O novo
O novo nos faz recuar
Muda o que pensamos
Descarta o que gostamos
Nos força a repensar.
Quisera eu ser um poeta
Para a todos mostrar
Que tenho boas ideais
Seu coração consigo entrar.
Mas como um simples aprendiz
Seus ensinamentos devo captar
Pois os grandes poetas
Sempre tem algo a mostrar.
Não sei em qual fonte ele bebe
Pois consegue a poesia jorrar
Sensibilidade é preciso
Não basta querer encontrar.
O novo passa a ser incorporado
Depois de ter conquistado
Quem estava desesperado
Dele começa a gostar.
De: Ciríaco
Reencontros
Anos se foram e não voltam mais
Amizades adolescentes e ternais
Brigas e diferenças eram normais
Inocência que não temos mais.
Lembranças do passado
Não passará jamais
Momentos que marcaram
Em nosso registro mental.
Maturidade em formação
Deixavam mágoas para trás
Cada dia era diferente
Era vivido intensamente.
No presente vai se limitando
Muitos ficaram para trás
Nesse mundo real
Sobreviver é bem surreal.
Encontros e reencontros
Somos todos normais
Vidas construídas e reconstruídas
Tentando ser contumaz.
De: Ciríaco
Sua lascívia
Boca sedenta que se arvora
Nas suas pernas explora
O calor das suas entranhas
Com toda artimanha
No sussurro ao seu ouvido
O arrepio que te estremece
Deixa em estado de inerte
Seu gozo querendo jorrar
Os seios logo explodem
Seu rosto se enrubesce
Paralisada pelo prazer
Te tamanha volúpia
Corpos que se encontram
Num labirinto de atração
Não procuram se conter
No mútuo fenecer.
De: Ciríaco
Claudicante
Quisera poder o mundo mudar
Pensando somente em mim
Sem ter medo de demonstrar
Aquilo que sinto ao te olhar.
Tentar sempre se conter
Mas não é fácil segurar
Sentimento é coisa difícil
Não tem como ele domar.
O amor passa segurança
Aquele que deseja encontrar
É como um castelo de areias
Não tem como alicerçar.
Nexo nenhum teremos
É preciso demonstrar
Uma pitada de romance
Para a relação esquentar.
Mas como um grão de mostarda
Como posso enxergar
Dentro de seu coração
Um labirinto difícil de explorar.
De: Ciríaco
Reprovação
A tua reprovação me faz refletir
Mostrar o que não percebi
Sem parar de persistir
Acertar é consequência de errar.
Bem na calada da noite
Que eu possa mitigar
Com mais tranquilidade
Para agora acertar.
O certo só se torna certo
Na visão de quem quer ver
Desde que tenha discernimento
Posso tudo compreender.
Quem sabe em outro momento
Meu melhor possa oferecer
Pois o sopro de cada vento
Depende do ar para se mover.
Se os ventos forem fortes
Uma tempestade irá brotar
O que pode parecer acaso
Chame a ciência pra explicar.
De: Ciríaco
Ignomínia
No meio de tanta ignomínia
Como podemos nos comportar?
Existe muita insegurança
Ninguém sabe como ficará
Decerto somos honestos
Quem vai nos contestar?
Toda essa infâmia no mundo
Não precisamos vivenciar
Tanta gente asquerosa
Pode nosso futuro determinar
Vampiros de nossas almas
Conseguem nossa energia tirar
Seres que são torpes
Não nos podem acrescentar.
De: Ciríaco
Embusteiro
Por trás da sua candura
Tem algo a esconder
Um traço no seu comportamento
Que ninguém consegue ver
Mas é difícil poder notar
O que não se deixa perceber
Faz coisas pra disfarçar
Tal como um embusteiro
Não consegue se controlar
Fica todo baralhado
Não consegue antever
Será desnudado
Em fingir que é outro ser.
De: Ciríaco
Disfarces
Não consigo disfarçar
Meu sorriso ao te ver
Nem mesmo me conter
Tamanho é o meu prazer
Seus olhos fingem não me procurar
Mas não conseguem contornar
Pois do amor não se foge
Relute, ignore, tente se enganar
No fundo do coração
Esse sentimento despertará
O acaso não é por acaso
Ninguém precisa notar
Quem ama não consegue
Ficar tanto tempo sem demonstrar.
De: Ciríaco
Meus dois eus
Meu corpo, seu corpo se tocam
Minha boca, sua boca se beijam
Meu braço, seu braço se abraçam
Se entrelaçam com firmeza.
Com muito carinho e destreza
Coragem vencendo a fraqueza
Em meio a tantas incertezas
Num mundo de muita ilusão.
Se olhar no próprio espelho
Mirando a felicidade
Sem medo de ver a si mesmo
Fugindo de sua razão.
O encontro com meus dois eus
Um sendo experencial
Outro apenas projetivo
Eles simplesmente se entendem
Passando a serem permissivos.
De: Ciríaco
Simbiose do amor
O encontro de duas almas
Gera a simbiose do amor
Quando é pra ficar juntos
Não tem como dissipar
O vento que se propaga
Não consegue separar
Essa junção de energia
Faz seu perfume exalar
O cheiro da sua amada
Como seiva a alimentar
Dois seres juntos e diferentes
Juntos nessa interação
Corpo, alma e coração.
De: Ciríaco