Lista de Poemas

Ped(aço)s

Eu me desfaço...
Desfaço das pessoas que não quiseram permanecer ao meu lado
Desfaço das dores
Desfaço da insegurança
Desfaço do medo
Desfaço de mim, de quem eu era
Mas não me desfaço de mim por completo, mas de alguns pedaços
Alguns deles são os pilares e não podem ser jogados foras, eles perdem a essência do ser
Então me refaço...
Pego cada pedaço e olho com carinho, com amor, lá dentro
Me reinvento sem pressa
Sem escutar os outros
Tudo a minha maneira
Sou eu, não os outros
Sempre era eu, só não compreendia
E agora faz sentido
Já estive aos cacos
Em pedaços
E no momento mais difícil eu descobri
Descobri que eu preciso ir
Não pra longe, pra perto
Era pra dentro!
Dentro de mim, o lugar mais óbvio
E que a poeira nos olhos e o medo de limpá-la me impedia de enxergar
Agora eu vou
Não embora de mim
Mas de todos os pedaços que me deixaram em pedaços
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Re (com) (posição)

Nos teus cachos
Enquanto eu aprecio eles
Eu me acho
Enquanto você relaxa
Eu me encaixo

Me encaixo no teu cheiro
No teu cabelo
Na tua mão no meu peito

E esses olhos castanhos relaxados?
E esse sorriso aliviado?
Ah! Eu me desfaço!

Me desfaço em carinho
Em beijos
Em silêncio
Em desejo

E é aí que me reestabeleço

Um cheiro pra ti! menor que três
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Tão...

Tu é tão tu quando sorrindo ao me ver
Tu é tão tu quando sorrindo alto após eu dizer alguma bobagem
Tu é tão tu sorrindo depois de eu te dengar
Tu é tão tu quando eu te olho e vc passa teus dedos no meu rosto
Tu é tão tu quando dobra seus dedos perto de minha boca pra eu beijar
Tu é tão tu quando eu te coloco nos meus braços e se entrega

(…)

Você tem ir
Te abraço de lado no corredor
Te beijo a cabeça
Você esbarra no extintor
A gente ri
Te beijo na escada
Abro a porta
Te levo pro portão
Olho a rua
O beijo pede bis - ou eu, você, nós -
Te peço pra me avisar quando chegar em casa
E você se vai
E eu também vou
E se a gente se for, o arrependimento não irá
Não para mim
A vida seguirá
Não sei se vai
Mas se for, "forá".
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Partidas...

E aquele velho gigante que está adormecido há tanto tempo quer acordar...
Sinto medo...
Há uma confusão em mim...
Há um perigo nisso...

Se ele adormeceu por todo esse tempo, é porque foi necessário.
Necessário para não ferir outros
Necessário para não se ferir.

Agora a luta é para deixá-lo dormindo.
Acordado há muita frieza, indiferença.
Sinto muito medo de ele acordar.
Não foram bons tempos
 
Isso me assusta.
Tô tão confusa quanto o que eu escrevo neste momento.

O problema das partidas é que a gente sempre quer partir tudo aquilo ao nosso redor, mesmo não tendo culpa. Só pensamos tanto nos muros a construir, que deixamos as pontes de lado... 

Ficar, partir ou resignificar? Eis a questão mais difícil de responder... 
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Morte por Asfixia

Dói ver os planos sendo desfeitos...
Você não fazendo mais parte deles...
Impressionante como as coisas mudam da noite pro dia, mas dor não... 
Por que a dor não vai embora também da noite pro dia, assim como os planos se foram?

E a noite dormindo juntas...
A surpresa no dia da primeira viagem juntas...
A primeira viagem juntas...
O planos...
Agora só na minha imaginação...
É o que resta: sufocar esse sentimento até que ele morra asfixiado.
Sim, asfixiado por não poder demonstrar, já que nada faz a diferença...
A asfixia é uma morte lenta, que maltrata...
Assim como a dor de ver que você não faz mais parte dos planos de quem você ama e que também diz te amar...
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Bela incolor e salgada

Pequena como um cisco
Pesada como um navio cargueiro
Salgada
Incolor
Não é todo mundo que consegue ver sua dor

Sobe como as lavas de um vulcão em erupção
Descem na mesma intensidade
Não pergunta o que tem a sua frente
Só quer destruição

Destruir
Está programada para destruir até esvaziar-se

Algo a invadiu, agora ela só quer explodir
E vai descendo uma atrás da outra, em fila, com pressa
Não quer saber o que está na frente
Nem deixar uma fresta


A superfície treme
O céu não sabe sabe o que fazer com tanta fumaça
O mar está agitado
Os pássaros estão agitados
Mas ela continua a destruir
Até cessar

Cansada, fraca, adormecida, ela cai
O tremor para, mas o céu ainda não está visível
Ainda tem fumaça
Ainda tem a agitação do mar
Mas não como antes
Aos poucos vai se refazendo
Está se acalmando
O vulcão enfurecido parece que está se acalmando
Aos poucos, no seu tempo, sem interferências.

Acalmado.

Quando será a próxima interferência?
Não se sabe.
Mas não é uma boa coisa mexer com ela.

Ela só quer paz.
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