Desenha-mo-nos lentamente percorrendo flancos lambendo o desejo que corre pela pele.
Desejo-te! Arrepio-te a vontade de me teres agora toda.
Deseja-me! Arrepias-me vontade de te ter agora todo.
Bebo-te! Bebe-me!
Cresce a ânsia de te desenhar de me desenhares com lápis de cera de lua. As bocas são o palco onde as línguas vão dançando ao nosso sabor sem critério...
Esboçam o abrir das minhas pernas o afastar das tuas e as línguas percorrem-nos bailam em nós ávidas!
Cai amor pelo chão enquanto nos tocamos. Néctar! Pingam gestos estalactites na gruta onde nos escondemos. É de pó de cumplicidade esta delícia que bebemos celebrando as festas das danças dos corpos desenhados pelas nossas línguas.
À flor da pele da minha semeias arrepios. À entrada da pele da tua deponho este frio moldado soprado a quente.
Amaciamos o silêncio num jogo de luzes de olhares.
Recolhe-te em mim. Vem passear-te sulca o trilho percorre-me deixa que eu use e abuse que de todo me lambuze te levante cada pedaço de pele pousando neles meus olhos nocturnos te percorra os silêncios com os meus gemidos me derrame me desnude mas no instante em que nos despirmos vamos vestir-nos
-E se te contar uma história? Ela aninhou-se-lhe no peito. -Vá, fecha os olhos. E a menina fechou. -Era uma vez um mar... -Eu queria ir ver o mar. Levas-me? -Se fechares os olhos.. -Já estão fechados.Mas é teu amigo, o mar? -Queres ou não ouvir a história? -Claro que quero. -Então fecha mesmo os olhos. -E ele fala, o mar? Tu sabes que gosto quando imitas as vozes -Ai! Então, não fechaste os olhos -Agora já estão fechados. Conta-me, vá! -Ouves o meu coração a bater? -Ouço. -E sentes como o meu peito te embala? -Sinto. -Então nesta história não vou precisar de imitar a voz. -Então começa de novo.
Ele sentiu como a menina se encostou ao seu peito. Não precisou falar mais nada. Adormeceu e ficaram os dois encostados, a ouvir, tão juntos, uma história do mar.
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Desejo
Penso-te, Qual cascata de gotas, Lágrimas emocionadas que te envolvem.
Enquanto os gestos se ajeitam Ternamente, Tal como quando se completavam Ao desaguar naquela baía, Aquela frase que me deste: "Adoro amar-te!", Meus dedos levam-me A correr, Célere, Por cada pedaço de ti.
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Infinito
Comprazemo-nos trajando adolescências, abafando o som dos risos, quando nos espreitamos à socapa, pela cortina que afastamos na janela dos nossos dedos.
Deleitosa esta espécie de olhar de garotos, nesta ciranda em que dançamos, visualizando-nos tão bem, que nos tocamos. Fundamental saber o que amamos tanto com as mãos do imaginário, com os olhos rasos de mil pedaços, nesta imagem de estarmos juntos. Relevante que nos emocionemos ao experimentar com análoga intensidade desenlear do tempo comum, o tempo só nosso. Singular a carência de cruzarmos silêncios, de não nos deixarmos concluir, numa interrupção atabalhoada própria do desejo de nos mantermos conspirados.
Temos ainda tanto para trocar entre nós. Temos um mundo próprio, esta paisagem pré concebida, grafitada num muro de uma avenida qualquer, só pelo prazer de nos vermos quando por ela nos circulamos.
Importa o resto? Claro que não! Importa que continuemos a compartir silêncios ilimitados. Enquanto continuarmos nesta permuta Importam-nos sim, as frases, imagens nossas que prendemos na lapela, condecorações deste bem-estar que cogitámos: Falta um infinito imenso! Falta o inimaginável para que nos dissipemos!
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Aroma de beijo
"Beijo-te docemente"
Enquanto em ti me solto De coração alado, Qual pássaro, Em voo planado, Tranquilo como o teu beijo.
"Beijo-te docemente"
Volto a nascer, Finda de mim, imensa de ti, Plena do teu estio, Das paisagens Por onde vou esvoaçando, Buscando a clareira Nessa tez dourada Que me lembra a praia Ou um campo imenso Que aguarda a ceifa.
"Beijo-te docemente"
E sou toda mulher, Toda eu vida, Toda eu em ti, Toda eu sonho "Numa noite que não tem braços" que me impeçam...
"Beijo-te docemente"
Imagino-te Todo tu mãos Como um sussurro que inebria. Não as cales, Que já espero por ti Na era do sempre, No tempo em que nos sabemos. Jorrará o sonho pelos dedos, Como um caudal, Ousamos pensar, Profético.
Neste entretanto em que te espero, Entre o que pareço e o que vou ser, Entro num arvoredo de perguntas. Se me lembro de como fazemos amor, Se me lembro de como falamos, Com a linguagem só nossa, Enquanto que por mim, Pelo meu pensamento, Os teus gestos escorrem...
"Beijo-te docemente..."
Já prendi um afago à asa do vento... Já lhe disse que fosse, Que te procurasse, Pois que te saberia, Quando visse um céu anilado... Ele soube-te, E envolvendo-te na carícia que eu lhe prendera na asa, Trouxe-te, Ao tempo em que dissipava aquele arvoredo, Até me encontrar Levando com ele as perguntas...
