Amo todos os stressados E mais aqueles que estão sempre a reclamar, E os músculos da voz a escavar Suas queixas de queixados!
Contenta-me as pessoas que nunca se contentam E não contentes com isso, Sempre se não contentam disso! E sempre se descontentam...
Honestamente, gosto! Os que não sabem fazer sacrifícios; Os púdicos, que são para mim um vício, Os que não se importam com os outros!
Adoro sentar-me à mesa com os escravos do prazer, Os que não aguentam estar sozinhos Os muy nobres elitistazinhos, Fico bêbado de os ver!
Os frios, de cortar os ouvidos; Os intolerantes como Jesus Cristo! Sérios, arrogantes, os de alma despidos Cegam-me de amor imprevisto!
Amo ainda todas as pessoas como eu: Os molengões mais criativos, tão sem jeito! Os mais felizes tristes passaréus...! E aqueles que não possuem estes defeitos,
és minha. Confesso Que não te dou a liberdade. Na minha boca, flor do campo, há uma insanidade que mais ninguém conhece...
Sim, pirilampo, és minha. eu confesso: Confesso que não te respeito;
E sempre soube que isto que eu sei que tu sabes que és minha, foi apenas um sonho...
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Hoje
Hoje nasci.
Hoje fiz 10 anos
Hoje fiz 20 anos
Hoje fiz 30 anos
Hoje fiz 40 anos
E hoje sonhei
Que sumi!
1 036
Alice
Alice chamava-se assim: uma menina bonita
Os dedos sempre longos, como tranças
num rosto de boneca recortadas.
Os cabelos rabiscados como armas
sobre os ombros e uma boca de bondade.
(Desenhem-se uns olhos verdes de fruta, num corpo de missangas
E um perfil estreito de ilha...)
Dos lábios incómodos (e de aspecto melífero)
Alice trincava Fábulas e ruía.
Inocente compulsiva, aquele sorriso impune...
Aquela fragrância ilícita...
1 053
MENSAGEM
cansado que nunca cheguei a falar
a tua exatidão chora-me de rir a tua vontade explícita cobre-me de cheiro A tua planície alarga-me a carne grave de palavras
ouve destino que germinas cometas da terra
A minha Meta é fracassar
Eu moro nas minas a cavar ninhos Abro o céu à minha vontade negra de preguiça Peço-lhe como um mendigo quero ser eu mesmo ninguém cafés imaginários conversas soltas em estradas longínquas Eu vim para quebrar promessas o tempo passa mas eu vivo
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Foi preciso
Foi ontem, às três da tarde Da tarde de todas as tardes Que tardam no coração do tempo Mas foi preciso esperar
Foi preciso sair para a rua sem nenhum objetivo Que não fosse andar às voltas em círculos Foi preciso
Abandonar reuniões, despedir-me de mim E dos meus pares De tudo o que me era íntimo e metafísicamente seguro
Foi preciso ficar sem falar com ninguém durante meses
beijarem-me num gesto longo e desconhecido.
Foi preciso olhar Foi preciso olhar e olhar-me de novo até deixar de me rever no reflexo dos teus quadros.
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Um dia
Um dia os cabelos serão negros, ou loiros, num campo de trigo. Os lábios grossos em forma de beijo serão de menina
Um dia amar não será menos que amar o ciclo contínuo da vida Mas de verdade. Amar de verdade.
Um dia o Sol irá nascer dentro de uma janela escura.
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Instante
Podes sentir a música estalando no chão, como paredes de nuvens? Eu sinto. O navio a chegar, aqui mesmo A este cais, E partir Os sonhos fogem da caixa de música que me deste. O vento, esse, é o mesmo, e flutua. Flores de Espaço de uma força matinal. Sinto o que estavas a fazer antes de saberes o meu nome. Possuo a palavra quente da noite, enquanto danças. Tenho para mim a satisfação, como um dia pleno.
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Insónia
Ao pé de ti, não durmo. A noite é clandestina da esperança, Que os teus gestos acordam.
À janela Do teu castelo branco, Toda a pornografia roubada se mostra.
No medo da guerra, Barulho Em que tudo morre, Os meus olhos são aves que pousam no teu peito. Ao pé de mim, não dormes...
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Não
Não é a felicidade que eu procuro. Ela mata-nos os olhos, a boca, os ouvidos
Não quero beber esse silêncio, essas lágrimas de alegria
Não sentes? O nosso corpo solto, molhado, caindo das janelas,
Não vês ? Podemos ser como a chuva que lavra lá fora...
Não é a felicidade que eu procuro. Há-de ter outro nome, outro rosto, outra força...
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Amo todos os stressados
Amo todos os stressados E mais aqueles que estão sempre a reclamar, E os músculos da voz a escavar Suas queixas de queixados!
Contenta-me as pessoas que nunca se contentam E não contentes com isso, Sempre se não contentam disso! E sempre se descontentam...
Honestamente, gosto! Os que não sabem fazer sacrifícios; Os púdicos, que são para mim um vício, Os que não se importam com os outros!
Adoro sentar-me à mesa com os escravos do prazer, Os que não aguentam estar sozinhos Os muy nobres elitistazinhos, Fico bêbado de os ver!
Os frios, de cortar os ouvidos; Os intolerantes como Jesus Cristo! Sérios, arrogantes, os de alma despidos Cegam-me de amor imprevisto!
Amo ainda todas as pessoas como eu: Os molengões mais criativos, tão sem jeito! Os mais felizes tristes passaréus...! E aqueles que não possuem estes defeitos,
Daniel, qualquer coisa se passou com a(s) rede(s) de algum telemóvel. Já sei que está tudo bem. Beijinho e continua a escrever.
Ana(bela) Martins
Daniel, só agora te descobri e gostei do que li. Voltarei mais vezes. Mas vou dizer-te a razão por que te encontrei: ligo para a tua mãe e ninguém atende. O que se passa? Um abraço e continua a escrever.
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