Sonhos nas sombras
Silêncio que rasgo no intento
De trazer essa luz à tua morada
Qual essa estrela de amor
Que antecede a alvorada
a bruma, o orvalho
esse algo de brio
Lembrando
a noite sonhada
E se deixa ficar,
nesse lugar ancorada
quando tudo esmorece
e a forma se enaltece
no que se definia
à luz do novo dia
assim permanecia
Lágrimas de madrepérola
Essa pérola pristina
Transparecida ao luar
Que se eleva quando se anima
Essa força no peito a soprar
Maresias de ensonho
Brumas de se encantar
Esse jeitinho risonho
De uma criança a cantar
E nessa melodia garrida
Que se celebra a meio dia
Para se deixar depois levar
Aromas no vento
CL aridez de pensamento
Para se deixar trespassar
E esse ritmo
Suave e lento
Desse alento
Por dentro
A nos refrescar
Devagar
E nesse ribombar sumarento
A se espremer ao relento
Quando se expõe por amor
Esse algo que levamos dentro
Que deixamos escrito
em sentimento
Quando o alento
se achega ao lamento
Desse riso à alegria ou dor
Assim nos deixando o fermento
Para deixar crescer mais ardor
Essência assim espremida
Que pela luz da razão
Não pode ser esbatida
Sombra que dança
na noite esquecida
Iluminada pela luz mais amada
Que de madrepérola nos vestia
A lágrima e a estrela
Nessa lágrima salgada
Que acaricia a face amada
Ao ser lida ou encontrada
Escorrendo enamorada
Entre a maresia mais fina
Esse algo que se perfila
E traz luz renovada
Aonde não era encontrada
E a luz da madrugada
Ali onde a noite era chamada
Ao ser assim despida
Nessa despedida
Lembrada
Ora jazendo adormecida
Na rotina mais ressequida
Que envolve esta vida
até chegar a ser decorada
Com esse sal sem igual
Com essa alvura mais plena
Com esse algo que se assegura
Quando se entrega e vale a pena
Lágrimas a mares
Nesse momento
Que surge do alento
De se esperar
Que algo desse peito
Tão restrito e seleto
Venha a brotar
Qual berro
no silêncio
A rasgar
Novos horizontes
Espaços e fontes
De vida a borbulhar
Nessas novas odisseias
Procurando esse sangue nas veias
Que se inspira sem se deixar gelar
Esse ir mais além desse medo
Sentar e descortinar o segredo
Que nos é dado a saber cantar
E em cada canto,
em cada lugar
Assim deixar plantadas
Sementes de querer
orvalhadas
Pela mais pura manhã
E nessa mente dobradas
Todas as antigas palavras
Para se embevecer devagar
Nesse mar de sonhos
Com marés elevadas
Águas sempre correntes
Lágrimas de alegria pingentes
Sentimentos de alvorada
Frenesim de poesia
Neste frenesim inquieto
Nesse sentir irrequieto
Que nos invade e permeia
Quando se entrega
à luz do segredo
Esse cantar mais ledo
Que se entrelaça
E nos abraça
E acende
por dentro
quando se passa
Assim ao se entregar
Esse algo mais íntimo
Para se deixar levar
Esse segredo escondido
Ali onde se tenha esquecido
Deixado
Assim plantado
Para ser recolhido
Mesmo entre a luz da alvorada
Nessa orla orvalhada
Água íntima
Suor ardente
Ou nessa página marcada
Para ser assim enviada
A quem fosse leitor presente
Desse algo que voga na mente
E que advém desse algo mais quente
Que palpita no saber ser e estar
Qual na forma de se deixar levar
Pelas letradas palavras
Pelas linhas mais claras
Que nos é dado a entrelaçar
Por essas horas vagas
Preenchidas não levadas
De volta ao mar de amar
De onde emanam
Para onde regressam
Se não se fizer lugar
A que preencham
O tempo
Com a sua força imensa
A nos saber levar
Para esse momento que se não pensa
Para essa linha tão tensa
Que basta um toque
para a fazer vibrar…
E acender a melodia mais íntima
Que nos foi dado a saber cantar
Grito no deserto
Nesse tempo infinito
Que faz eco num só grito
De amor desesperado
Por ser assim partilhado
Numa certa escrita
Numa linguagem que dita
Assim sem se deixar conter
Mora nessa voz - inaudita
Que vai mais além do querer
E nessa paixão desenfreada
Que nos recobre qual bem-amada
Que nos envolve e nos agasalha
Não nos deixa e nunca falha
