Lista de Poemas
EU SOU O AMOR
Eu sou o amor,
Sim, em carne e ossos,
Vez ou outra sou flor,
A depender dos meus esforços.
Sou o princípio e o fim,
O meio e os pedaços.
Sou todo inteiro,
Posso ser fraco.
Sou o rio que corre manso,
Sou a enxurrada devastadora,
Sou a estrela lá do céu,
Sou a pedra aqui na Terra.
Choro sem querer,
Depois eu sou mau,
Melhor nem mexer,
Pode ser o seu final.
Sou o jardim mais florido,
Minhas hastes têm espinhos.
Nem sempre sou querido,
Posso ser amargo e geladinho.
Sou o amor! Sincero?
Nem sempre,
Depende do que quero,
Posso ser uma serpente.
Faço corações quebrarem,
Também os reconstruo.
Sorrateiro, te pego desprevenido,
Jogo-te contra o muro.
Sou água doce e fresca,
Também sou o sol que te queima,
Sou a areia do deserto, onde se perdes,
E a onda do mar revolto, que te afoga.
Sou o bem e o mal,
O claro e o escuro,
Sou o fel e o doce,
Sou bem original.
BATE QUE EU AGUENTO
Se pensa que vou desistir
Está muito enganada,
Eu não quero nem saber,
Mas está encrencada.
Lutarei até o fim,
Usarei toda minha força,
Chuta, bate em mim,
Que não faz nem cócegas.
Já sofri muito mais
E também fiz sofrer,
Conheço os dois lados,
Então, não vou correr.
Bate que eu aguento,
Aprendi a apanhar.
Mas eu só lamento,
Você vai se cansar.
Se quiser pode gritar,
Pisar em meus sentimentos,
Pode até me jogar
No meio dos excrementos.
Assim, só vai piorar,
Mexerá no meu íntimo,
Quando menos esperar,
Entrará no meu ritmo...
AH, O PASSADO!
Hoje resolvi voltar alguns anos,
Fazer uma visita ao meu passado.
Eu estava aqui divagando,
Lembrei de coisas adoidado.
Quanta coisa eu já fiz,
Nesta vida iluminada,
Muita coisa eu quis,
Mas nem tudo foi-me dado.
Mas de nada me arrependo,
Faria tudo novamente,
Eu assim me compreendo,
Um camarada recorrente.
Nunca fui o mais bonito,
Nem ao menos popular.
Nunca levei nada no grito,
Sempre tive que lutar.
As meninas, tive que conquistar,
Vencendo a timidez,
Quem aceitava me beijar,
Queria outra vez...
Eu tirava notas baixas,
Não gostava de estudar,
Mas não levava pau,
Na recuperação conseguia passar.
Uma vez passei direto,
Nem eu acreditei,
Foi por causa de um amor discreto,
Que eu me esforcei.
Então fui para a faculdade,
Onde a coisa era diferente,
Eu, lá no meio de tanta gente,
Não senti nenhuma dificuldade.
Lá as moças eram mais liberadas,
As festas todo dia,
Eu não tinha namoradas,
Mas pegava umas gatinhas.
Então me formei,
Veio a vida adulta,
Eu não me adaptei,
Levei porrada bruta...
TÁ DIFÍCIL...
Mas quem disse que seria fácil?
Pois é, eu acreditei...
Ainda acredito, sou crente
Que eu posso, venço e cresço.
É até chato,
Sou um chato,
Persistente,
Grato.
Cheguei em algum lugar,
Muito aquém do meu destino,
Continuo a caminhar,
Sem nenhum desatino.
Meu espelho, um amigo,
Ali eu me encontro,
Converso comigo,
Ajusto o que apronto.
Quanto mais eu avanço,
Mais barreiras encontro,
Delas vou me livrando,
Sem pedir desconto.
Já riu de mim hoje?
Então pode rir agora!
Quem hoje ri,
Amanhã será aquele que chora!
Dias nublados,
A chuva cai forte,
Então fico parado,
Em busca de suporte.
Parei de sofrer faz um tempo,
Para isso estou sem tempo,
Eu aproveito o meu tempo,
Para não perder mais tempo.
Está difícil!
Mas, ao menos, não é impossível.
Eu acredito no meu sonho
Que é incorruptível.
AGORA SEI LÁ
Desde ontem embasbacado
Com tudo o que aconteceu,
De repente fui jogado
Para fora do coração seu.
