Celso Freitas

Celso Freitas

n. 1960 US US

Sou uma pessoa que admira literatura e arte.

n. 1960-03-25, Taubaté SP

Perfil
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Novo tempo

Da minha janela eu vejo a rua
Tão apagada e desfigurada
Dormindo no leito da noite fria
Em meio ao silencio da neve
Açoitada pela ventania

Da minha janela não vejo nada
Nada que o inverno peça desculpas
Nada que o silêncio sinta remorsos
Só vejo as minhas lembranças
Dos meus tempos de criança

Da minha janela eu vejo algo
A noite se despedindo do sol
Árvores secas profetizando
O despontar da primavera
Um novo tempo, uma nova história
Ler poema completo

Poemas

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Tesouros escondidos

O hábito de escrever 
Me deu asas para voar
Pois eu nunca imaginei
Que seria possível ver montanhas
Enriquecidas de rios e vales
E ao mesmo tempo inalar a brisa
Dos quatro pontos cardeais
Seguindo a curiosidade dos ventos
Sobre as múltiplas paisagens
Desvendando seus mistérios
E me embebedar com o panorama
De um oceano infinito e profundo
Que expressa a liberdade
E revela o poder do amor
117

labirintos da inocência

Nas horas monótonas do silêncio
Na quietude translúcida da noite
Sinto na alma inerte o açoite
Das lembranças suaves de um tempo
Quais nuvens guiadas ao vento
Como aves de saudades ardentes
Trazidas pelas brumas quentes
De um tempo onde tudo era lindo
Como um balão de cores caindo
Em um coração infante sorrindo

Um passado de façanhas
Onde brincávamos livres e soltos
Nos labirintos da inocência
Quando o tempo corria lento
Pra espiar os nossos sonhos
A gente se perdia e se encontrava
Amava, gritava e saltava
Agora a gente lamenta ao invés de rir
Pois o velho tesouro bateu asas e voou
Baú de recordações que o vento levou
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comtemplação

Naquela curva da estrada
Sofisticada, serena
  Divina
 Sentei me e chorei
     Ao ver a longitude
Azul, opaca, secreta
   E cobalto
    Do horizonte.
    Cores que não mentem
Ventos que não voltam
     Sentimentos que não traem
    A  força de todo verde
     Contemplação, solitude.
     Nuvem bonita
     Nem chuva, nem sol
   Muita calma
     Águia  navegando
Vento, geometria, balanço.
Perfeição
 Inveja, vontade!
318

Rústica e sublime

Encontros geométricos
Banho de sol
Sobre o verde admirável
Realeza rústica
No ar quieto e sereno
O cheiro transcendente da chuva
Majestoso e místico
Nessa descida barrenta
Curva graciosa
Evaporação do sublime
Pau e pedra riscada
Cantiga muda da poesia
Enquanto falo cipó contorcido
Calango, besouro e borboleta
Gravidade anestesiada
Invocação  in natura da harmonia
96

Beleza outonal

As folhas caem dos braços da mãe
E despedem-se da beleza outonal
Despencam-se  elegantemente
Num vôo simulado de alegria
Numa despedida delicada
Arrastadas pela simples beleza
Seduzidas na inocente leveza
Ao doce balanço da gravidade
Ao suspiro frio da nova estação
E voltam submissas ao mesmo chão
Ao mesmo útero que as fez nascer
A mesma matriz que as fez crescer
335

larvas vulcânicas

Escrever coisas que a gente gosta
É dar asas à liberdade
É pairar sobre o ninho
Liberando os ovos incubados
Da imaginação na grafia
É soltar das rédeas a ânsia
Que ópta pelo sofrer
A dor incessante da reflexão   
Fazer acrobacia com o pensamento
Fustigando a fera enjaulada
Não domesticada do potencial
Desatar  águas dormidas
Do subconsciente represado
Vomitando larvas vulcânicas
Numa cratéra de idéias
Numa busca de paixão
146

INFINITO & SUPREMO

Tua existência explica
Descomplica, simplifica
Encontra, acha
Absolve e resolve
Resgata e levanta
Tua existência esvazia
Decentraliza  e  centraliza
Se derrama  e  compartilha
Sacrifica, aromatiza
Caminha  a  segunda  milha
Tua  existência  julga
Governa  e  moraliza
Quebra o julgo e teocratiza
Faz justiça  e  destroniza
Traz a paz  e  realiza
270

FRUTO DA ESSÊNCIA

Pensar poema
É extrair o sumo
Da beleza da fruta
Cuja essência
Esconde o misterioso aroma
Suave e doce
Lido pelos olhos do coração

Pensar poema
É viajar fora de si mesmo
Alçar as velas
Em aguas desconhecidas
É festejar a chegada
Em território estrangeiro
344

espinho do tempo

Enquanto o abraço da noite
Sorrateira chega novamente
E passam  as horas vorazmente
Eu fito meus olhos nas  estrelas
Enquanto  cai o orvalho nas flores
Das lembranças tuas os labores
E nas saudades minhas os amores

Do ritmo mecânico das horas
Uma máquina e um coração
Imaginam qual a  emoção
No teatro da vida o momento 
Que no espinho do tempo a dor
Colhe como recompensa a flor
A sorte da espera um amor
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lembranca nostálgica

   Me lembro daquela manhã ofuscada de neblina

   Mergulhada no cheiro agreste da natureza

   Tão cheia de algo místico inexplicável

    De ar fresco engolfado de humidade

  
   Caminhos de terra, árvores e burbulhos de águas

   Envoltos numa quietude que não era silêncio

   Misturado de nostalgia. De saudades

   De sol sem brilho. De lugar quase sem gente


   Era uma sinfonía de sensacões entrelaçadas

   Comtemplando o azul cobalto cintilante

   Das asas da libélula no limbo esverdeado

   Da pedra polida nas aguas espumantes


   A estrada solitária rodeada de topografias

   De encontros abruptos de rochedos e barrancos

   Mostrando desencontros geométricos graciosos

   Entre os vales cortados de águas corrediças


   Do silencio quebrado no estatalar do bambuzeiro

   Pássaros, insetos e animais soltando a voz

   Da brisa suave trazendo lembranças

   De um passado que o tempo levou


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Comentários (2)

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fernandoarroz

belê

gioliveira

Muito bom! Gostei