E nessa chama nos vai queimando
Doce calor e suave pranto
Nesse outro rumor, qual amor
Qual ribeiro entre o deserto
Que nasce nesse peito aberto
Rasgado para se deixar levar
Tudo o que sentimos dentro
Todo esse grande lamento
Que em melodia mais garrida
Se deixa em nós escoar
Entre o ocaso e o nascer do dia
Assim sem sobra nos unia
A essa luz que se anuncia
E se deixa assim levar
Em poema prosa ou letra
Nessa melodia indiscreta
Linha para se não decorar
Apenas assim levada
Quando nascendo desde o nada
Quando provém dessa gota orvalhada
Nesse firmamento plantada
Para se erguer o olhar
Iluminar a cidade desde dentro
Na simplicidade desta cidade
Na que as rotinas se aglutinam
E as gentes se avizinham
Sem se notar
Essa magia que paira no ar
Essa maravilha de se estar
Tão perto quanto sonhado
Tão longe e afastado
Sem ser olhado
Sem se deixar olhar
O ser por entre nós a passar
Dando voltas sem sentido
Nesse algo mais vivo
Que está sempre a chamar
Nessa avenida garrida
Nesse jardim de encantar
Nessa praça escondida
Onde só passa quem quer ficar
Nesse encanto entre tanto
Ser a se saber corresponder
No seu mesmo tempo
Sem se notar
Nesse lugar de novo alento
Que se ergue por fora e dentro
Quando lhe damos asas para voar
Nesse sentido sentimento
Que não esmorece no tempo
E se faz forte para nos animar
E se faz grande para nos abraçar
E aparece em qualquer momento
Algo de luz e fermento
Para nos fazer levedar
E os recantos mais sombrios
Iluminar em luz de brio
Que nos faça rejubilar
E nesse tempo tão profundo
Anima e dá cor e vida
Até ao confim deste mundo
Nesse algo que em nós mora
Se já me entristeço na demora
Se já no meu peito
a tua chama mora
Se ainda se chora de encanto
De surpresa
De espanto
Perante tanto que nos é dado
Nesse teu jeito fadado
Em forma de sentimento elevado
Nesse teu encanto marcado
Por tudo e em todo o lado
Aroma que paira sem se entrever
De onde assim irá nascer
Se na doce suavidade
Entre mar, campo e cidade
Se no simples deleite
De algo que por dentro se sente
E se nesse lugar mais sublime
Assim se nos abraça e exprime
Poesias em sentimento
Palavras de vivo alento
Melodias de se encantar
Sonhos para se elevar
E algo desse amor maior
Que no peito é sempre dor
Se não se chegar a entregar
Nesse teu lei, jazendo em meu peito
Se neste mar de silêncio ficasse
sem o teu alento que passe
Neste meu rosto bafejado
Por tudo o que é
por dentro desejado
Ainda que ignorado
Por tudo o resto em meu redor
Se ficasse sem a tua canção de amor
Sem esse teu encanto
Sem esse som melodioso
Luz de vida que amo tanto
Se ficasse sem a tua água viva
Tão pura, transparente e cristalina
Para preencher os meus espaços
Esses onde me movo e que abraço
Esperando expressar
Espremer devagar
Esse algo sumarento
Do qual estou sedento
Para voltar a entregar
Nessa forma singela
Que nunca se gela
Assim o calor a nos abraçar
E essa humildade silvestre
Dessa flor que me deste
Um dia para plantar
Aromas de sonho e cetim
Pétalas nesse jardim
No meu peito poisado
Nesse teu leito sonhado
Brado de poeta
Se nesse caminho traçado
No peito bem-amado
Se nesse destino velado
Que nos é entregue
Qual brado
A ser elevado
Nessa vida
Que nos definia
Assim qual recinto quebrado
Pelo ir mais além do que o fado
E encontrar nesse novo lugar
Assim sempre a palpitar
Oceano imenso
Que vai mais além
do que sinto e penso
Em ondas a sussurrar
Palavras de vida
e de encantar
Que permeiam minhas veias
E enchem estas artérias
Desse fluir vital
Entre o normal e o fenomenal
Que se apresenta
em cada virar de esquina
Que nos aquece e ilumina
Em momentos de divagar
Que pinta cores de fantasia
Onde a realidade morna se abria
E nos eleva ao mais amplo patamar
Ao se entender devagar
A mensagem
que esse sopro mais vivo
Passa entre o que leio e digo
Em silêncios ardentes
Nestas linhas que amamos
Preenchidas quais presentes