
Não dá tempo é só cachaça.
Daquela mais vagabunda,
Cujo odor nem se disfarça.

Tenho a vista por vezes turva,
A cabeça gira a mil por hora,
Parece que já morri
Desde a última aurora.

E beijando copos do vil líquido,
Como se beijasse várias bocas,
Me entrego à tristeza
Tendo minha alma rota.

Sofrimento já não é,
Sinto que tudo está normal,
Vou trocando minhas pernas,
Sem encontrar o juízo final.

E de certo não vou morrer,
Ainda tenho muita tristeza
É preciso ainda sofrer
Dessa minha fraqueza.

Sabe mais o que me embriaga?
Te ver feliz com outro cara,
Torna minha vida bem amarga,
Tão amarga que nada sara.
92

MATE MEU DESEJO

Há muito tempo não te vejo,
E isso me dói um bocado,
Quero matar meu desejo
De ficar ao seu lado.

Passo mal longe de você,
Nem sei como sobrevivo,
Os dias passam arrastados,
Toda hora me desligo.

Posso ir atrás de você,
Com muita discrição,
Fico de longe só olhando,
Para acalmar meu coração.

Você também pode chegar,
Bem aqui do meu ladinho,
Só para eu me encostar
Em você de levinho.

Quero sentir seu calor,
Seu perfume que não gosto,
Quero lhe falar de amor
Colado no seu ouvido.

E se alguém notar
Me afasto bem depressa,
Fico te olhando à distância,
Como fiz naquela festa.

Preciso muito de você,
Não dá mais para sonhar,
É tanto tempo assim,
Não dá para continuar.
127

A GENTE PODIA SER FELIZ

Nessa vida miserável
Escolhi tudo errado.
Fui tão descuidado,
Um sujeito execrável.

Devia ter te falado
De tudo o que sentia,
Deixar tudo de lado,
Em troca de ter alegria.

Mas fui um covarde,
Fiz a escolha fácil,
Se tivesse mais verdade,
Hoje era feliz.

Eu achei que era fogo,
Que logo se apagaria,
Pois bem, ele se apagou,
Virou brasa que me consome.

E agora sofro todo dia
Do amor que não vivi,
Você era tudo o que eu queria,
Mas eu me distraí.

Depois de tanto tempo,
Voltando ao passado,
Eu me vejo novamente te deixando
Se casar e ficando calado.

Agora eu vejo você infeliz,
Fingindo estar tudo bem,
Eu confesso, fui eu que fiz,
Você ter o que tem.

E te peço mil perdões,
Pela minha covardia,
Os nossos corações 
Podiam ter sido felizes um dia.
93

SEGREDOS?

Segredos? Não sei nenhum,
Se soubesse não diria,
Sendo segredo tem que guardar,
Nem sob tortura eu falaria.

Se soubesse o segrado da vida,
Também não te contava,
O guardava aqui comigo,
Para o túmulo eu levava.
E não acredito que alguém vivo o saiba,
Pois a vida é tão extensa,
Teria tantos segredos que nem se contavam.

Nos meus ouvidos morrem os segredos,
São guardados a sete chaves,
Todas elas jogo fora,
Para não me tentar a abrir os cofres.

Um segredo é sagrado,
Mas, se contam, vira pecado.
Eu prefiro ficar calado,
Esquecer o que me foi contado,
Deixar no céu meu cantinho reservado.

Um segredo espalhado,
Já não é mais segredo,
É uma fofoca desmesurada
E o fofoqueiro merece o degredo.

Meu segredo eu não conto
Nem para mim mesmo,
Vai que eu seja o fofoqueiro,
Fico todo desnudado.

Seu segredo deve ser só seu,
Fique com ele bem guardado,
Saiba que na primeira oportunidade
Por seu rival será usado.

E por falar em rivalidade,
Procure não as ter,
Elas são, na verdade,
Um perigo para você.

Então, segredo não é para ser espalhado,
Espalhe, sim, amor pelos cantos,
Dessa forma você será bem lembrado.
E quanto aos segredos, deixe-os sob os mantos.
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REPOUSO DA ALMA

Um dia estarei repousando,
Em seu seio, minha amada,
Aconchegado em você,
Como criança aninhada.

E sentirei seu amor,
Nas batidas do seu coração,
E a cada compasso dele
Vai aumentar minha paixão.

Ali, quietinho vou ficar,
Com você a me embalar.
Será um bom repouso
Para minha alma cansada.

Nesse ninho que dá vida,
Quero apenas descansar
Dessa vida tão sofrida,
Que só me fez chorar.

Na sua respiração tranquila,
É onde vou me oxigenar,
Ali há tanta vida
Para me sustentar.

Depois, posso até morrer,
Mas eu vou cheio de felicidade,
Pois morreirei sem sofrer
Nenhuma adversidade.
125

PARTE DE MIM EM PARTES

Me parti em várias partes
E essas partes reparti,
Fui me vendo em pedacinhos,
Alguns eu destruí.

Não queria ser mais o mesmo,
Precisava de outra chance,
De ser um humano melhor,
E viver de outra forma.

Via o mundo com horror,
Mesmo ele sendo lindo,
Eu nunca me dei ao amor,
Dele sempre me afastei.

Então quebrei outras partes,
Tentando me encontrar,
Fui reduzindo os caquinhos
Para melhor me enxergar.

E joguei mais coisas fora,
Que me cansei de carregar,
Coloquei pedaços novos
Para poder avançar.

E assim fiz por um tempo,
Que não sei mensurar,
O que sei é que meu intento
Era sempre melhorar.

E melhorei aos poucos,
Sem pressa para não errar.
Eu não seria louco
De ter que recomeçar.

Ainda não terminei esse trabalho,
Acho que nunca vai terminar,
Se eu quero ser melhor
Será bom eu vigiar.
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Comentários (1)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.