Lista de Poemas

INCRÉDULO

Eu não acredito na morte,
Também não creio na vida.
Muito menos que existe sorte,
Essa ilusão descabida.

Não creio em mim,
Nem em meus sonhos,
São imagens distorcidas,
Quadros medonhos.

Acredito em nada, não,
Nem naquilo que estou vendo,
Que só existe para mim,
Porque estou querendo.

E se o céu é azul
Por que a chuva é incolor,
A neve branca e o granizo transparente?
A nuvem cinza é um horror!

Sou daqueles que não se abalam
Com os acasos da vida,
São todos tão estranhos,
Simplesmente não existem.

E se é automóvel
Porque precisa de motorista?
Se ele anda sozinho
Não precisa de quem o assista.

A escada que sobe
É a mesma que desce,
O homem que sorri
É o mesmo que chora.

E se estou aqui,
Não posso estar lá fora,
Então, aproveita e vai ver,
Se eu estou lá na esquina.

Ao ar em movimento
Que se desloca sem destino,
Deram o nome de vento,
Puro desatino...

Eu não acredito
Que escrevi esse texto,
Mas se você está lendo,
Ele existe, reconheço.

90

TENTO, MAS É DIFÍCIL

Eu juro que tento,
Mas é muito complicado,
Faço tudo para conseguir,
Mas sou sempre atropelado.

Parece que é mandinga,
Coisa espiritual,
Mas quando chego perto,
Tudo anda mal.

Eu acho que tem um lado bom,
Que é para eu ficar ligado,
Não me achar o máximo,
Manter a humildade.

Eu vejo também
A chegada sendo preparada,
Com tudo o que eu pedi,
E mais outras que não eram esperadas.

Então eu fico na minha,
Acato e não reclamo,
Continuo na labuta,
Como sempre faço.

Acredito que é isso,
Se não for, paciência,
Mas amanhã e sempre
Lutarei pela minha sobrevivência.

136

SE QUISER, SERÁ ASSIM

Eu volto, sem problemas,
Mas de agora em diante
Será diferente,
Quero ser bem tratado,
De forma decente.

Não sou uma peça qualquer
De seu jogo amoroso,
Se acaso você quiser
Desmonte o seu tabuleiro.

Depois de tudo o que houve,
Ainda tenho por você sentimento,
Não é mais amor, esse acabou,
Mas te dou uma chance de reavivá-lo.

Te garanto que não será fácil,
Você terá que se esforçar,
Seu trabalho será grande,
Afinal veio aqui me procurar.

Não que que eu tenha mágoa,
É que aprendi a me valorizar,
Foi você que me humilhou,
Até eu te deixar.

Se quiser, será assim,
Vai ter que se acostumar,
Nunca mais fará caso de mim,
Pelo contrário, terá uma tarefa:
A de, novamente, me conquistar. 

105

MINHA VIDA POR MIM

Eu nasci pelado e banguela,
Nada sabia, só chorava,
Tive amor e carinho,
E todo amor que precisava.

Depois fui crescendo,
Aprendendo coisas novas,
A inocência acabei perdendo,
Mas não perdi a educação.

E chegou a adolescência,
Os amores foram pintando,
Em meio a tanta mudança,
Eu fui me enrolando.

Frustrado com a vida,
Com os amores não vividos,
Acabei procurando sexo,
Paguei para ser recebido.

Eu vivia dessas ilusões
Que nós mesmos inventamos,
Machuquei alguns corações,
Enquanto ia me machucando.

Então me tornei adulto,
Vieram as responsabilidades,
Cumpri com todas elas,
Me formei e vi que não era nada.

Procurei outros caminhos,
Por onde até fui bem sucedido,
Mas eu não era feliz,
Tinha algo aqui escondido.

Até que um dia eu achei,
Esse esconderijo,
Lá dentro estava um "eu"
Que não era conhecido.

Travei com ele altos papos,
No início quis que ele fosse embora,
Mas depois gostei dele,
Chamei-o para vir aqui fora.

Nesse momento tudo mudou,
Meu mundo se coloriu,
Encontrei quem realmente sou,
E a vida me sorriu.

Larguei tudo o que eu não era,
Voltei às minhas origens,
Choquei o meu entorno,
Deixei de ser o que de mim esperavam.

Passei a ser o que eu queria,
Mas havia deixado escondido.
Minha vida virou do avesso,
Mas eu estava decidido.

Amassei a lama mais fedida,
Caminhei por lugares escuros,
Fui abandonado sem amigos,
Mas fiquei bem sozinho.

E caminhei com determinação,
Eu tinha um destino,
Mirei nele, só nele,
Pensaram ser um desatino.

Progredi a caminhada,
Às vezes rápido, outras lento,
Mas ia sempre para a frente,
Me guiando, nunca ao sabor do vento.

Enfrentei tempestades,
E muito frio,
Eu não tinha um abrigo,
Dormi ao relento.

Mas cheguei ao meu destino,
Ainda bem inteiro,
Não me dão nenhum crédito,
Ainda sou um "aventureiro"...

82

NÃO SEI

Não sei sobre o amanhã
Por isso vivo o agora,
Não sei nem de hoje,
Vibro na intensidade da hora.

Os planos estão feitos,
Cabe a mim executar,
Se houver algum defeito,
É preciso consertar.

Não sei se vale a pena,
Fazer rimas nos poemas,
Nem sempre fica bom,
Mas agrada a gente pequena.

