Lista de Poemas
NADA SEI?
Se eu sei que nada sei,
Então sei alguma coisa,
Pois saber que não sei,
Já não me deixa ignorante.
Sei de coisas que não preciso,
Não sei coisas importantes,
Eu vivo num modo meu,
Me importo com coisas interessantes.
Sou, quem sou,
Não sou outro alguém,
Quem me vê de perto,
Vê o mesmo quando além.
E se sei que não sabendo
Eu sou mesmo assim.
Eu existo porque penso,
Ou pelo que pensam de mim?
Nada sei dessa vida,
Mas para quê saber?
Ela é tão corrida,
Tenho tanto a aprender...
Vivo e isso basta,
Há quem me veja por aí,
A vida me arrasta,
Mas nem por isso eu sofri.
NÃO FICOU BOM
Fiz um poema agora,
Falei sobre solidão,
Acabei o jogando fora,
Ele não ficou bom.
Usei palavras duras,
Xinguei um monte de gente,
Não tive papas na língua,
Ele estava impublicável.
Apaguei do computador,
Tudo aquilo que escrevi.
Se estou solitário,
Foi porque escolhi.
Agora não adianta
Culpar mais ninguém,
Nem você, que me deixou,
Pois fez muito bem.
Eu criei meus fantasmas,
Eles são assustadores,
Esse é o meu carma,
Não segurar amores.
Ontem foi a gota d'água,
Você não mais suportou,
Todas as minhas manias
E alucinações.
Prometo não te procurar
Nunca mais nessa vida,
Sei que vou amargar
Uma vida muito sofrida...
SEREI RÁPIDO
Estou aqui para dizer
Tudo o que está engatilhado,
Já passou muito tempo,
Não estou mais envergonhado.
Acabou a vergonha de dizer
Que você é meu amor,
Sou um cara apaixonado,
Me aceite, por favor!
E agora vou embora,
Porque ficou calada,
Talvez a surpresa,
A tenha deixado abalada...
E se o seu silêncio
É por não me querer,
Tem problema, não,
Pode me dizer...
TE DESCOBRI
Só agora tive sua atenção,
E também te dei alguma,
Nossa breve relação
Até ontem era nenhuma.
Tivemos tempo de nos conhecer,
A princípio a certa distância,
Depois fomos nos chegando,
Como que nada querendo.
Na verdade acho que era sim
Por conta das circunstâncias,
Mas depois fui percebendo
Que encurtava a distância.
Estávamos muito perto um do outro,
Quase nos dávamos as mãos,
Mas era muito perigoso,
Chamar tanta atenção.
Fizemos de despercebidos,
Trocávamos alguns olhares,
Eu estava te achando linda,
Em todos os detalhes.
E você aceitava bem
A forma como eu te olhava,
Com desejo carinhoso,
Meus olhos te encaravam.
As barreiras foram quebradas,
Rolou, depois um abraço
Foi quando decidimos
Dar um próximo passo...
OUTRO DIA
Outro dia lá em casa,
Caiu um copo no chão,
Ele se espatifou
E machucou o meu dedão.
Não fosse isso, tudo bem,
Antes ele do que eu.
Mas o danado me feriu,
Depois deu infecção.
Demorou muito tempo
Para curar o machucado,
O copo, comprei outro,
No supermercado.
Agora eu não vacilo,
Seguro firme qualquer copo,
Vai que ele cai de novo,
E ataca o meu corpo.
Mas outro dia a vassoura
Estava no chão
Tropecei no seu cabo,
Caí feito um bundão.
Quebrei o braço nesse tombo,
Tive que engessar,
A vassoura continua inteira,
Encostada na parede, ela ri sem parar.
Eu fiquei alguns dias
Sem poder trabalhar,
Olha a vassoura,
Ela continuava a varrer.
Outro dia beijei sua boca,
Foi um beijo tão gostoso,
Você, feito louca,
Me arranhou o corpo todo.
Só que disso eu gostei,
Te acariciei com carinho,
Então, sua roupa eu tirei,
Fizemos amor no quartinho.
Outro dia você voltou,
E um beijo me deu,
Me disse que gostou
Do que aconteceu.
Eu fiquei feliz,
Mas não pude fazer nada,
O sofá onde nos amamos,
Me deixou a coluna ferrada.
Outro dia fui até sua casa,
Estava muito animado,
Bati na porta e atendeu
Um rapaz bem apanhado.
Ele era seu marido,
Perguntou o que eu queria,
Eu disse qualquer coisa,
Sei que foi uma mentira.
Outro dia te encontrei,
Na rua numa tarde,
Então te questionei,
Como fez tal maldade.
Você me respondeu,
Que não foi maldade nada,
É que só se esqueceu
De que não estava separada.
Outro dia eu caí em um buraco,
Ele era tão profundo,
Parecia não ter fim,
Era minha vida batendo em mim...
