Lista de Poemas

VIDRO EMBAÇADO

Olho a vida através de uma janela,
Que distorce tudo,
Dizem que a vida é muito bela,
Mas acho isso absurdo.

Nada é como dizem,
As imagens são desfocadas,
As cores se misturam,
O mundo para mim é bagunçado.

Há um céu azul por aí,
E um lindo campo verde,
Eu não acredito nem a pau,
Pois assim eu não vejo.

Há um vidro na minha frente,
Numa varanda colocado,
Ele, sim, não mente,
Mostra-me o mundo atrapalhado.

Outro dia uma moça,
De quem não me lembro o nome,
Esteve aqui com detergente e um pano,
Fez o vidro ficar translúcido.

Então vi o céu azul,
As flores todas do campo,
Coloridas como são,
E o sol, com seus raios brilhando.

Foi então que percebi,
Que não era o mundo desarrumado
E sim o vidro que me separava dele
Que estava sujo e embaçado.

49

MUITO CEDO

Sei que ainda é cedo,
Mas não tem hora para o amor,
Vim aqui a essa hora,
Para dizer que estou a fim de você.

Se quiser, me namore,
Não vai se arrepender,
Te farei tão feliz,
E por isso vai me querer.

Não vou te dar o mundo,
Ele não é meu.
Mas te dou a posse do meu coração,
Esse que já é todo seu.

Se te acordei, me perdoa,
Não torne isso um empecilho,
É que estou ansioso,
Sei lá, estou parecendo um menino.

Se me deixar entrar,
Juro que velo o seu sono,
Não deixo ninguém incomodar,
Farei um café gostoso.

Desculpe a pretensão,
Mas é o amor falando,
Ele tomou conta de mim,
E agora me faz pressão.

Então tá, vou embora,
Você não despertou,
Mas deixo um beijo no ar,
Em resposta àquele que me negou.

163

AO TE VER

Quando saio do meu mundo,
É somente para te ver,
No mais fico preso no escuro,
Pensando em você.

Ao te ver eu vibro,
Sei que não posso me aproximar,
Há um muro entre nós
Difícil de escalar.

É que a vida fez assim,
Ou nós erramos no passado,
Queria você para mim,
Não consegui ser seu namorado.

Descobri esse amor tardiamente,
Já não dava para voltar atrás,
Foi no dia do seu casamento,
Quando eu chorei demais.

Eu pensei que mudaria
Qualquer coisa aqui dentro,
Nada mudou, porcaria!
Sofro a cada momento.

Se um dia eu puder,
Falo tudo com você,
Vai ser um choque, sei,
Não é fácil de entender.

60

COMO UM RIO

Como um rio você passou,
Foi embora sem parar,
Meu coração você marcou,
Ele não para de chorar...

36

DESMONTADO

Eu não tenho nada a dizer,
A não ser o que já foi dito,
Se eu disse está valendo,
Muito mais do que o escrito.

Sinto muito você
Estar com cara de morte,
Eu não consigo entender,
Como é esta sua sorte.

Acordei hoje cedo,
Assim como faço todo dia,
Outro dia tive medo,
O calor me destruía.

Vou embora depois de amanhã,
Mas depois de um tempo volto,
Já andei de catamarã,
E meu intestino agora solto.

Eu te amo minha bela,
Mas não posso te dizer,
Acontece, minha estrela,
Que um dia vou morrer...

De você queria um beijo,
Daqueles bem safados,
Mas você me deu um queijo,
Que estava meio passado.

Sonhei que fazia amor contigo,
Você estava toda solta,
Me chamava de amor gostoso,
Mas seu gozo foi para mim um castigo.

E falando em castigo,
Outro dia caí da escada,
Era você me azucrinando,
Com sua fala engraçada.

Da janela olhava a rua,
Numa noite muito escura,
Ela estava toda nua,
Nela vi sua doce curvatura.

Se eu era o seu gostoso,
Porque me trocou por outro?
Será que passei da validade,
O me tornei monstruoso?

Acabou agora esse poema,
Já estou ficando chato,
A depressão pegou agora,
Logo jogo tudo no meio do mato.

91

MANTEREI A CALMA?

Que vontade de xingar,
Despejar mil palavrões,
Umas caras socar,
Dar muitos pescoções.