Por isso não procuro
Por rimas no que escrevo,
Prefiro a liberdade,
Do que ser um escravo.

Não sei se a vida será longa,
Espero, sim, que seja,
Ainda há o que fazer,
Preciso de mais um tempo.

Vou, mas às vezes volto,
Esqueço alguma coisa,
Então venho pegar,
Nesse instante a vida continua...

Não sei de tudo,
Mas sei o que preciso,
Outras coisas não aprendo,
Porque me deixam confuso.

Posso ir muito mais rápido,
Mas prefiro ir seguro,
Se a faixa é contínua,
Fico atrás, não ultrapasso.

Não sei, devia saber?
Acredito que não.
Melhor é curtir feliz
Uma linda tarde de lazer.

100

O FILHO DO TEMPO

Eu sou o filho do tempo,
Sou eu que controlo o vento,
Faço a Terra girar,
E movimento o cata-vento.

Sou eu que sorrateiramente,
Mexe no seu cabelo,
Sopro a brisa bem levinha,
No seu rosto de princesa.

Faço o tempo passar para as outras
E te mantenho jovem,
Esculpindo com meus dedos,
Cada canto de seu corpo.

Sou eu que te protejo
Dos raios do sol,
Deixo apenas que cheguem,
Os que melhor te bronzeiam.

Sou o filho do tempo,
Portanto tenho meus poderes,
Quando estou contigo,
Paro tudo onde estamos.

Eu sou o tempo ainda melhor,
De você estou cuidando,
Te dedico tanto amor,
Que o nosso tempo está quase voltando...

97

SIM, EU ERA INOCENTE

Inocente, sim eu era,
Mas perdi essa condição,
O tempo foi passando,
Aprendi muito indo ao chão.

Agora sou mais experiente,
Ainda tenho uma certa inocência,
Tem coisas que a gente não aprende,
Talvez por conveniência.

Mas a vida dá seus cursos,
Com amor, ou na pancada,
Nós, como idiotas,
Preferimos as lambadas.

Abram os olhos, meus amigos,
E amigas também,
O mundo virou uma selva
E os lobos não se escondem mais.

Eu era inocente, uma criança,
Me fizeram a cabeça
Brincando de ciranda,
Foi uma tristeza.

Eu cresci, aprendi e me livrei,
De tudo o que não presta,
Hoje me sinto livre,
Mas ainda sou uma presa.

144

A COISA FICA FEIA

Quanto mais eu me agito
Mais a coisa fica feia,
Eu nem acredito,
Devo estar preso numa teia
De aranha com veneno maldito,
Do tipo que mata e incendeia.

Pulo aqui e ali,
Corro daqui para lá,
Cada passo que eu dou,
Parece mais me abalar.

Preso em meus pensamentos,
Fico louco assistindo
Esse mundo traiçoeiro
A velozmente girar.

Caio e não me levanto,
Fico no chão a lamentar,
Vem outros caminhantes
Não desviam, querem me pisotear.

Machucado no corpo e na alma,
Não vejo outra saída,
Desisto da caminhada,
Esperando o fim da vida.
Ela simplesmente não acaba,
Não sei o que ela quer de mim,
Eu nem tento mais jogadas,
Acabaram minhas fichas,
Minha vida é uma roubada.

101

ENFIM, NÃO TEM FIM

É um poço muito fundo
Que nunca chega ao seu fim,
É nele que me afundo,
Como um cordeirinho.

Calado vejo que a luz
Só vai se afastando,
Ela agora é um pontinho,
Aqui está muito escuro.

Continuo caindo,
Em velocidade alucinante,
Se tento me segurar num canto,
Quase perco minha mão.

Então aceito a queda,
Uma hora ela vai parar,
Espero que pare logo,
Estou a ponto de pirar.

Tenho um pingo de esperança,
Dizem que ela não morre,
A minha está moribunda,
E ninguém a socorre.

E olho ao redor,
Vejo muita indiferença,
Saem todos do meu caminho,
Que dura experiência!

Mas eu tenho ainda a fé,
Essa se mantém forte,
É ela que me sustenta,
Me dá um grande suporte.

Não fosse minha fé,
Não estaria ainda lutando,
Sei que Deus está no controle,
Então caio, mas confiando.

Um dia isso acaba,
A vida entra nos eixos,
Daí terei a vitória,
Muito maior do que sonhei.

A minha esperança
Ainda que moribunda,
Por força da fé,
Ainda age bem arguta.
 

90

AOS LEÕES

Fui jogado aos leões,
Sem defesa nenhuma,
Me atraquei com eles,
Levei muitas mordidas.

Arranharam meu corpo,
Jogaram-me ao chão,
Eu, como um gladiador,
Me defendia com o coração.

E a luta foi enorme,
Muitas vezes estive perto da morte,
Mas ela não me levou,
Não era essa a minha sorte.

E os leões eram selvagens,
Queriam minha carne,
Não conseguiram nada,
Um a um foram derrotados.

Então fiquei sozinho,
No meio da arena,
Eu estava em farrapos,
Mas não quis de ninguém a pena.

Logo me recompus,
Encontrei a saída,
Ainda estava fraco,
Mas eu tinha muita vida.

Consegui algum respeito,
Mas ainda me chutavam,
Eu, seguia direto,
Não perdia tempo com bobagens.

Venci sozinho meus obstáculos,
Fiz a minha caminhada,
Estou chegando ao final
De uma longa e dolosa jornada...

99

Comentários (2)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.
celso ciampi

Obrigado!!

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.