Lista de Poemas
SHOW ESDRÚXULO
Que show esdrúxulo é esse,
Que armaram nesse mundo,
Que caminha a passos largos
Em direção a um abismo?
Toda gente perplexa,
Com os acontecimentos,
São guerras desconexas,
De puro divertimento.
E as crianças morrem indefesas
Como formigas são esmagadas
Por armas poderosas,
De matéria desgraçada.
O ódio sem limites,
Faz vítimas inocentes,
São causas religiosas,
De pessoas indecentes.
E tem quem ainda apoia,
Xinga as minorias,
Se acham protegidas,
Mas vivem a mesma agonia.
A cor da pele virou documento,
Numa sociedade desalmada,
Onde o branco é belo
E o negro excremento.
Depois vão para a igreja
Como forma de se purgarem,
Mas Deus está de olho,
No inferno vão se queimar!
E em nome Dele,
Cometem as maiores atrocidades,
Como se fossem sãos
Se alinham a insanidades.
VAI CATAR COQUINHO!
Vai catar coquinho
E me esquece de uma vez,
Pode ir pegando rumo,
Nessa rua que agora é tua.
Estão aqui suas malas,
Arrumei tudo direitinho,
Não deixei nada de fora,
Já chamei até um carro,
Pode ir embora,
Que ele já está pago.
Esqueça o meu telefone,
Seu número está bloqueado,
Das minhas redes sociais te excluí,
Te risquei do meu passado.
Seja feliz em outro lugar,
De preferência longe daqui,
Não quero mais notícias,
De você esqueci.
Quero que vá agora,
Não precisamos conversar,
Nosso papo acabou
Antes mesmo de começar.
Quando sair jogue fora as chaves,
A fechadura vou trocar,
Para que não tenha intenção,
De um dia qualquer voltar.
Troquei todos os lençóis,
Troquei também o sabonete,
De você não quero nem o cheiro,
Queimei aquele colchão
Que ainda tinha suas marcas indecentes.
Mas não fique triste, não,
Serei um cavalheiro,
Se me perguntarem o que aconteceu,
Não contarei todo o enredo.
Mas eu sei o que houve,
E me deixou muito triste,
Minha raiva nunca passará,
Você matou meu sentimento.
COM SUA LICENÇA
Por favor, me dê licença,
Eu preciso te falar
De um monte de coisas
Que estão a me entalar.
Mas você não me dá ouvidos,
Nem se interessa por mim,
Por mais que eu lhe peça,
Nunca ouve o que tenho a dizer.
Se é assim que me trata,
Então porque não me libera,
Se não te sirvo para nada,
Deixe eu procurar quem me queira.
Ontem você chegou tarde,
Nem um beijo me deu,
Fui dormir abalado,
Alguma coisa aconteceu.
Minha vida está triste.
Estou arrumando minhas coisas,
Hoje, quando você voltar,
Não estarei mais aqui.
E te peço, não me procure,
Não me peça explicação,
Vou embora em silêncio,
Mas com dor no coração.
SOMBRAS
Elas estão por toda parte,
Onde quer que eu olhe,
Seguem os meus passos,
Incomodam e assustam.
Aqui e ali,
Não sei quem é quem,
Não conheço mais ninguém,
Confiar? Como posso?
Um sorriso tem maldade,
Um abraço me afoga,
Nesse troço de amizade,
Não existe sinceridade.
Tem quem brinca com fogo,
Tem quem é o fogo,
Tem quem se queima,
Tem quem queima o outro.
Chorar não adianta,
Você vai ser pisado,
O que vale é estar alerta,
Deixar o desconfiômetro ligado.
Tem conselho que é bom,
Mas tem os maus conselhos,
Cuidado com quem diz
Torcer por você!
A torcida pode ser,
Para que você se dê mal,
Não consiga realizar
Aquele sonho especial.
E no correr do tempo,
Você vai perdendo o brilho,
É tudo o querem
Essas sombras do inferno!
DE MATEMÁTICA...
De matemática nada sei,
Matava essas aulas,
Para ela nunca liguei,
Nem para a escola!
Aprendi a fazer o básico,
Somar e subtrair,
Mesmo assim contando nos dedos,
Sem vergonha de admitir.
Matemática é um suplício,
Negócio de doido mesmo,
Admiro quem sabe fazer contas,
Mas prefiro os escritores.
Outro dia eu não sabia,
O resultado de uma divisão,
Peguei todo o montante
E dividi em dois montões,
Se deu certo eu não sei,
A altura ficou igual.
Minha parte eu peguei,
E o outro passou mal.
Os números me são arredios,
Todos eles me enganam,
Sinto até calafrios quando vem o troco,
Não sei nunca se vem a mais
Ou se vem faltando.
Matemática é um absurdo,
Mas dizem que ela é linda,
Acho, sim, um horror,
Coisa louca, descabida.
Trigonometria, que significa isso?
Acho sim que é coisa fria.
O triângulo que eu conheço,
É o da prima Carlotinha.
Embora seja uma matéria
Para muitos admirada,
Matemática para mim.
Não passa de uma piada.
MIL FANTASMAS
Eu criei mil fantasmas,
Todos eles para me assombrarem,
Hoje eles se multiplicaram,
Impossível de contar.