Sou eu que te digo agora Que te vou beijar levemente, Enquanto me abandono, Para me perder toda, em ti. A noite não será impedimento, Pois que é de nós, companheira, E que as mãos, Cheias de Alma, De cor, Tão nuas, Tão nossas, Que tanto têm para falar, Se vão perder em cada esquina de nós!
O alvorecer do dia assistirá, Ainda matutino, De como nos olvidámos que parecíamos, De como chegámos à estação de sermos, Quando nos dissemos, Na linguagem que guardámos dentro da certeza: "Beijemo-nos, Amor, docemente", E partirá, então, Leve, Brando, Na asa daquele vento...
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E não haverá mais o meu ou o teu
Falavas-me dum livro, bom de ler e reler. Fazes lá ideia das vezes que o pousaremos, junto ao vaso, esse, que ficará silencioso, que se tornará todo ouvidos, no parapeito da janela da casa que construiremos, quando não nos dermos conta que sorrimos, enquanto nos vestimos de tanta carícia bonina, com o som dos pássaros verdes e azuis que nidificarão nos ramos da árvore frondosa que espreitará, curiosa, a nossa história.
Ainda que não saibamos que é baseadoem nós que aquele livro será escrito, por ela, enquanto for crescendo, se for cobrindo de folhas verde esperança, faremos marcadores com as pétalas de rosa encarnadas que nos vamos dar. Festejaremos cada folha e com elas marcaremos os parágrafos mais belos! Seremos felizes quando no livro pegarmos, todo ele pleno do aroma que daquela cor rubra advirá, que será para nós, já que quando nos despirmos, saber-nos-á a tanto, esquecermo-nos do prazer que teremos, por irmos colher, unos, aquele ensejo.
Aprendemos, quando nos esquecíamos, quando nos negávamos olhar, a fixar os movimentos ternos, quando para nós desnudávamos a alma, nos desvendávamos. Julgávamos - nos desatentos, mas, aprendemos, todas as vezes que nos imaginámos a procurar em nós as marcas do tempo imaculado, a semeá-lo no colo, a vê-lo crescer, para que, então sim, nos completássemos, na época em que sequer sabíamos que íamos existir.
Não olhemos para mais nada, nem nos importemos com o tempo que fará, fora do mês que depois habitaremos. Não nos vamos distrair com a árvore. Ouçamos apenas a melopeia dos pássaros que a habitam, então já pais de outros mil, ainda mais coloridos. Não vamos espalhar qualquer preocupação no tempo que ainda poderá faltar para nos unirmos. Não nos neguemos pois que saberemos naquele instante que o verão terá chegado.
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Amar-te?
Amar-te? é ir mais além é descobrir os descaminhos parar e mergulhar no teu sorriso líquido
Amar-te? é ficar à sombra da serenidade do teu corpo e é mais ainda é um nada pleno
Amar-te? é encher a boca com a flor a palavra que vou colher na planície da espera repousada
Amar-te? é sentar-me depois na berma do teu nome
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Um poema
poder-te-ia dizer tantos mas só este digo e sei de cor
dizer d e v a g a r o teu nome
poder-te-ia dizer tantos mas não seria qualquer deles o mais belo poema de amor
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Nem contigo nem sem ti
Não te quero senão porque te quero. e de querer-te a não te querer, chego, e de esperar-te quando não te espero passa o meu coração do frio ao fogo... Pablo Neruda
O olhar é céu e o desassossego nuvens
Não choro chovo até afogar este logro de não te querer
Não morras que não morrerei Espera que te esperarei
Perde-te de ti que já me perdi de mim
Vou encontrar-te sob o céu sem nuvens porque já afoguei o engano porque sei o quanto te quero
Eu vivo prometo-te se contigo e morro prometo-te se sem ti
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Nascer
Não me sei... Esqueço-me por não saber onde nasce o azul. Talvez nasça ali na berma de um beijo que fosse capaz de dar se já fosse corpo se de mim me soubesse... Mas não me sei de mim me esqueço enquanto vagueio pelo campo da nascente me moldo me ressurjo por dentro de um arco-íris pleno de cor.
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Tão leve!
Fecha-te em mim! Do cenário Aproveitamos a música Este não precisar dizer nada Que tem o som límpido Das primeiras chuvas.
Fecha-te em mim! Vamos ensinar-nos a dançar Arrebatar do silêncio O som límpido do seu olhar
Fecha-te em mim! Compasse-mo-nos. O espaço é só nosso E nós dele, O momento.
Fecha-te em mim! E deste Outono, Desta taça de tantos por de sol alaranjados, Beberemos a água das folhas adormecidas.
Mais tarde, Olharemos o céu E vamos ver o esvoaço dos beijos Que cabriolam nos beirais Dos meus, Dos teus, Dos nossos lábios.
Fecha-te em mim E não nos obriguemos senão a nós E a esta vontade de nos tocarmos Tal como a noite que toca o dia... ...Leve... ...Leve... ...Tão leve!
Cristina, me deparei com seus poemas e fiquei em estado de extâse, você tem muita sensibilidade e talento. Pretento ler todos os seus poemas e poesias, desgustando-as pouco a pouco. Parabéns
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