Celso Ciampi

Celso Ciampi

n. 1971 BR BR

Mineiro de Juiz de Fora. Poeta, autor do livro "Minhas Faces", escrevo sobre o amor, a vida e de tudo um pouco. Membro convidado da Academia de Letras da Manchester Mineira. Participo do projeto "POESIA NA ESCOLA", fui selecionado para compor a antologia "POESIA BR!", em um concurso nacional.

n. 1971-12-16, Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil

Perfil
110 052 Visualizações

VOCÊ TAMBÉM VAI SOFRER!

Quero ver o seu sofrimento,
A tristeza em seus olhos,
O choro como corrimento,
Seu rosto desbotado.

Coração partido e doente,
Sozinha e rangendo os dentes,
E a fúria da discórdia inclemente,
Te roendo lentamente.

Quero ver o seu mundo ruindo,
Aos poucos, sem pressa alguma,
Cada parte caindo,
Até não sobrar de pé coisa nenhuma.

Você implorando por amor,
Sendo rejeitada,
Sentirá tanta dor
E não será curada!

Quero ver as suas entranhas
Sangrando sem parar.
O mundo e suas manhas
A te atormentar.

Vai sofrer a vida toda,
Para se lembrar
Que um dia, fez-se de boba,
E assim me fez chorar...

Ler poema completo

Poemas

1050

É QUE EU TENHO MUITO A FAZER

Muito ainda tenho a fazer,
Estou seguindo em frente,
Vou com destino certo,
Sou o sol nascente.

Enquanto brilha a luz da vida,
Nela me jogo por inteiro,
Não tenho medo de ser intenso,
Sou feito de meus sonhos.

A vida me deu tanto,
Por eu ter me entregado,
Tive medo em alguns instantes,
Mas fui logo ajudado.

Eu sofri, sim, é a vida,
Mas não guardo mágoa alguma,
Tenho alma tão polida,
Ela brilha na penumbra.

Mais um ano de realizações,
Muito mais a caminhar.
Eu abro muitos corações,
Que me deixam neles entrar.

Sou alegre, sou pulsante,
Tenho sonhos lindos,
Não sou delirante.
Abro meus caminhos sorrindo.

131

ENFIM, NÃO TEM FIM

É um poço muito fundo
Que nunca chega ao seu fim,
É nele que me afundo,
Como um cordeirinho.

Calado vejo que a luz
Só vai se afastando,
Ela agora é um pontinho,
Aqui está muito escuro.

Continuo caindo,
Em velocidade alucinante,
Se tento me segurar num canto,
Quase perco minha mão.

Então aceito a queda,
Uma hora ela vai parar,
Espero que pare logo,
Estou a ponto de pirar.

Tenho um pingo de esperança,
Dizem que ela não morre,
A minha está moribunda,
E ninguém a socorre.

E olho ao redor,
Vejo muita indiferença,
Saem todos do meu caminho,
Que dura experiência!

Mas eu tenho ainda a fé,
Essa se mantém forte,
É ela que me sustenta,
Me dá um grande suporte.

Não fosse minha fé,
Não estaria ainda lutando,
Sei que Deus está no controle,
Então caio, mas confiando.

Um dia isso acaba,
A vida entra nos eixos,
Daí terei a vitória,
Muito maior do que sonhei.

A minha esperança
Ainda que moribunda,
Por força da fé,
Ainda age bem arguta.
 

98

FUI PARA LÁ

Eu saí daqui,
Para outro lugar,
Para onde eu não sei,
Nem acho que vou ficar.

Longe, depois do monte,
Tem flores que nunca vi,
Eu andei naquela direção,
Num abismo quase caí.

Então dei a volta,
Encontrei uma passagem,
Quando terminei de atravessar,
Quebrou-se aquela ponte.

Não tinha mais como voltar,
Segui em frente, estava cansado,
Encontrei algumas frutas,
Pronto, estava alimentado.

Tomei água fresca
Que saía de uma mina,
Ela era tão gostosa,
Levei um pouco comigo.

Escalei aquele monte,
Bem devagarinho,
Dormi lá em cima,
Fiz cama com matinho.

O sol me acordou cedo,
Então vi as flores lá no campo,
Desci o morro acelerado,
Levei alguns tombos.

Quando cheguei na baixada,
Havia uma cerca a me parar,
Ela era toda fechada,
Na placa dizia: "você não pode entrar!"

Pulei a cerca com muito esforço,
Corri em direção às flores,
De repente um estrondo,
Caí sentindo dores.

Era um capataz armado,
Que me acertou um tiro,
Eu estava todo lascado,
Apaguei em delírio.

Depois eu estava num campo,
Todo branco e bem cuidado,
Um senhor bem educado,
Permitiu a minha entrada.

Foi então que percebi
Que tudo estava acabado,
Eu estava morto, descobri,
Era um espectro não alado.

Daí outro homem me chamou,
Tinha cara de poucos amigos,
Com uma prancheta listou,
Os meus pecados cometidos.

Disse que ali eu não podia ficar,
Que era outro o meu lugar.
Apagou-se tudo num segundo,
Acordei e estava a me queimar.

Então eu pedi clemência,
Mas não tinha ninguém para me escutar.
Eu saí atrás de flores, pulei uma cerca
Que nunca devia pular.
 

168

AGORA POSSO?

Vi que você está só,
Não tem mais seu namorado.
É fato consumado,
Ou ainda tem chance de volta?

Se for definitivo,
E a tristeza já tiver passado,
Eu peço que me autorize
A cortejar-te, estou interessado.