Desabrigado e sem destino,
Fiquei jogado por aí,
Andando triste na rua
Sem ter para onde ir.
Chorei e ainda choro,
Estou secando aos poucos,
Qualquer dia eu imploro,
Que me ame, ou fico louco.
Agora, sei lá, da minha vida,
Serão dias sombrios,
Para ser reconstruída,
Preciso recuperar os meus brios.
E SE...
E se virar o barco,
Eu caio na água,
Então bato os braços,
Ou me afogo sem lutar.
E se virar o jogo,
O outro time vai ganhar,
Eu continuo, feito um bobo,
A apenas reclamar.
E se chover agora,
Eu vou me molhar,
Não trouxe o guarda-chuva,
Era um peso a carregar.
E se o carro não pegar,
É porque arriou a bateria,
Tinha que trocar,
Mas fiquei de morrinha.
E se acabar a luz,
Fico no escuro,
O instinto me conduz,
Até que eu bata contra o muro.
E se amanhã eu não acordar,
Estarei em outro plano,
Posso até reclamar,
Mas vou saber que não foi engano.
MENOS MENTIROSO
Nessa vida tresloucada,
Que eu vivo desde sempre,
Sempre fui camarada,
Algumas vezes até inocente.
Pode me chamar de tudo,
Pode até me xingar,
Mas será um absurdo
Como mentiroso me marcar.
Eu não gosto de mentiras,
Nem de ouvir, muito menos de falar,
Minha vida tem consequências
Até daquilo que eu ocultar.
Mas eu não minto jamais,
Tenho minha honra a guardar,
Eu não sou capaz
De mentir e te abraçar.
Por isso eu deixei
De andar com muita gente,
Com quase todas me decepcionei,
Pelas mentiras inclementes.
Ando sozinho por todo o tempo,
Sou minha melhor companhia,
Mas não sou solitário, carrancudo,
Tenho lá minha simpatia.
Eu prefiro ser assim
Do que ser enganado.
Já fizeram pouco de mim,
No recente passado.
Acredito que a verdade
Liberta o coração,
Deixa limpa a alma
E não é fraqueza, não!
QUE MUNDO BOM!
Vejo o mundo girando,
No seu vagar constante,
Ele vai desbravando
O espaço, esse gigante.
Em cada volta que ele dá,
Novas coisas acontecem,
O passado, deixa ele para lá,
Principalmente o que o aborrece!
E sinta como tudo é perfeito,
Até as imperfeições,
Tudo é bem acertado,
Sem improvisações.
Volta após volta,
O mundo se renova,
E não adianta sua revolta,
Fica frio e suporta!
Belo e preciso,
O mundo corre com juízo.
O homem, impreciso,
Causa a ele prejuízo.
Mas o mundo não revida,
É manso e dadivoso,
Ele é vítima de nossa vida,
Que lhe rouba o repouso.
Dizem que ele um dia se acaba,
O que eu duvido,
A pura verdade, que eu saiba,
É que o nosso tempo é medido.
Enquanto isso ele tenta sobreviver,
Vai se adaptando,
E, para não morrer,
Acaba nos matando...
A SAÍDA
Vejo longe uma saída,
Ela parece inalcançável,
Ando depressa e ela se afasta,
Mas que lugar miserável!
Daqui a pouco escurece,
Não haverá mais luz,
Meus olhos vagarão cegos,
Só me restará o sinal da cruz.
E se corro não progrido,
Andando fico parado,
Parado volto atrás,
Isso está tudo errado...
Sonhos já não tenho,
Pesadelos não me assustam,
A vida, por si, é perigosa,
Nada tem de muito justa.
Os dias são como espadas,
A me transpassar o coração,
Que, todo machucado,
Exigiu internação.
Socorro! Grito em silêncio,
A voz não sai da garganta,
Falta ar no meu peito,
Respirar se tornou uma afronta.
E a saída está lá,
Cada vez mais distante,
O que era uma porta
Se tornou um furo insignificante...
UMA COISA SÓ...
É o que tenho a te dizer,
Não adianta me chutar
Que não vai me abater,
Vai apenas me inflamar.
Eu não desisto fácil,
Sou osso duro de roer,
Vai, bobinha, se achando,
Um dia pode se render!
Depois que se apaixonar,
Talvez eu não a queira mais,
Não é para te sacanear,
Mas porque passou tempo demais.
Fica esperta, querida,
Pare com essa bobagem!
É tão curta essa vida,
Aproveita minha coragem.
Comentários (2)
Obrigado!!
Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.