EU NÃO SEI O QUE FAZER
Eu estou perdido,
Não encontro o caminho,
Em qualquer encruzilhada,
Sigo só o meu instinto.
E então me perco,
Tento voltar, mas não consigo,
O caminho começa a se fechar,
Tenho uma só opção: andar.
Não levo um mapa,
Nem, ao menos uma bússola,
O caminho é escuro,
Não há luz nesse lugar.
Encontro vários perigos,
Muitos me machucam,
Outros eu ponho de lado,
Corro por desvios.
Meu destino já se perdeu,
Não sei mais onde está,
Quero apenas chegar,
E me sentir seguro.
Fiz errado, eu sei,
Joguei para todos os lados,
Eu não tive outra escolha,
Eu estava encurralado.
E agora tento encontrar
Algo a que me segurar,
Mas a vida tem suas voltas,
E volto a me enrolar...
VIVER ASSIM É CHATO
Tudo tem que estar
Bem arrumadinho
No seu devido lugar.
Cada coisa em seu cantinho.
É preciso rimar
Para a poesia ter valor,
Então, é preciso inventar,
Rimas que são um horror.
Combinar cores,
Harmonizar sabores,
Então, agora escrevo flores,
Essa estrofe causa pavores.
Se me prendo,
Não sou feliz,
Se me solto,
Me fazem infeliz.
Então que vida manca essa,
Me sinto uma marionete
Manipulado pelo desejo
De quem não me conhece.
Cobram de mim tanta coisa,
Mas nunca me pagam nada,
Tenho que opinar sobre o mundo,
Uma verdadeira praga!
Nem em casa tenho sossego,
A mulher chega brava,
Me chama de bagunceiro,
Diz que a casa está revirada.
Outro dia parei meu carro
No sinal vermelho,
Outro motorista veio
E me xingou de nome feio.
Assim como todos
Eu tenho minhas vontades,
Mas delas logo me esqueço,
Pois não posso ter vaidades.
Eu trabalho todo dia,
Mas me chamam de vagabundo,
Dizem que meu trabalho,
É um completo absurdo.
Então tenho que fingir
Ser o que não sou.
Me machuca essa história,
De inventar que vou aonde não vou.
ME DEDIQUEI À COISA ERRADA
Fui um tolo abjeto,
Fiz o que não devia ter feito,
Saí pelo mundo correndo,
Achando que fazia direito.
Não fazia nada,
Me enganava todo santo dia,
Eu mesmo me ceguei,
Joguei fora tudo o que tinha.
Ouro de tolo,
Acreditei em pontos dourados,
Peguei todos quantos pude,
Era tudo falsificado.
Perdi o que eu tinha,
Continuei iludido,
Fui atrás de vento,
Encontrei muita tempestade.
Entre tantas enxurradas,
Encostas que caíam,
Eu, capenga, continuava,
Pois outros me iludiam.
Um sonho que virou pesadelo,
E eu não conseguia acordar,
Era grande meu desespero,
Quando consegui enxergar.
Vi o que não queria ver,
Estava tudo cinza,
Nada tinha cor,
O mundo era triste.
Resolvi mudar tudo,
Primeiro parei com tudo,
Pensei em uma solução,
Para sair daquele absurdo.
Tracei outro mapa,
Com um novo destino,
Me equipei com bússola
E também com um binóculo.
Procurei um ponto adiante,
Ajustei nele o meu foco,
Eu não era mais um ser errante,
Sabia para onde eu ia.
Então a tempestade passou,
O sol secou as encostas,
O caminho clareou-se,
E as cores voltaram novas.
ESSE É RÁPIDO
Não vou me alongar,
Pois hoje não estou bem,
O que eu quero te falar,
Falo logo, sem delongas.
Se a vida apertar,
Você se encontrar perdido,
Não se desespere,
Fique calmo e ligado.
Tudo passa nessa vida,
Só não passa a vontade
De fazer algo novo,
Ter um sonho realizado...
POSSO SABER?
Eu queria saber sobre tanta coisa,
Mas não sou informado,
Passo longe de fofocas,
Nem gosto de babados.
Quero saber coisas sérias,
Que me façam a diferença,
Essas loucas misérias,
Me causam descrença.
Sou do conhecimento,
Preciso aprender novidades,
Esse é meu elemento,
Minha grande necessidade.
Sofro por não ter,
Ninguém ao meu lado,
Que queira me fazer,
Um cara bem informado.
Saio pelas ruas e vejo caras,
Todas elas em seus mundos,
Umas estão tão desligadas,
Que nem encontram seu fundo.
Choro todo dia,
Um choro de tristeza,
Pelo mundo se acabando,
Enquanto poucos sentam-se à mesa.
Comentários (2)
Obrigado!!
Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.