Lista de Poemas

Diálogo

Na solidão da minha metrópole
Não há pássaros a cantar
Não há sonhos a se sonhar
Há um jardim
De doces mentiras
De amargas epifanias
Há um jardim e, 
Nele, há uma flor
Pequena e virginal
Pura das melancolias
Branda como Iracema
Na metrópole da minha solidão
Só se revela a mim
A mim
Somente a mim
A mais ninguém
Posso vê-la só eu
A mim só pode ver ela
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Porta-retrato

Eu sou o inverno
Você é o verão
Sentidos opostos
Que caminham
A uma só direção
Eu sou a chuva
Você é o vento
A morte ou a salvação
De quem vive ao relento
Eu sou sincero
Você é desatento
E me parece que isso
Não era de seu conhecimento
Eu sou o espinho
Você é a flor
Enquanto eu firo
Tu cura com teu amor
Eu sou a fé
Você é a esperança
Que suspira e entre os ventos balança
Eu sou frio
Você é caloroso
Que vive ao meu lado
Mesmo eu sendo orgulhoso
Eu sou o grito
O silêncio que berra
No teu ouvido
Mesmo quando tu não erra
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a alma de cinquenta centavos

mais um dia de rancor
é cansativo, eu sei,
aturar-me todos os dias,
se só reclamo sem pensar.
desculpe a minha arrogância,
tu não deve se adaptar.
vive cheia de esperança,
e eu, sem consolo pra dar
de qualquer forma, meu bem,
um dia eu vou melhorar.
essa é a minha promessa
e não há nada que impeça
a prova do meu amor.





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Eleva-te

Às vezes observo beija-flores a voar
Tristes ou felizes, seu canto há de contar
Ímpetos movimentos, um coração a disparar
Seja lá ou cá, sempre estão a voar
Há renovação e um novo ar a conquistar
O tempo todo, e eu só posso admirar
Todo dia uma nova vida a se formar
A ansiedade de um aroma a se exalar
Por enquanto só posso sonhar
Como um ser pequeno, prestes a levitar.
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Monotonia

Acordar e sentir
o que não deveria existir
o triste suspiro birrento
dum lar de agonia e sofrimento

Despertar, persistir
para um porta-retrato sorrir
viver jogado ao relento
sem notar um sequer movimento

Batalhar, persistir
os limites enfim transgredir
sem com o ímpar ou par preocupar
para a vida somente rir
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Dark Roomie

Debaixo daquela alegria toda
Procuro, calado, uma caixa de fósforos
Quem sabe um dia
Aquele pequeno calor emitido
Possa aquecer, mesmo que pouco, a minha alma
Perdida em sentimentos
E ressentimentos de um ser frio
A solidão martelando
Um porta-retrato

Debaixo da teoria toda
Reviro, inquieto, meus sentimentos soturnos
Quem sabe um dia
Eu encontre raciocínios antigos
Que afaguem os pensamentos claros
Que um dia já foram meus
Um descompasso no tempo
Que acalma o turbilhão.









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