Vivo sendo perseguido
Por essas almas penadas,
Que de penas não têm nada,
São todas uma palhaçada.
Que besteira eu fiz,
Inventar esses monstros,
Agora não consigo me livrar,
Sou um monte de destroços.
Onde vou tem um,
Ficam a me rodear,
Alguns não mais me assustam,
Vêm mesmo para brincar.
Estou me livrando de um bom tanto,
Mas outros ocupam seu lugar,
Quanto mais procuro por santos,
Mais fantasmas vêm me atormentar.
Me entreguei, é verdade,
Essa sina eu criei,
Um dia morro de doença,
Mas, garanto, que voltarei...
BOM SERIA ACABAR
Não dá mais para aguentar,
Essa nossa relação,
Que sem se equilibrar
Está prestes a ir ao chão.
Isso vai nos machucar,
Se não tivermos atenção.
Bom seria acabar,
Antes de ferir o coração.
Está tudo em desacordo,
Queremos coisas diferentes,
Esse nosso namoro,
Parece festa de ausentes.
Vamos nos dar uma chance,
Podemos ser felizes,
Teremos outros romances,
Como está seremos infelizes.
Mas que coisa chata
A gente continuar tentando,
Essa relação barata,
Está mesmo acabando.
Não dá mais para fingir,
Que somos um casal,
Ontem mesmo eu te traí
Com aquela sua amiga legal.
E sei que você também
Saiu com outro cara.
Aquele do armazém,
Que sempre te encara.
Isso não nos faz bem,
Melhor sair do que nos abala.
Podemos ir além,
Curtir a vida sem escala.
Somos pessoas bacanas,
Vivendo uma ilusão,
Só nos damos bem na cama,
Por conta mesmo do tesão.
MEDO DE MIM
Tenho medo de mim,
Do que eu posso fazer,
Não chegue perto assim,
Posso não me conter.
Sou uma bomba ambulante,
Que já foi disparada,
Posso explodir em algum instante,
Não sei mais nada.
Meu mundo está em crise,
Ondas de quinze metros
Invadem o continente,
A terra treme por completo.
Chuva forte cai aqui,
Há muitos alagamentos,
Não sei onde vou parar,
Uma hora, sim, vou explodir.
Estou sofrendo muito,
O tempo está correndo,
O prazo está acabando,
Estou aos poucos morrendo.
FUI PARA LÁ
Eu saí daqui,
Para outro lugar,
Para onde eu não sei,
Nem acho que vou ficar.
Longe, depois do monte,
Tem flores que nunca vi,
Eu andei naquela direção,
Num abismo quase caí.
Então dei a volta,
Encontrei uma passagem,
Quando terminei de atravessar,
Quebrou-se aquela ponte.
Não tinha mais como voltar,
Segui em frente, estava cansado,
Encontrei algumas frutas,
Pronto, estava alimentado.
Tomei água fresca
Que saía de uma mina,
Ela era tão gostosa,
Levei um pouco comigo.
Escalei aquele monte,
Bem devagarinho,
Dormi lá em cima,
Fiz cama com matinho.
O sol me acordou cedo,
Então vi as flores lá no campo,
Desci o morro acelerado,
Levei alguns tombos.
Quando cheguei na baixada,
Havia uma cerca a me parar,
Ela era toda fechada,
Na placa dizia: "você não pode entrar!"
Pulei a cerca com muito esforço,
Corri em direção às flores,
De repente um estrondo,
Caí sentindo dores.
Era um capataz armado,
Que me acertou um tiro,
Eu estava todo lascado,
Apaguei em delírio.
Depois eu estava num campo,
Todo branco e bem cuidado,
Um senhor bem educado,
Permitiu a minha entrada.
Foi então que percebi
Que tudo estava acabado,
Eu estava morto, descobri,
Era um espectro não alado.
Daí outro homem me chamou,
Tinha cara de poucos amigos,
Com uma prancheta listou,
Os meus pecados cometidos.
Disse que ali eu não podia ficar,
Que era outro o meu lugar.
Apagou-se tudo num segundo,
Acordei e estava a me queimar.
Então eu pedi clemência,
Mas não tinha ninguém para me escutar.
Eu saí atrás de flores, pulei uma cerca
Que nunca devia pular.
FICA DE OLHO!
Fica de olho, otário,
Tem gente te ferrando!
Se levanta dessa fossa,
E continua lutando!
Tem amigo que é da onça,
Esse vai te puxar o tapete,
Se você não se segurar,
Cairá de repente.
Fica esperto, seja malandro,
Se liga no que eu digo,
Sua festa está acabando,
Você corre muito perigo.
Se nada faz por sua vida,
Ninguém mais vai fazer,
Querem todos sua queda,
Nem se preocupam em esconder.
É melhor ficar sozinho
Do que cercado de maldade,
Siga seu caminho
Bem longe de certas amizades.
Pode estar aí do lado,
Mais perto do que pensa,
Tome todo cuidado
Com quem te pede recompensa.
A vida não é fácil
Então não facilite,
Tem quem chega sorrindo
Para te dar um mal palpite.
E para finalizar,
Fuja desses palpiteiros,
Essa gente dá azar,
São todos encrenqueiros!
Comentários (2)
Obrigado!!
Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.