Não é interesse superficial,
É sentimento profundo,
Desenvolvi o amor,
Mas guardei aqui comigo.

Eu preciso ter uma chance
Para mostrar o que sinto,
E então você decide,
Se me namora ou não.

Agora posso chegar pertinho,
Conversar sem receio?
Prometo que nada forçarei,
Serei um cavalheiro.

117

NÃO SEI

Não sei sobre o amanhã
Por isso vivo o agora,
Não sei nem de hoje,
Vibro na intensidade da hora.

Os planos estão feitos,
Cabe a mim executar,
Se houver algum defeito,
É preciso consertar.

Não sei se vale a pena,
Fazer rimas nos poemas,
Nem sempre fica bom,
Mas agrada a gente pequena.

Por isso não procuro
Por rimas no que escrevo,
Prefiro a liberdade,
Do que ser um escravo.

Não sei se a vida será longa,
Espero, sim, que seja,
Ainda há o que fazer,
Preciso de mais um tempo.

Vou, mas às vezes volto,
Esqueço alguma coisa,
Então venho pegar,
Nesse instante a vida continua...

Não sei de tudo,
Mas sei o que preciso,
Outras coisas não aprendo,
Porque me deixam confuso.

Posso ir muito mais rápido,
Mas prefiro ir seguro,
Se a faixa é contínua,
Fico atrás, não ultrapasso.

Não sei, devia saber?
Acredito que não.
Melhor é curtir feliz
Uma linda tarde de lazer.

107

SE QUISER, SERÁ ASSIM

Eu volto, sem problemas,
Mas de agora em diante
Será diferente,
Quero ser bem tratado,
De forma decente.

Não sou uma peça qualquer
De seu jogo amoroso,
Se acaso você quiser
Desmonte o seu tabuleiro.

Depois de tudo o que houve,
Ainda tenho por você sentimento,
Não é mais amor, esse acabou,
Mas te dou uma chance de reavivá-lo.

Te garanto que não será fácil,
Você terá que se esforçar,
Seu trabalho será grande,
Afinal veio aqui me procurar.

Não que que eu tenha mágoa,
É que aprendi a me valorizar,
Foi você que me humilhou,
Até eu te deixar.

Se quiser, será assim,
Vai ter que se acostumar,
Nunca mais fará caso de mim,
Pelo contrário, terá uma tarefa:
A de, novamente, me conquistar. 

111

A COISA FICA FEIA

Quanto mais eu me agito
Mais a coisa fica feia,
Eu nem acredito,
Devo estar preso numa teia
De aranha com veneno maldito,
Do tipo que mata e incendeia.

Pulo aqui e ali,
Corro daqui para lá,
Cada passo que eu dou,
Parece mais me abalar.

Preso em meus pensamentos,
Fico louco assistindo
Esse mundo traiçoeiro
A velozmente girar.

Caio e não me levanto,
Fico no chão a lamentar,
Vem outros caminhantes
Não desviam, querem me pisotear.

Machucado no corpo e na alma,
Não vejo outra saída,
Desisto da caminhada,
Esperando o fim da vida.
Ela simplesmente não acaba,
Não sei o que ela quer de mim,
Eu nem tento mais jogadas,
Acabaram minhas fichas,
Minha vida é uma roubada.

107

SIM, EU ERA INOCENTE

Inocente, sim eu era,
Mas perdi essa condição,
O tempo foi passando,
Aprendi muito indo ao chão.

Agora sou mais experiente,
Ainda tenho uma certa inocência,
Tem coisas que a gente não aprende,
Talvez por conveniência.

Mas a vida dá seus cursos,
Com amor, ou na pancada,
Nós, como idiotas,
Preferimos as lambadas.

Abram os olhos, meus amigos,
E amigas também,
O mundo virou uma selva
E os lobos não se escondem mais.

Eu era inocente, uma criança,
Me fizeram a cabeça
Brincando de ciranda,
Foi uma tristeza.

Eu cresci, aprendi e me livrei,
De tudo o que não presta,
Hoje me sinto livre,
Mas ainda sou uma presa.

154

O FILHO DO TEMPO

Eu sou o filho do tempo,
Sou eu que controlo o vento,
Faço a Terra girar,
E movimento o cata-vento.

Sou eu que sorrateiramente,
Mexe no seu cabelo,
Sopro a brisa bem levinha,
No seu rosto de princesa.

Faço o tempo passar para as outras
E te mantenho jovem,
Esculpindo com meus dedos,
Cada canto de seu corpo.

Sou eu que te protejo
Dos raios do sol,
Deixo apenas que cheguem,
Os que melhor te bronzeiam.

Sou o filho do tempo,
Portanto tenho meus poderes,
Quando estou contigo,
Paro tudo onde estamos.

Eu sou o tempo ainda melhor,
De você estou cuidando,
Te dedico tanto amor,
Que o nosso tempo está quase voltando...

107

PASSO MAL

Eu sofro sim,
Passo mal,
Tudo bem,
É normal.

Vou em frente,
Choro muito,
Sou carente,
Quero seu fruto.

Eu caio sempre,
Fico triste,
Mas vou em frente,
De dedo em riste.

Pode me deixar,
Não fico só,
Se não me amar,
Não tenho dó.

Posso ser
Um menino,
Mas vou morrer
Te perseguindo.

Passo mal
Quando vejo
Um outro cara
Te dando um beijo.

Então te xingo,
De tanto nome,
Eu me desmancho
Quando você some.

Então tá,
Fico de longe,
A te namorar,
Feito um monge.

101

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.