É verdade que nem sei
O que está me acontecendo,
Apenas hoje acordei,
Com muito veneno.

Tudo fora do lugar,
Me trazendo muita raiva,
Se um dia eu surtar,
Por favor, releve.

É que a vida está dura,
Como nunca foi antes,
Minha armadura
De dura ficou mole.

Não consigo entender
A demora de algumas coisas,
Tem gente que vem dizer,
"Espere, vem aí coisas boas".

Eu espero e nada vem,
Somente levo porrada,
Nem sei mais de quem,
Todo dia uma lapada.

Já não aguento mais,
Tenho que reagir,
Alguém vai sofrer minha raiva,
Quando eu me decidir.

Manterei minha calma
Por um tempo limitado,
Já perdi a minha alma
Sou agora um desalmado.

77

O MUNDO ESTÁ MUDADO

O mundo que conhecemos
Está todo mudado,
Antes as estações
Eram bem delimitadas.

Hoje tudo acontece
Ao mesmo tempo,
Tempestade e seca,
Frio e calor.

É o homem e sua ganância,
Que não tem nenhum limite,
Destrói a pobre natureza,
Para ficar rico.

O pensamento é tão pobre,
Que não tem cabimento,
O homem é um animal,
Que despreza seus sentimentos.

Chega a ser loucura,
Destruir o próprio habitat,
Mas o homem sem escrúpulos,
O faz pelo dinheiro.

Quanto mais tem, mais quer,
Mas vai destruindo a vida.
Daqui a pouco, sequer,
Terá como viver em paz.

Então vai chorar as pitangas,
Vai clamar por sua vida,
Não terá mais jeito algum,
Sofrerá com sua amarga partida.

71

PODE CHOVER FOGO

Pode chover até fogo,
Que eu continuo andando,
Vou em busca do seu beijo,
Com o qual vivo sonhando.

E se o fogo me queimar,
Não tem problema,
Continuo a te procurar,
Seu beijo será minha cura.

Quanto mais fogo cair,
Melhor será,
O meu beijo será quente,
Você vai gostar.

E se tudo se queimar,
Só não queima meu amor,
Esse é para te dar,
Ele é puro calor.

Chove o fogo vermelho,
Carregado de paixão,
Aqui nesse meu espelho
Vejo somente meu coração.

Gotas de fogo vou te levar,
Para acender muitas velas,
E à sua luz vamos nos amar,
Até que todas derretam.

Eu já vou terminar,
Esse poema incendiário,
Só para finalizar,
No amor sou o fogo
Que não vai te queimar.

101

QUEM DISSE?

Quem foi que disse
Que um belo poema
Precisa ter rima?
Ah, mas que bizarrice!

Poema tem que ter ritmo,
E muito sentimento,
Caso assim não seja,
A rima não faz o salvamento.

Quem foi que disse 
Que poema bom 
Tem que ter métrica,
Pra quê, se estiver fora do tom?

Poema tem que vir da alma,
Do que o poeta sente,
Se não for assim,
Nem a métrica fica decente.

Eu sou um poeta,
Que não se preocupa
Se o poema tem rima,
Muito menos se é bem medido.

Sou moderno, pós-moderno,
Sou além de rótulos,
Eu escrevo porque quero,
Sou feliz não tendo estilo.

O que escrevo é sincero,
Fruto do que penso,
Não fico contando sílabas,
Nem inventando rimas sem cabimento.

Eu só quero deixar ao mundo
Um bom trabalho sem estética,
Mas feito com muito zelo,
Porque prezo, sim, o sentimento.

101

DOENTE

Estou ficando doente,
Sei lá de quê.
Não é dor de dente,
Se bem que ela faz sofrer.

Estou doente aqui dentro,
Por onde você pensar,
Mas dói quase nada,
É um peso sem pesar.

Calamidade!
Eu já gritei,
Mas é a vida,
Que está a me matar.

Estou muito doente,
Na cabeça e em outro lugar,
Doença diferente,
Eu não sei explicar.

Vejo coisas que não existem,
Não vejo o que posso alcançar,
É cegueira dessa alma,
Que já se cansou de apanhar.

Remédio? Qual?
Não existe,
Pílula alguma vai me salvar.
Já me disseram "persiste!".
Não consegui me levantar.

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Comentários (2)

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celso ciampi

Obrigado!!

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.