Os anos rapidamente vão nos puxando pra frente por este caminho de ida que apelidamos de vida.
Levamos como bagagem nesta singular viagem nossas escolhas, rascunho de um último testemunho.
Quando a estrada a nossa frente abrir assim de repente uma derradeira opção ante uma bifurcação.
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HAIKAI'S
A folha sem pressa escolhe no cair dengoso o lugar do pouso.
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O mar chega e vai em ondas, recua e avança o mar não descansa.
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A sombra do pássaro que voa na imensidão se arrasta no chão.
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Os pingos da chuva afagam fraternalmente a pobre semente.
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CEMITÉRIO ESQUECIDO
Ah, cemitério esquecido e morto como seus mortos no meio de uma coxilha longe de todos os olhos.
Foi em tuas proximidades que o campo virou mortalha ao fim de uma batalha da grande revolução.
Quantos de teus habitantes lutaram sem ideal e agora repousam longe da sua terra natal?
Ah, cemitério esquecido nem um mapa te registra, nem estrada te visita e não há cerca ou marcação.
Só o vento te cochicha um punhado de segredos recolhidos no degredo sina de todos os ventos.
Ah, cemitério esquecido com cruzes enferrujadas e nomes já apagados de lápides desgastadas.
Hoje o mato nasce e morre sobre tuas sepulturas e as raízes se forjam a tua velha estrutura.
És a imagem do abandono, da desconsideração com tantos homens valentes que repousam neste chão.
Ah, cemitério esquecido tua localização só a noite denuncia através da combustão
Do fogo-fátuo que assombra o xirú desinformado que imagina estar diante de um cemitério assombrado.
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DIA DE BRIQUE
Domingo é dia de brique. Troco vírus de computador por traças de livros e minha última palavra por hieróglifos primitivos. Negocio uma máquina de sonhos precisando de reparos. Recebo insetos na troca de um rebanho de ácaros. Troco uma jamanta de utopias por um choque de realidade. Vendo a fração ideal que me cabe nesta cidade. Empresto um espaço na janela para ver uma manhã sorridente e esperar com paciência uma estrela cadente. Compro e pago com versos uma folha de papel em branco e troco sonetos incompletos por uma vaga de saltibamco. Troco um mar de mentiras por um pingo de verdade. E aceito a solidão em troca de uma falsa amizade. Estudo permutas ainda por LP's sem toca-discos, por uma bicicleta antiga e dois mínis obeliscos. Vendo selos muito raros, e gibis de coleção. Dou um pé de bota na troca por uma calota de caminhão. Vendo um relógio quebrado que marca horas passadas e uma máquina de escrever nunca alfabetizada. Vendo um roteiro pro futuro que jamais foi encenado. Compro retalhos de esperanças e pago o valor de mercado. Troco o peso da idade por um peso de papel e um bilhete premiado por um cão fiel. Lembre! Aproveite! Indique! Domingo é dia de brique.
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MEDO
Medo de seguir medo de ficar medo de partir medo de voltar.
Medo de descer medo de subir medo de morrer medo de existir.
Medo de ganhar medo de perder medo de lembrar medo de esquecer.
Medo de chorar medo de sorrir medo de acordar medo de dormir.
Medo de insistir medo de ceder medo de expandir medo de conter.
Medo de dizer medo de calar medo de não ver medo de avistar.
Medo de se abrir medo de segredo medo de reagir medo de ter medo.